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"Sorria com os olhos", diz coach coreano de entrevista de emprego com inteligência artificial

13 jan 2020
16h41
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Em uma Coreia do Sul obcecada por cursos preparatórios, os estudantes buscam aulas de tudo, desde audições de K-pop a negócios imobiliários. Agora, as principais empresas coreanas estão implementando inteligência artificial (IA) nas contratações - e os candidatos a emprego querem aprender como vencer os algoritmos.

De seu escritório no centro do distrito abastado de Gangnam, em Seul, o consultor de carreiras Park Seong-jung oferece aulas sobre como lidar com o processo seletivo para vagas de emprego feito por computadores, não por pessoas. Entrevistas em vídeo usando a tecnologia de reconhecimento facial para analisar os entrevistados são fundamentais, de acordo com Park.

"Não force um sorriso com os lábios", disse ele aos estudantes em busca de um emprego em uma das muitas sessões que ele disse ter conduzido para centenas de pessoas. "Sorria com os olhos."

As aulas para lidar com inteligência artificial em processos seletivos, agora sendo usados por grandes conglomerados sul-coreanos como SK Innovation e Hyundai Engineering & Construction, ainda são um pequeno nicho na indústria multibilionária de cursos preparatórios no país. Mas os cursos estão crescendo rapidamente, afirmam operadores como a consultoria People & People de Park, oferecendo um pacote de três horas por até 100 mil wons (86,26 dólares).

Existem bons motivos para ver potencial nisso. Estima-se que oito em cada dez estudantes sul-coreanos frequentaram cursos preparatórios, e o crescente desemprego entre jovens no país - quase um em cada quatro jovens não está na força de trabalho, segundo a Statistics Korea - oferece uma razão que não está presente em outros países onde tais cursos são populares, como o Japão.

"A IA não fará perguntas pessoais naturalmente", disse Yoo Wan-jae, 26 anos, que procura um emprego no setor de hotelaria. "Isso tornará um pouco desconfortável ... vou precisar me inscrever em cursos para a entrevista de IA", disse Yoo, falando no distrito de Noryangjin, em Seul, conhecido como 'Exam Village', repleto de cursos preparatórios e salas de estudo.

"MEDO, ALEGRIA E GAMIFICAÇÃO"

Empresas de todo o mundo estão experimentando técnicas de IA cada vez mais avançadas para reduzir as listas de candidatos a vagas.

Mas Lee Soo-young, diretor do Instituto de Inteligência Artificial do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST), disse à Reuters por telefone que a nova tecnologia está sendo mais amplamente adotada na Coreia do Sul, onde grandes empregadores exercem muita influência em um mercado de trabalho mais restritivo.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica da Coreia (KERI), quase um quarto das 131 principais empresas do país atualmente usa ou planeja usar a IA na contratação de funcionários.

Um sistema de vídeo de IA analisado pela Reuters pede que os candidatos se apresentem, durante os quais identifica e conta expressões faciais, incluindo 'medo' e 'alegria', e analisa as escolhas de palavras. Em seguida, ele faz perguntas difíceis: "Você está em uma viagem de negócios com seu chefe e o vê usando o cartão da empresa (crédito) para comprar um presente para si mesmo. O que você diria?"

A contratação por meio de IA também usa a gamificação para avaliar a personalidade e a adaptabilidade de um candidato, submetendo-o a uma sequência de testes.

"Por meio da gamificação, os empregadores podem verificar 37 habilidades diferentes de um candidato e quão bem a pessoa se encaixa em uma posição", disse Chris Jung, gerente-geral da empresa de software Midas IT em Pangyo, um centro de tecnologia apelidado de Vale do Silício da Coreia do Sul.

A preparação para esses testes não envolve necessariamente memorizar respostas. "Alguns jogos nem sequer têm uma 'resposta certa', pois visam identificar a atitude de solução de problemas do candidato", disse Jung.

Kim Seok-wu, de 22 anos, formado em uma universidade de prestígio, recentemente falhou em uma entrevista conduzida por inteligência artificial para um cargo de gerência em uma varejista, e decidiu continuar na faculdade em vez de tentar encontrar um emprego.

"Acho que vou me sentir sem esperança se todas as empresas usarem IA para contratar", disse Kim. "A entrevista com a IA é muito nova, portanto, os candidatos não sabem para o que se preparar e quaisquer preparações parecem sem sentido, pois a IA lerá nossos rostos se inventarmos algo."

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