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Descomplica e Quero Educação investem para deixar educação mais digital

Conhecida por reforço para Enem, carioca aportou R$ 55 mi para lançar faculdade; já a Quero ajuda parceiros com vestibulares e matrículas online

1 abr 2020
05h11
atualizado às 13h41
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Em tempos de coronavírus, muito tem se falado sobre o potencial do ensino a distância (EAD) - afinal, ele possibilita que o aprendizado continue quando o aluno não pode sair de casa. Por outro lado, um debate muito presente nessa área diz respeito sobre a eficácia desse tipo de atividade, que, frequentemente, não passa da transmissão de aulas filmadas, pela internet, sem nenhuma adaptação para o ambiente digital. Uma das principais startups de educação do País (ou "edtech", no jargão do setor), conhecida por atividades de reforço para Enem e vestibulares, a Descomplica está tentando mudar essa situação no mundo dos cursos de graduação.

Fundada em 2012 pelo professor de Física Marco Fisbhen, a startup tem 5 milhões de usuários - muitos deles pagam R$ 20 por mês para ter acesso aos conteúdos de preparação para os exames de ingresso numa faculdade. Agora, a empresa está investindo R$ 55 milhões para lançar a Faculdade Descomplica, nova divisão da empresa que vai oferecer quatro cursos neste segundo semestre: Administração, Ciências Contábeis, Recursos Humanos e Pedagogia.

Já aprovados pelo Ministério da Educação (MEC), os cursos serão quase 100% online - a exceção fica por conta de algumas avaliações, que terão de ser presenciais por exigência do MEC. Já as aulas não terão a duração de uma ou duas horas, mas serão divididas em pequenos vídeos para chamar a atenção do aluno.

"Os cursos de EAD hoje tem aulas de uma hora e meia, duas horas, que distraem o estudante. Nossas aulas serão de cinco minutos, com conteúdo. As disciplinas serão todas divididas em microaprendizados", explica Daniel Pedrino, diretor da Faculdade Descomplica. Ao fim de um grupo de cinco vídeos, o aluno faz uma pequena avaliação para recapitular o que aprendeu e pode também participar de um fórum com os colegas. "Com vídeos mais curtos, dá para o aluno assistir pelo celular e não ficar desconfortável."

Certificados

Para ajudar na inserção dos alunos no mercado de trabalho, os cursos também ganharam uma nova organização interna. "Em vez de organizarmos os cursos por semestre, estamos dividindo por temas. No curso de Recursos Humanos, por exemplo, haverá uma vertical de recrutamento e seleção, outra de teoria organizacional", explica Pedrino. A ideia é que o aluno se especialize em um assunto por vez. "Quando se sabe o que está aprendendo dentro de um tema, há mais vontade de aprender." Além disso, a cada tema aprendido, o aluno recebe um certificado intermediário, que pode apresentar a um possível empregador mostrando que ele já domina o assunto.

Com mensalidades que vão de R$ 199 a R$ 219 e duração de dois a quatro anos, os cursos começarão em agosto. Os alunos que forem aprovados agora, porém, poderão começar a assistir às aulas já neste mês de abril. "No momento em que estamos vivendo, com o coronavírus, a educação online já não é mais o futuro, é o presente", diz Fisbhen, presidente executivo da Descomplica. Por uma exigência regulatória, os cursos terão apenas 300 vagas cada, mas a meta da startup é expandir isso nas próximas temporadas.

A oferta de cursos também será maior no futuro - a empresa projeta cerca de 20 graduações a mais em 2021, incluindo áreas como Engenharia. "Para os cursos que precisarem de aulas em laboratório, vamos criar uma plataforma que o aluno poderá mandar os comandos da sua casa e ver um robô fazendo as atividades fisicamente, na nossa sede", prevê Pedrino. Para dar conta dessa estrutura, a empresa pretende fazer um bom número de contratações, saltando de uma equipe de 120 pessoas na Faculdade Descomplicada para cerca de 300 - entre as vagas, haverá espaço para desenvolvedores, roteiristas, professores e produtores de vídeo. Já a Descomplica, ao todo, tem 320 funcionários hoje.

Para Arthur Garutti, executivo da área de startups da empresa de inovação Ace, a Faculdade Descomplica chega em boa hora. "Existe um grupo ávido por esse tipo de produto", diz. Já Amure Pinho, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o grande trunfo da empresa é ter conhecimento de tecnologia, mas também profissionais que vieram das salas de aula. "O Descomplica vai conseguir usar muito forte dados, inteligência artificial e outras tecnologias para apoiar o aprendizado. É um diferencial", afirma. Na visão dele, a diferença de preço entre o valor do reforço para vestibulares e da faculdade não é um problema. "O aluno vê as duas coisas de forma diferente."

Vestibular digital

Quem também está de olho em como ajudar alunos em meio ao coronavírus é a Quero Educação, de São José dos Campos. Dona de um sistema que ajuda estudantes a conseguirem descontos em uma rede de 1,3 mil faculdades parceiras em todo o País, a empresa lançou uma espécie de "seguro-desemprego" para quem não conseguir pagar o boleto da faculdade por não ter renda durante a crise da covid-19.

A empresa também estendeu às faculdades parceiras dois programas que antes estavam disponíveis apenas para os alunos que usavam seus serviços: vestibulares e matrículas totalmente digitais. "Sabemos que as instituições terão problemas e é bom ajudá-las", afirma André Narciso, presidente executivo da Quero Educação.

Outra ferramenta que a empresa lançou mão é a utilização de seu canal de atendimento aos alunos para orientá-los sobre atividades acadêmicas - divulgando se há interrupção de aulas ou substituição por atividades online, por exemplo. "Criamos até um sistema para que os atendentes possam trabalhar de casa, falando com os alunos sem se deslocar até a empresa", diz Narciso, que tem liderado a expansão da startup - nos últimos anos, a Quero saltou de 350 para cerca de 550 pessoas.

Para Garutti, da Ace, o impacto da Quero Educação irá além da época da pandemia. "Ela vai conseguir surfar nas plataformas físicas e vai ajudar empresas tradicionais a migrarem para o mundo digital, além de gerar indicações para as parcerias", afirma. "É uma grande oportunidade."

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Estadão
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