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Vergonha em campo: a perigosa Intervenção de Trump que rasgou o regulamento da Copa

A revogação do cartão vermelho de Balogun após pressão direta da Casa Branca escancara a submissão de Gianni Infantino e fere de morte a ética do futebol

6 jul 2026 - 11h37
(atualizado às 17h10)
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O futebol sempre foi fascinante por sua capacidade de ser um terreno onde as regras valem igualmente para bilionários e operários. Contudo, a escandalosa Intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump nos bastidores da Fifa para anular uma punição legítima destruiu essa ilusão de isonomia de forma impiedosa.

a perigosa Intervenção de Trump que rasgou o regulamento da Copa
a perigosa Intervenção de Trump que rasgou o regulamento da Copa
Foto: Getty Images / Perfil Brasil

A absurda reversão do cartão vermelho do atacante norte-americano Folarin Balogun, após um telefonema direto do mandatário da Casa Branca para o presidente da entidade, Gianni Infantino, rebaixa o maior espetáculo da Terra ao nível de um mero jogo de cartas marcadas.

O dia em que a diplomacia do tapetão venceu o apito: Trump pede, Infantino obedece

O episódio desenha um dos capítulos mais deprimentes da história das Copas contemporâneas. O atleta dos Estados Unidos havia sido expulso de forma corretíssima pelo árbitro brasileiro Raphael Claus. O atleta dos EUA cravou as travas da chuteira no tornozelo de um adversário da Bósnia. O lance foi revisado e referendado pelo VAR. No entanto, em vez de aceitar a punição esportiva, a máquina política norte-americana entrou em campo para garantir que o jogador enfrente a Bélgica nas oitavas de final desta segunda-feira: "Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça."

Além disso, a complacência de Gianni Infantino diante da pressão externa escancara uma submissão vergonhosa do esporte aos interesses geopolíticos do país sede. Ao camuflar o favorecimento sob uma suposta "liberdade condicional esportiva", a Fifa cria um precedente perigoso que aniquila a autoridade dos árbitros no gramado. O silêncio obsequioso da federação diante de um agradecimento público feito pelo próprio líder político em suas redes sociais apenas chancela o tamanho do escândalo.

A herança bendita de 1962 e a indignação europeia

Contudo, os defensores desse absurdo administrativo apressam-se em resgatar o célebre caso de Garrincha na Copa de 1962 como justificativa para o erro atual. Ora, utilizar uma manobra de bastidores de mais de seis décadas para legitimar a interferência de uma superpotência atômica no VAR de 2026 não é apenas um anacronismo rasteiro. É desonestidade intelectual. O erro do passado deveria servir de lição, jamais de manual de instruções para que chefes de Estado atuem como diretores de futebol de suas seleções.

Da mesma forma, a reação furiosa da federação belga e os protestos formais emitidos pela União Europeia e pela Uefa mostram que o continente europeu não assistirá calado ao desmonte do regulamento disciplinar. A postura oficial da Casa Branca, que celebrou a decisão nas redes sociais com um ufanista "EUA-EUA-EUA", demonstra uma total falta de compostura e um desrespeito flagrante com as outras nações que disputam o torneio sob as regras estritas da lei esportiva.

Em contrapartida, os analistas e ex-jogadores que tentam normalizar o absurdo sob o argumento de que "o espetáculo ganha com os melhores em campo" esquecem que a essência do esporte reside no respeito mútuo. Se a cor da camisa ou o PIB do país do infrator definem o rigor do tribunal, o campeonato deixa de ser um torneio de futebol e vira um Reality Show corporativo.

 Em suma, a Fifa sai desse episódio menor do que entrou, com sua imagem de integridade completamente arranhada. A presença de Balogun no jogo de hoje será a prova física de uma trapaça institucionalizada que humilha o trabalho dos profissionais de arbitragem. Resta agora aos torcedores do verdadeiro futebol repudiar essa fusão obscena entre política e esporte, lamentando o dia em que o apito final foi dado de dentro do Salão Oval.

Perfil Brasil
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