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Um em cinco jovens alemães planeja deixar o país

7 abr 2026 - 17h00
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Perspectivas profissionais incertas, endividamento, polarização política, crise econômica e estresse mental levam número crescente de jovens a considerar abandonar a Alemanha, mostra pesquisa.Você acredita que a vida é ótima na Alemanha? Muitos jovens do país discordam. Um número crescente de alemães entre 14 e 29 anos afirma estar planejando deixar sua terra natal. Na nona edição do estudo "Juventude na Alemanha", 21% dos entrevistados dizem que planejam ativamente se mudar para o exterior em busca de uma vida melhor. Até 41% afirmaram que conseguem se imaginar vivendo em outro país no longo prazo.

Jovens planejam ativamente deixar o país
Jovens planejam ativamente deixar o país
Foto: DW / Deutsche Welle

Crises persistentes, perspectivas profissionais incertas, endividamento e estresse mental caracterizam a vida de muitos jovens, diz a pesquisa nacional realizada com 2.012 pessoas de 14 a 29 anos.

"Os resultados demonstram de forma dramática até que ponto as pressões dos últimos anos estão cobrando seu preço dos jovens — na forma de estresse, exaustão e uma crescente falta de esperança", enfatiza o diretor da pesquisa, Simon Schnetzer.

O estudo organizado pela Datajockey Verlag também inclui pesquisadores de universidades alemãs, como Potsdam e Konstanz.

Fica claro que o modo de crise que persiste há anos no país — marcado por guerras globais, inflação e aumento dos custos de moradia — levam os entrevistados a se preocuparem com a segurança econômica na Alemanha. As perspectivas profissionais enfraquecidas diante da Inteligência Artificial e a crescente pressão financeira também estão dificultando a independência dos jovens, segundo os participantes.

Uma guinada política

Paralela à incerteza econômica, cresce na Alemanha também a polarização política. "O partido A Esquerda (Die Linke) é atualmente o mais popular entre os jovens, especialmente entre as jovens mulheres. Ao mesmo tempo, a AfD [de ultradireita] está ganhando apoio, particularmente entre os jovens homens", afirma a Universidade de Potsdam em um comunicado sobre a pesquisa.

Um relatório divulgado pelo canal alemão ARD também apontou que 21% dos eleitores com menos de 25 anos votaram na Alternativa para a Alemanha (AfD) na última eleição estadual do estado da Renânia-Palatinado. Já o partido A Esquerda recebeu 19% dos votos desse grupo etário. A paisagem política cada vez mais polarizada — especialmente a ascensão da ultradireita — também leva muitos jovens a considerar emigrar.

"Eu acho que todos os meus amigos estão pensando nisso — especialmente se você faz parte de alguma minoria", diz Riff, estudante de mestrado em estudos sociais e culturais na Universidade Humboldt, à DW.

"Estou cada vez mais preocupada, especialmente porque muitos empregos culturais, empregos voltados à democratização, estão sendo cortados. Acho que o fascismo está em ascensão."

Riff destacou o crescimento da AfD e as tentativas do chanceler conservador Friedrich Merz e seus parceiros de coalizão de agradar eleitores mais à direita. "Eles já estão tomando certas medidas que a AfD prometeu tomar, então estou muito preocupada", diz. Ainda assim, a dúvida permanece: para onde ir? "Eu sei que não é fácil migrar."

Saúde mental em queda

A saúde mental na Alemanha também parece estar piorando. O estudo mostra que o número de jovens que dizem precisar de apoio psicológico atingiu um novo recorde de 29%. O índice é ainda maior entre jovens mulheres (34%), estudantes (32%) e jovens desempregados (42%). Muitos participantes relataram recorrer cada vez mais a serviços de aconselhamento apoiados por IA para lidar com problemas pessoais.

Isso pode explicar por que a ideia de adotar um estilo de vida diferente fora da Alemanha atrai alguns jovens.

"Passei três meses em Tóquio no ano passado para o meu doutorado e gostei muito, então estou considerando me mudar para lá no ano que vem", disse Frederick, estudante de direito de 29 anos de Hamburgo, à DW. Ele ressalta que não se trata de dinheiro, já que a Alemanha tem um bom mercado para jovens advogados. "Eu gostei de um jeito diferente de viver. Era um pouco mais tranquilo, um pouco mais limpo. No geral, eu também consideraria viver em Viena, Londres ou Paris."

Para onde estão indo os jovens alemães?

A Alemanha continua sendo a terceira maior economia do mundo em PIB nominal, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Mas para onde esses jovens estão se mudando? Segundo uma pesquisa do Destatis de 2024, a Suíça é o destino mais popular, seguida pela Áustria.

Viena, a capital austríaca, figura consistentemente entre as cidades mais habitáveis do mundo, com serviços públicos confiáveis e alta qualidade de vida. Nos rankings globais dos melhores lugares para se viver, fica em segundo lugar, atrás apenas de Zurique. Outros países com cidades na lista incluem Estados Unidos, Espanha e França.

Kaspar Ten Haaf, estudante de latim e música que deseja ser professor, disse à DW que entende por que tantos jovens se sentem atraídos para estes locais. Para ele, pessoas com histórico de migração "não se sentem mais bem-vindas à medida que partidos como a AfD ganham força".

"Temos uma enorme diferença entre ricos e pobres aqui. Temos muitos impostos sobre trabalhadores comuns, mas não sobre a riqueza herdada pelos ricos", afirma. "Precisamos de mais impostos sobre os ricos e de apoiar esses trabalhadores de aplicativo ou que trabalham em hospitais." Por enquanto, porém, ele planeja permanecer no país após concluir os estudos.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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