UEFA rompe com a Fifa e ameaça boicotar Copa do Mundo
Federação europeia, que reúne 55 países, anunciou que não vai mais participar de torneios da Fifa após entidade propor venda de direitos comerciais da Copa.A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), que reúne seleções de 55 países, anunciou nesta quinta-feira (30/07) que não vai mais participar de competições organizadas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), o que inclui a Copa do Mundo.
"A UEFA e suas associações nacionais não participarão das competições da Fifa", declarou a entidade que rege o futebol europeu após uma reunião urgente realizada por videoconferência.
A decisão é um ato de protesto da UEFA contra o plano do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de vender uma participação minoritária dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados por 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,4 bilhões).
Entre os potenciais investidores estaria a Thrive Eternal, empresa liderada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento", disse em nota sobre a rejeição "unânime e inequívoca" dos europeus ao projeto de Infantino à frente da entidade máxima do futebol.
"Há coisas que simplesmente são importantes demais para serem vendidas", continua o texto. "A Copa do Mundo da Fifa pertence ao futebol. Sempre pertenceu. E, enquanto a Europa tiver voz, ela nunca estará à venda."
Próxima competição da Fifa é em 5 de setembro
O próximo torneio da Fifa acontecerá em poucas semanas na Europa: a Copa do Mundo Feminina Sub-20, sediada na Polônia, a partir de 5 de setembro.
Qual é o plano de Infantino para a Copa do Mundo?
O projeto de Infantino, até então sigiloso, foi revelado na terça-feira. Ele prevê a separação das operações comerciais da Fifa em uma nova subsidiária de 20 bilhões de dólares, a Fifa Forward Enterprise (FFE), com pouco mais de 20% de participação pertencente a investidores privados, que aportariam até 4,2 bilhões no negócio.
Infantino apresentou a proposta de como uma oportunidade de "turbinar" o financiamento para o desenvolvimento do futebol ao redor do mundo, onde a maioria dos 211 membros da Fifa depende desses recursos.
Infantino prometeu mais dinheiro às federações em troca de aval
Hoje, a Fifa é uma associação sem fins lucrativos sob a legislação suíça. Seus donos são as 211 federações-membros.
Na terça-feira, Infantino escreveu às federações afirmando que, se aprovarem a FFE até meados de setembro, o financiamento básico prometido para os próximos quatro anos dobrará de 10 milhões de dólares para 20 milhões de dólares. Segundo ele, o financiamento da Fifa para cada membro até 2038 chegaria a 86 milhões de dólares, em vez de cerca de 36 milhões de dólares.
Para a Uefa, a proposta do cartola configura "intimidação" e "coerção".
Uefa lança ultimato
"É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanho significado para o futebol tenha sido concebida em segredo e quase aprovada sem nenhuma consulta significativa com aqueles encarregados de administrar o jogo", queixou-se a Uefa nesta quinta-feira.
"Isso não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial", diz a entidade em nota.
O cartola trabalhou na UEFA por muitos anos e era secretário-geral, cargo equivalente ao de CEO, quando foi eleito pela primeira vez para liderar a Fifa em 2016.
Ao justificar seu boicote, a UEFA disse temer que a entrada de investidores privados deixe o esporte refém da obrigatoriedade de gerar lucros, colocando federações e atletas sob pressão. " O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cujo primeiro dever é maximizar o retorno financeiro", argumentou.
A entidade europeia afirma que manterá seu boicote até que a proposta de Infantino "seja abandonada integralmente e sejam dadas garantias vinculantes de que a Fifa jamais voltará a abrir sua governança ou suas competições à propriedade privada".
Fim da era Infantino na Fifa?
A aposta financeira de alto risco feita por Infantino agora pode ameaçar sua até então segura presidência de 11 anos à frente da Fifa, à medida que cresce a irritação e a frustração com sua liderança entre os diversos atores do futebol, incluindo três das seis confederações continentais.
A Fifa estabeleceu o dia 18 de novembro como prazo para que eventuais candidatos se registrem para a eleição presidencial, marcada para março do próximo ano, em Rabat, no Marrocos.
Até 11 dias atrás, após a final da Copa do Mundo nos EUA, Infantino parecia ter caminho livre para ser reeleito sem oposição para um quarto e último mandato, que se estenderia até 2031.
Dirigentes do futebol afirmaram, em conversas reservadas, que Infantino vê para si um papel semelhante ao de comissário na Fifa Forward Enterprise após 2031.
ra (AP, DW, ots)
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Erramos: Numa versão anterior deste texto, a DW escreveu que a participação de investidores estrangeiros seria de 20 bilhões de dólares. Na verdade, a Fifa planeja criar uma subsidiária de 20 bilhões de dólares para administrar a Copa do Mundo e outros eventos, vendendo pouco mais de 20% das ações para investidores externos. O texto foi corrigido. Pedimos desculpas pelo erro.
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