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Trump sabe que sou melhor que Bolsonaro, diz Lula a jornal

17 mai 2026 - 14h55
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Presidente comentou relações com o homólogo americano em entrevista publicada pelo "Washington Post" neste domingo (17/05). Segundo ele, diferenças ideológicas não interferem nas relações políticas com o republicano.Em meio a uma reaproximação nas relações entre Brasil e Estados Unidos após um período de tensões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o seu homólogo americano, Donald Trump, já reconhece diferenças entre ele e seu antecessor,Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista ao Washington Post, publicada neste domingo (17/05), Lula afirmou que não precisa convencer o republicano.

"Não preciso fazer nenhum esforço para ele saber que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso", declarou o petista.

Anteriormente, Trump, que se aproximou de Bolsonaro durante o primeiro mandato na Casa Branca, chegou a classificar de "caça às bruxas" o processo por tentativa de golpe de Estado conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que culminou na prisão do candidato do PL, derrotado por Lula nas eleiçoes de 2022.

A declaração ocorre após encontro entre os dois líderes na Casa Branca, no início de maio. Lula relatou, na visita a Washington, ter feito uma brincadeira sobre a expressão séria de Trump em retratos oficiais. "Você não sabe sorrir?", questionou o brasileiro. Após ouvir de Trump que eleitores preferem líderes com aparência mais dura, respondeu: "Só durante a eleição. Agora que você está governando, pode sorrir um pouco. A vida fica mais leve quando sorrimos", afirmou Lula ao jornal americano.

Segundo o presidente brasileiro, a relação pessoal faz parte de uma estratégia mais ampla de negociação. "Se eu consegui fazer o Trump rir, posso conseguir outras coisas também", afirmou. "Você não pode simplesmente desistir", complementou o petista.

Ao mesmo tempo, o presidente brasileiro enfatizou que mantém divergências políticas com o americano. "Trump sabe que eu me oponho à guerra com o Irã, discordo da intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina", disse. "Mas minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado", acrescentou Lula.

Capacidade de diálogo

Lula também afirmou, na entrevista ao Washington Post, que o principal objetivo na relação com Trump é assegurar respeito nas relações bilaterais.

"O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente eleito democraticamente aqui", disse o petista, que também relembrou o período recente de tensão, quando medidas como tarifas e sanções impostas por Washington foram classificadas pelo Planalto como violações da soberania nacional.

O presidente citou ainda um princípio pessoal para orientar sua política externa. "Quem abaixa a cabeça pode não conseguir levantá-la novamente", explicou, citando uma fala que ouviu de sua mãe. "O Brasil tem muito orgulho do que é. Não precisamos nos curvar a ninguém", reiterou.

No plano interno, Lula defendeu a capacidade de dialogar com governos de diferentes orientações ideológicas em um momento de polarização política. "A democracia falhou quando deixou de responder às aspirações mais básicas das pessoas", avaliou o presidente ao Washington Post. "Aí qualquer idiota que fale contra o sistema recebe aplausos", criticou o petista.

Apesar do tom pragmático, Lula demonstrou preocupação com o cenário internacional. "Espero que Trump possa ser convencido de que os Estados Unidos podem desempenhar um papel muito mais importante no fortalecimento da paz, da democracia e do multilateralismo. Vai ser difícil? Sim. Mas se eu não acreditasse na capacidade de persuadir, não estaria na política", declarou o brasileiro.

Para Lula, a relação com Trump ilustra a possibilidade de cooperação mesmo entre adversários ideológicos. Ao comentar o papel dos Estados Unidos na América Latina, ele defendeu uma postura menos unilateral. "Se os Estados Unidos quiserem voltar à frente, ótimo. Mas precisam querer", finalizou.

fcl (ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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