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Quinto Andar demite cerca de 8% do time por conta do coronavírus

Startup de aluguel de residências foi afetada pela queda no movimento econômico e teve cortes em todas as áreas; mais cortes aconteceram em outras startups nas últimas semanas

17 abr 2020
13h41
atualizado às 14h05
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A onda de demissões em startups brasileiras por conta da pandemia do coronavírus ganhou mais um capítulo. Na manhã desta sexta-feira, 17, a startup de aluguel de residências QuintoAndar demitiu cerca de 8% de seu quadro de funcionários - antes da crise, a empresa tinha cerca de 1,1 mil pessoas. Ao Estado, o unicórnio (apelido dado a companhias avaliadas em pelo menos US$ 1 bi) confirmou que as demissões atingiram todas as áreas, além de afirmar que houve remanejamento de pessoal para evitar mais cortes.

"O QuintoAndar decidiu adaptar sua operação ao novo contexto de mercado, que resultou na redução nos volumes projetados de demanda por aluguel e venda de imóveis residenciais. O ajuste reforça a capacidade da empresa de cumprir seus compromissos atuais e futuros, dos quais dependem milhares de clientes e centenas de colaboradores", afirmou um porta-voz da startup, em nota enviada à reportagem. Na nota, a empresa afirma ainda que o pacote de benefícios para quem foi desligado inclui plano de saúde para o funcionário e seus dependentes, bem como auxílio creche por quatro meses, um programa de apoio psicológico por seis meses e suporte para recolocação.

Nos últimos anos, um dos motivos que fez a startup ganhar espaço no mercado foi a garantia de pagamento aos proprietários, mesmo que o inquilino atrasasse o aluguel. Agora, com a queda das atividades econômicas em diversos setores, é bastante possível de que a inadimplência aumente.

Fundada em 2012 por Gabriel Braga e André Penha, a startup se tornou um unicórnio em meados de 2019, ao receber uma rodada de aportes liderada pelo grupo japonês SoftBank. No ano passado, a startup saltou de 350 para 1,1 mil funcionários. Em janeiro de 2020, a empresa revelou ao Estado que estava assinando 5 mil contratos de aluguel por mês e contabilizava R$ 28,9 bilhões em imóveis administrados por meio de sua plataforma.

Quem também teve de fazer demissões recentemente por conta do coronavírus foi a fintech brasileira Xerpa. Focada na área de recursos humanos, com funcionalidades que permitem a funcionários de empresas pedirem adiantamento de salário mediante o pagamento de taxas, a startup teve de fazer cortes por conta do coronavírus. Em texto publicado na rede social LinkedIn, o presidente executivo da Xerpa, Nicholas Reise, afirmou que 10 pessoas tiveram de ser demitidas para "ajustar o nosso perfil em função das mudanças drásticas de mercado causadas pelo COVID-19".

Nas últimas semanas, várias empresas anunciaram demissões por conta do coronavírus. Entre elas, estão os bancos digitais Neon e C6 Bank, o unicórnio Gympass, a plataforma de gestão financeira Omiexperience e as startups mineiras MaxMilhas e RockContent. Já a americana Eventbrite, de eventos, fechou suas portas no Brasil.

Correções de rota

Também presente no mercado imobiliário, a startup de compra, reforma e revenda de imóveis Loft realizou demissões nas últimas semanas. A empresa afirma, no entanto, que os cortes se devem à sobreposição de pessoas pela fusão com a startup de reformas Decorati, comprada no ano passado.

Segundo a companhia de Mate Pencz e Florian Hagenbuch, 47 pessoas foram demitidas nessa operação, realizada na última semana de março. Em comunicado ao Estado, o unicórnio diz que segue contratando em diversas áreas, com 127 novos funcionários entre a segunda quinzena de março e a primeira quinzena de abril. Com as integrações, feitas remotamente para respeitar o período de distanciamento social, a empresa afirma ter agora mais de 500 funcionários.

Já a startup joseense Quero Educação, uma das principais edtechs do País, também realizou cortes nas últimas semanas. Procurada pelo Estado, a empresa afirma que as demissões estavam dentro do planejado e são reflexo pelo encerramento do semestre fiscal da empresa, finalizado em março. "Passamos pelo movimento natural de priorizar áreas que são nossas apostas para 2020. Seguimos com um time de 630 pessoas, todas em home office", declarou a Quero, por meio de nota. A companhia, que recentemente estendeu seu serviço de vestibular e admissão digital para as instituições de ensino superior parceiras em meio à crise do coronavírus, diz que os cortes não tem quaisquer relação com a doença.

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