Sentir mais frio ou calor que os outros é psicológico? Veja o que explica a ciência
Descubra como os hormônios, o metabolismo e a sua mente definem o clima perfeito para você
Muitas pessoas acreditam que a preferência por dias ensolarados ou por temperaturas mais baixas é apenas uma escolha pessoal baseada em gostos casuais. No entanto, a ciência demonstra que existe uma base biológica e psicológica muito profunda por trás dessa decisão do nosso corpo. O clima ao nosso redor é capaz de influenciar diretamente o nosso humor, a produção de hormônios essenciais, o funcionamento do metabolismo e até mesmo o agravamento de certas condições de saúde.
Segundo o psicólogo Yuri Busin, pós-graduado pela PUC-RS e doutor em neurociência do comportamento, em entrevista ao canal de saúde VivaBem, cada corpo e mente reagem de forma única às variações de temperatura e luminosidade. O especialista ressalta que o ambiente externo dita o ritmo do nosso bem-estar interno de maneira muito clara.
Como a luz do sol e o clima afetam as suas emoções diariamente
"A luz solar estimula a serotonina e outros neurotransmissores ligados ao bem-estar. Quando o sol falta, o corpo e a mente sentem", explica. Pessoas mais sensíveis a dias frios ou escuros tendem a ter maiores oscilações emocionais, com sensação de tristeza, solidão ou ansiedade. Por outro lado, quem prefere o frio pode estar reagindo aos efeitos do calor excessivo. "O calor intenso afeta o sono e, por consequência, o humor. Ambientes mais frescos favorecem o descanso, embora nem todos tenham acesso a essas condições", diz Busin ao canal de saúde VivaBem.
Além disso, as memórias afetivas entram em jogo nessa equação complexa. Há quem associe o frio ao aconchego e à produtividade, e quem veja o calor como sinônimo de lazer e convivência social. "Essas lembranças influenciam, mas não definem sozinhas como reagimos emocionalmente às mudanças climáticas", afirma o especialista.
O papel crucial dos hormônios e da tireoide na percepção térmica
Os hormônios são peças-chave na forma como o corpo reage ao clima, pois eles transformam as variações externas em respostas internas, regulando a temperatura, a energia e a disposição. De acordo com a endocrinologista Mariana Lopes, do Hospital da Bahia, em Salvador, os hormônios influenciam diretamente como cada pessoa sente frio ou calor, e essa percepção varia conforme o metabolismo e outros fatores biológicos.
Mariana destaca ao canal de saúde VivaBem o papel da tireoide: "Ela produz os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que controlam o metabolismo. Quando está funcionando lentamente, como no hipotireoidismo, o corpo produz menos calor; quando está acelerada (hipertireoidismo), gera mais energia e sensação de calor".
Os hormônios sexuais também interferem bastante nessa dinâmica. "O estrogênio favorece a perda de calor, enquanto a progesterona eleva levemente a temperatura corporal. Já a testosterona, mais abundante nos homens, aumenta o metabolismo e ajuda na tolerância ao frio", explica Mariana. Outras condições alteram essa regulação. Durante a gravidez, o aumento do fluxo sanguíneo e o metabolismo mais ativo fazem muitas mulheres sentirem calor. Já em casos de diabetes prolongado, danos nos nervos que controlam as glândulas sudoríparas podem ser afetados, prejudicando a capacidade de suar e resfriar o corpo, acrescenta a endocrinologista.
A influência dos músculos e da gordura na adaptação ao clima
A forma como o organismo lida com o frio ou o calor também depende de fatores físicos, hábitos diários e da própria biologia individual. A quantidade de gordura e massa muscular, o nível de atividade física praticado e o ambiente em que a pessoa vive influenciam diretamente essa adaptação ao longo do tempo.
Segundo o médico do esporte Páblius Braga, do Hospital Nove de Julho, localizado em SP, quem está acostumado a climas quentes regula melhor o calor corporal, mas tende a sentir mais desconforto no frio, sobretudo durante a realização de treinos. A pele, repleta de receptores sensíveis à temperatura, reage com mais intensidade quando há grandes variações térmicas no ambiente.
A composição corporal também faz diferença marcante na tolerância térmica: "Mais massa muscular ajuda o corpo a se adaptar ao calor, enquanto uma camada maior de gordura oferece proteção contra o frio", explica Braga ao canal de saúde VivaBem. Além disso, a exposição gradual ao frio melhora a tolerância. Pessoas que vivem em regiões frias ou passam por períodos de aclimatação tendem a se sentir mais confortáveis e a manter o rendimento físico mesmo em baixas temperaturas.
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