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Traficante condenado a 126 anos recebeu prisão domiciliar, rompeu tornozeleira e desapareceu sem deixar rastros

Investigação aponta que traficante condenado obteve liberdade domiciliar em apenas 40 minutos e fugiu logo em seguida

25 mai 2026 - 15h09
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Uma investigação recente revelou detalhes surpreendentes sobre a fuga de um dos criminosos mais perigosos do país. Mensagens telefônicas indicam que um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul tinha conhecimento prévio sobre o pedido de soltura que beneficiou o traficante Gerson Palermo. O criminoso acumulava condenações expressivas que somavam 126 anos de reclusão quando obteve a liberação para cumprir a pena em regime domiciliar.

Traficante condenado a 126 anos ganhou prisão domiciliar, rompeu tornozeleira e nunca mais foi encontrado
Traficante condenado a 126 anos ganhou prisão domiciliar, rompeu tornozeleira e nunca mais foi encontrado
Foto: Reprodução/TV Globo / Perfil Brasil

O benefício foi concedido no dia 20 de abril de 2020 durante um plantão judiciário. Pouco tempo depois de deixar a prisão, o homem rompeu o equipamento de monitoramento eletrônico e desapareceu. Passados mais de seis anos do episódio, ele continua foragido do sistema penitenciário brasileiro.

A ordem de liberação foi assinada pelo desembargador Divoncir Maran, que acabou penalizado pelo Conselho Nacional de Justiça com a aposentadoria compulsória. O órgão entendeu que o magistrado aceitou o pedido de liberdade sem realizar uma análise adequada dos documentos anexados ao processo da liderança criminosa.

Mensagens interceptadas mostram a pressa na liberação do traficante

As conversas obtidas entre os funcionários do gabinete mostram que a equipe aguardava o requerimento antes mesmo da inserção oficial no sistema eletrônico do tribunal. Em um dos textos analisados pela investigação, um assessor afirmou explicitamente: "Vai entrar esse HC, chefe pediu para prover." Essa comunicação interna reforçou os indícios de irregularidades no procedimento adotado.

A defesa do condenado utilizou o argumento de que o cliente apresentava sérios problemas de saúde no começo da crise sanitária da Covid-19. Apesar da ausência de laudos médicos que comprovassem a real gravidade do estado do paciente, a decisão favorável foi estruturada e assinada em um intervalo de aproximadamente 40 minutos.

O funcionário Fernando Carlana realizou a validação eletrônica do documento utilizando as credenciais digitais do próprio magistrado responsável. Em depoimento posterior, ele declarou que o compartilhamento de senhas e assinaturas digitais configurava uma prática rotineira nas atividades diárias daquele gabinete específico.

Histórico criminal de Palermo envolve o sequestro de aeronave comercial

O beneficiado pela decisão ganhou notoriedade na imprensa nacional no ano 2000 ao coordenar uma ação criminosa ousada. Ele participou ativamente do sequestro de um avião comercial de passageiros com o objetivo de roubar diversos malotes de dinheiro pertencentes ao Banco do Brasil. O episódio marcou as crônicas policiais da época pela ousadia dos envolvidos.

Anos mais tarde, investigações conduzidas pela Polícia Federal apontaram que o suspeito exercia um papel de liderança no tráfico internacional de entorpecentes. Ele atuava diretamente na articulação logística entre organizações criminosas que operam em território brasileiro e grandes cartéis produtores localizados na Bolívia e na Colômbia.

Além do processo administrativo no órgão de controle do judiciário, Divoncir Maran enfrenta investigações criminais conduzidas pelas autoridades competentes. As apurações buscam esclarecer a suposta prática dos crimes de corrupção passiva, ocultação de bens e lavagem de dinheiro, além de organização criminosa. A equipe de defesa do magistrado nega qualquer irregularidade.

Conselho Nacional de Justiça afasta magistrado e debate punição máxima

O desfecho do caso trouxe novamente ao cenário público a discussão sobre a eficácia da aposentadoria compulsória como sanção máxima aplicada a membros da magistratura nacional. Críticos do modelo atual apontam que o afastamento remunerado não funciona como uma punição justa para infrações consideradas gravíssimas.

Atualmente, ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes do Congresso Nacional conduzem debates para propor alterações significativas nas regras disciplinares voltadas a juízes e desembargadores. O objetivo das novas propostas em análise é endurecer as penalidades aplicadas em cenários de desvios éticos ou de condutas criminosas no exercício da função pública.

Perfil Brasil
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