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Startups brasileiras fazem demissões por conta do coronavírus

Declínio de atividades como viagens de avião e academias leva Gympass e MaxMilhas a fazer cortes em seus times; prevendo crise, banco digital C6 Bank demite 60 pessoas

6 abr 2020
15h02
atualizado às 18h04
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A pandemia do novo coronavírus está provocando uma onda de demissões em startups brasileiras. Empresas que tiveram suas atividades drasticamente reduzidas anunciaram cortes durante o último final de semana, com redução de equipe que chega a quase metade do número de funcionários antes da crise.

É o que aconteceu, por exemplo, com a startup mineira MaxMilhas, que intermedia a compra e venda de pontos e milhas em programas de fidelidade de empresas aéreas. Com o setor de aviação drasticamente afetado pelo coronavírus, com empresas anunciando redução de atividades de até 90%, a startup também passou a enfrentar problemas. A empresa, que tinha cerca de 400 funcionários antes da crise, teve de cortar cerca de 42% de sua equipe, em torno de 167 desligamentos, confirmou a empresa.

Em texto publicado no LinkedIn, o presidente executivo da startup, Max Oliveira, falou que a decisão de demitir provocou "o dia mais difícil de sua vida". Fundada em 2012, a empresa é um caso raro no ecossistema de startups no País, tendo crescido sem levantar capital com investidores externos - prática conhecida no setor como bootstraping. "Isso só foi possível porque construímos um time excepcional. Por isso, o momento é doloroso para quem sai, para quem fica e para mim." Na carta, Max também se prontificou a divulgar a lista dos funcionários em busca de recolocação.

Outra startup que anunciou demissões foi o unicórnio Gympass, que conecta funcionários de empresas a uma rede de academias, por meio de um serviço de benefícios corporativos. Avaliada em mais de US$ 1 bilhão desde o ano passado, a empresa foi afetada pelo fechamento das academias em meio à quarentena, o que também levou a uma onda de cancelamentos de seus usuários. Em comunicado, a empresa não divulgou o número de demissões, mas disse que "precisou de mudanças para cortar custos". Em dezembro, a empresa tinha 1,1 mil funcionários.

Quem também fez cortes foi o banco digital C6 Bank, que desligou cerca de 60 pessoas em meio a seu time de 1 mil funcionários. Segundo comunicado da empresa, foram feitos "ajustes em áreas por conta da parada na economia", em áreas como marketing e comercial. Em nota, a empresa disse, porém, que também segue contratando para divisões de tecnologia e operações - nesta segunda-feira, teve a chegada de 11 novos funcionários.

Já a mineira RockContent, que tem produtos de conteúdo e marketing digital, disse ter sido afetada pela redução de negócios de pequenas empresas, um de seus principais setores. Em comunicado publicado no site oficial da empresa, o presidente executivo Diego Gomes afirmou que a empresa cortou 20% de seu quadro de colaboradores, além de ter fechado escritórios baseados em prédios do WeWork em São Paulo, Cidade do México, Boston e Berlim. Segundo ele, a área de pequenas empresas era responsável por 20% do faturamento da startup, mas uma das que mais empregava funcionários. No texto, Gomes também anunciou uma campanha para ajudar os demitidos a serem contratados por outras empresas, bem como afirmou que os desligados terão cobertura de plano de saúde pelos próximos seis meses.

Na visão de Gustavo Gierun, cofundador da empresa de inovação Distrito, as empresas terão que se acostumar com uma nova realidade. "É uma crise que ainda não é possível identificar profundidade ou extensão. Gestores tem que ser conservadores", diz ele. "É uma perspectiva fora do que a gente esperava, até porque 2020 estava sendo um ano desenhado para ter um recorde forte em quase todos os segmentos de startups."

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Estadão
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