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"Trump não foi eleito imperador do mundo", diz Lula a revista alemã

16 abr 2026 - 18h25
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Em entrevista à revista alemã "Der Spiegel", Lula critica presidente dos EUA por "ameaçar outros países com guerra o tempo todo" e afirma que descartou enviar petróleo a Cuba para evitar impacto negativo na Petrobras.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou Donald Trump por "ameaçar outros países com guerra o tempo todo" e declarou que o análogo americano não foi eleito "imperador do mundo" em entrevista publicada nesta quinta-feira (16/04) pela revista alemã Der Spiegel. A entrevista foi divulgada no mesmo dia em que o líder brasileiro embarcou para um giro na Europa que inclui uma etapa de dois dias na Alemanha.

Lula viaja à Alemanha no fim de semana para participar da Feira de Hannover
Lula viaja à Alemanha no fim de semana para participar da Feira de Hannover
Foto: DW / Deutsche Welle

"Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha", disse Lula, ao ser questionado pelos repórteres sobre o futuro do multilateralismo num mundo envolvido em disputas que envolvem China, Rússia e Estados Unidos.

Lula também disse ter pedido ao Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron - respectivamente, líderes de China, Rússia e França, a quem chamou de "meus amigos" - para que fosse convocada uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para que Trump fosse instado a discutir o conflito no Irã, mas que ninguém "deu ouvidos".

"É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão", afirmou o presidente da República.

"Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e que quem acabe pagando a conta dessa guerra sejam os pobres da África ou da América Latina, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras. O secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria convocar imediatamente uma Assembleia Geral Extraordinária para que Trump, Putin e os outros prestem contas", acrescentou Lula.

Outra crítica foi direcionada à composição do Conselho de Segurança, que, para o chefe do Executivo brasileiro, deveria ser alterada "imediatamente", incluindo como membros permanentes representantes da África, Oriente Médio, o próprio Brasil ou a Alemanha.

"A Carta das Nações Unidas estabelece que o Conselho de Segurança foi criado para preservar a paz no mundo. Como você pretende explicar a alguém que, justamente, os cinco membros permanentes [Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido] são os maiores produtores de armas? São eles que possuem armas nucleares e travam guerras. A França e o Reino Unido intervieram na Líbia, os EUA invadiram o Iraque, a Rússia atacou a Ucrânia, Israel é responsável pela destruição de Gaza - e agora os EUA e Israel estão em guerra contra o Irã", criticou Lula.

Petrobras e Cuba

Questionado pelos jornalistas alemães sobre uma potencial ajuda energética brasileira a Cuba, o presidente brasileiro apontou que não enviou petróleo e derivados apara auxiliar o país caribenho na atual crise energética e pressão dos Estados Unidosporque a medida poderia ter consequências negativas para aPetrobras em Wall Street, onde a empresa é listada na bolsa de valores de Nova York.

"Nossas relações com Cuba são tão boas que os cubanos nos deram a entender: Lula não deve tomar nenhuma medida que prejudique o Brasil", disse ele, acrescentando, no entanto, que pode enviar "medicamentos e alimentos" e que é preciso "ajudar Cuba a se tornar independente do petróleo".

Candidatura para a reeleição

Na conversa, o petista também não confirmou que irá concorrer à reeleição em outubro, condicionando a decisão à convenção do Partido dos Trabalhadores (PT), apesar de admitir que está se "preparando" para a missão. "Estou com a cabeça e o corpo 100% em forma. Quero viver até as 120 anos", declarou Lula à Spiegel.

Sobre a disputa com Flávio Bolsonaro, que apareceu, nesta semana, à frente do atual presidente nas pesquisas Datafolha e Quaest, Lula disse que respeitará as urnas, caso seja derrotado. "Quando o povo toma uma decisão, seja ela de direita, de esquerda ou do centro, temos de aceitar o resultado."

"O Brasil continuará sendo um país democrático. Além disso, venceremos esta eleição e garantiremos que nossa democracia se torne ainda mais sólida. Não há lugar aqui para fascistas; para pessoas que não acreditam na democracia. Essa ideologia de direita que domina o mundo não tem futuro. Em vez de ideias, ela só espalha ódio e mentiras", disse.

A entrevista foi publicada na véspera da viagem de Lula à Europa. Entre os dias 17 e 21 de abril, o presidente brasileiro visitará Espanha, Alemanha e Portugal, no que deve ser sua última grande viagem ao exterior antes das eleições. No próximo domingo (19/04), Lula participará, junto com o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, da abertura da Feira de Hannover, maior evento de tecnologia industrial do mundo e que terá o Brasil como país-parceiro neste ano.

Em novembro do ano passado, após passar por Belém para participar da COP30, Merz disse que estava "feliz" em retornar à Alemanha, fala que causou mal-estar entre as autoridades brasileiras, incluindo Lula - que respondeu que o colega germânico "deveria ter ido em um boteco no Pará, ter dançado no Pará, ter provado a culinária do Pará".

"Eu disse a ele que, quando viajo para a Alemanha, gosto de comer salsicha nas barraquinhas de rua. Da última vez que estive com a [ex-chanceler] Angela Merkel, comi uma salsicha que comprei numa barraca. Quando estou no exterior, procuro experimentar as comidas locais", falou Lula à Spiegel.

fcl (ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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