Tarifaço dos Estados Unidos vai golpear indústrias de SP e SC
Estudo da Apex Brasil revela que mais da metade das exportações sobretaxadas em 25% pelo governo americano tem origem em solo paulista e catarinense
São Paulo e Santa Catarina são os estados mais afetados pelo tarifaço dos EUA. A nova rodada de protecionismo norte-americano promete redesenhar as margens de lucro do comércio exterior brasileiro. Os prejuízos serão fortemente concentrados nestes dois estados brasileiros.
Um levantamento técnico divulgado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) aponta que São Paulo e Santa Catarina vão liderar as perdas decorrentes das novas barreiras comerciais. Juntas, as duas unidades federativas respondem por metade das mercadorias nacionais afetadas pela medida restritiva.
Com o tarifaço, a pesada sobretaxa de 25% começará a vigorar em 22 de julho. Diante desse cenário de tensão diplomática, as projeções numéricas da agência calculam que um total de 2.375 produtos manufaturados e insumos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano vão sofrer o impacto direto de tarifas de 25% e 12,5%. Em valores absolutos de comércio, a barreira alfandegária ameaça um montante financeiro de US$ 7,2 bilhões, o que representa quase um quinto (19,2%) de todo o valor exportado pelo Brasil rumo à potência norte-americana no ano passado.
De acordo com o presidente da Apex Brasil, Laudemir Müller:
"Se a gente pegar só São Paulo e Santa Catarina, dá 52% do total de impacto desse tarifaço."
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Tarifaço e os mecanismos da Seção 301
A decisão sobre o tarifaço partiu diretamente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder acatou as recomendações protecionistas formuladas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O governo norte-americano amparou juridicamente a aplicação das taxas no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio deles. Essa ferramenta confere poder para a Casa Branca investigar e impor retaliações unilaterais severas contra nações estrangeiras cujas práticas comerciais locais sejam classificadas por Washington como injustas ou desleais.
As autoridades aduaneiras estabeleceram uma breve janela de tolerância logística para mitigar prejuízos de cargas em trânsito internacional. Os lotes de mercadorias que já estiverem embarcados em navios ou aviões antes do prazo do dia 22 de julho poderão ser isentos do pagamento da nova taxa alfandegária. Para usufruir do benefício regulatório, as cargas precisam ingressar fisicamente em território norte-americano até, no máximo, o dia 29 de julho.
Investigação sobre o trabalho forçado eleva incertezas
A aplicação da alíquota paralela de 12,5% sobre determinados setores industriais do Brasil ainda segue sob avaliação técnica de comitês norte-americanos. Esse monitoramento específico ocorre devido a uma investigação em andamento conduzida pelos órgãos de Washington referente a alegações de trabalho forçado nas cadeias produtivas globais.
Líderes dos setores do agronegócio e da indústria nacional buscam formas de articulação jurídica. O objetivo é tentar reverter ou suavizar os impactos do revés econômico nas próximas semanas. Já o mercado portuário acelera os embarques para fugir do prazo limite.
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