"Vocês saberão muito em breve": Trump diz que pode atacar o Irã novamente
Sob mediação internacional e pressão econômica para reabrir o Estreito de Ormuz, Casa Branca condiciona suspensão de bombardeios a exigências nucleares
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom contra o governo de Teerã e afirmou, nesta terça-feira (19), que o governo norte-americano estuda retomar as ações militares contra o Irã diante do atual impasse nas negociações diplomáticas. Em pronunciamento a jornalistas na Casa Branca, o chefe de Estado revelou que os planos para uma nova ofensiva aérea estavam prontos para serem executados no início do dia. De acordo com informações do portal g1, o líder da potência global sinalizou que a manutenção do cessar-fogo na região depende de uma resposta rápida por parte das autoridades iranianas.
A suspensão temporária dos bombardeios, segundo o mandatário, ocorreu após a intervenção diplomática de nações aliadas no Oriente Médio. O presidente norte-americano relatou aos repórteres que a ordem de ataque ao território iraniano foi interrompida a apenas uma hora da execução, atendendo a apelos formais emitidos pelos governos do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. Os líderes árabes argumentaram que uma proposta de pacificação viável e aceitável para os interesses de Washington está em vias de ser consolidada, o que evitou o agravamento imediato das hostilidades na região do Golfo Pérsico.
Atualmente, os Estados Unidos cumprem formalmente um acordo de cessar-fogo com o Irã, estabelecido para paralisar os combates iniciados pela gestão Trump no final de fevereiro. No entanto, o governo norte-americano estipulou um prazo de 24 a 48 horas para que Teerã reformule suas propostas de paz. Durante a entrevista coletiva, o governante reiterou que o recuo estratégico não anula a possibilidade de uma resposta bélica severa caso os canais de diálogo falhem. Nas palavras do presidente: "Espero que não tenhamos que voltar com a guerra, mas podemos ter de dar a eles (Irã) outro grande golpe... Ainda não tenho certeza. Vocês saberão muito em breve".
Por outro lado, a mídia estatal de Teerã divulgou os termos da mais recente contraproposta enviada a Washington. O plano iraniano exige a cessação imediata de todas as operações militares na região, incluindo as frentes de combate no Líbano, além da retirada integral das tropas dos Estados Unidos posicionadas no entorno do país e o pagamento de indenizações financeiras pelos danos causados em ações conjuntas entre as forças americanas e israelenses. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou à agência de notícias IRNA que as demandas locais incluem também o fim do bloqueio marítimo, a liberação de ativos financeiros congelados no exterior e a suspensão das sanções econômicas.
Os termos apresentados pela diplomacia do Irã, contudo, apresentam poucas alterações em relação à oferta anterior, classificada na semana passada por Donald Trump como lixo. Apesar do histórico de rejeições, o presidente norte-americano ponderou que ainda enxerga viabilidade em um desfecho diplomático focado no controle de armas estruturais. O objetivo central de Washington permanece sendo o desmonte das capacidades bélicas do país persa. Sobre a perspectiva de um entendimento de longo prazo que evite novos bombardeios, o chefe da Casa Branca declarou aos jornalistas: "Parece haver uma chance muito boa de que eles possam chegar a um acordo. Se conseguirmos fazer isso sem bombardeá-los, eu ficaria muito feliz".
Os bastidores do conflito seguem marcados por relatórios divergentes emitidos pelas agências de inteligência. Enquanto o portal de notícias norte-americano Axios apontou que a proposta de Teerã já teria sido formalmente recusada pela Casa Branca, a agência de notícias Reuters informou que não foi possível confirmar movimentações de tropas ou preparativos logísticos nos quartéis norte-americanos para uma nova escalada. Paralelamente, há uma forte pressão de mercados globais para a reestabilização do Estreito de Ormuz, rota marítima essencial para o escoamento global de petróleo e commodities. Diante do cenário de volatilidade, fontes do governo do Paquistão, que atua como intermediário nas conversas confidenciais, alertaram que a oscilação de metas de ambos os lados reduz drasticamente o tempo hábil para evitar o reinício oficial da guerra.
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