Trump adia início de tarifas no Brasil e em outros países; bolsas da Ásia e Europa fecham em queda
Depois de afirmar em diversas ocasiões que não haveria adiamento, Donald Trump recuou. As novas tarifas comerciais dos Estados Unidos, que deveriam começar a valer nesta quinta-feira (1º), foram postergadas para a próxima semana. A mudança foi oficializada em ordem executiva assinada pelo republicano, que fixa o início da cobrança para o dia 7 de agosto.
Segundo o decreto, as alíquotas vão de 10% a 41% e atingem dezenas de países. O Brasil aparece entre os afetados, com uma tarifa recíproca de 10%. Na véspera, o próprio presidente americano já havia anunciado que essa alíquota seria elevada em 40 pontos percentuais, totalizando 50%.
As medidas fazem parte de um reajuste das tarifas anunciadas em abril, no episódio chamado por Trump de "Dia da Libertação". No entanto, o cronograma foi alterado algumas vezes. Uma pausa de 90 dias, comunicada uma semana após a primeira ofensiva, foi justificada como uma janela para negociação com parceiros comerciais.
Adiamento estratégico ou incerteza prolongada?
Durante esse intervalo, os Estados Unidos enfrentaram impasses com a China, alternâncias tarifárias envolvendo México e Canadá, negociações lentas com Japão e União Europeia, além de ameaças a países com posturas consideradas hostis. Em julho, havia expectativa de retomada das tarifas em sua totalidade. Porém, novos sinais de negociação levaram a mais um adiamento.
Como nas ocasiões anteriores, os mercados sentiram o impacto da decisão. A reação foi negativa nas bolsas da Ásia e Europa, refletindo a instabilidade gerada pela política comercial americana.
Na Ásia, o índice sul-coreano Kospi teve queda de 3,88% em Seul, fechando a 3.119,41 pontos, no pior desempenho diário em quatro meses. O Hang Seng caiu 1,07% em Hong Kong, o Nikkei recuou 0,66% em Tóquio, e o Taiex, em Taiwan, teve baixa de 0,46%.
Na Europa, os mercados encerraram o dia no menor nível em três semanas. O índice Stoxx 600 recuava 1,24% às 6h35 (horário de Brasília), com 539,33 pontos. Às 6h50, as bolsas de Londres, Paris e Frankfurt apresentavam quedas de 0,40%, 1,69% e 1,55%, respectivamente. As praças de Milão, Madri e Lisboa também fecharam no vermelho.
Empresas do setor farmacêutico foram especialmente atingidas. O motivo foi o envio de cartas pelo presidente dos EUA aos dirigentes de 17 companhias do setor, entre elas a Novo Nordisk e a Sanofi, com cobranças sobre os preços de medicamentos prescritos.
A resposta do mercado foi imediata: as ações da Novo Nordisk despencaram 4,2%, atingindo o menor patamar em quase três anos, enquanto a Sanofi perdeu 1%.