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Segurança em procedimentos estéticos começa na decisão de realizar o tratamento

Dra. Adriana Gois Machado analisa o papel da avaliação clínica e do acompanhamento em intervenções que dispensam cirurgia.

13 out 2026 - 14h02
(atualizado às 16h02)
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Resumo
Com a alta dos procedimentos estéticos no Brasil e no mundo, especialistas e órgãos reguladores reforçam a importância da segurança do paciente. Segundo a médica Adriana Gois Machado, intervenções como preenchimentos e toxina botulínica exigem rigorosa avaliação clínica, alinhamento de expectativas e esclarecimento sobre riscos graves. A segurança depende de profissionais qualificados, consentimento consciente, acompanhamento pós-procedimento e respeito aos limites da anatomia individual.

O Brasil registrou cerca de 3,2 milhões de procedimentos estéticos realizados por cirurgiões plásticos em 2025, dos quais aproximadamente 2,3 milhões foram cirúrgicos, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). No mundo, o levantamento estimou 17,9 milhões de intervenções cirúrgicas e 17,3 milhões não cirúrgicas. São números de procedimentos, não de pacientes, já que uma pessoa pode realizar mais de um tratamento. 

Dra. Adriana Gois Machado, formada pela UFPE, passou concentrar sua atuação em estética médica.
Dra. Adriana Gois Machado, formada pela UFPE, passou concentrar sua atuação em estética médica.
Foto: Divulgação / Portal de Prefeitura

Entre as intervenções não cirúrgicas, a toxina botulínica somou 7,3 milhões de aplicações, enquanto os preenchimentos com ácido hialurônico chegaram a 4,7 milhões. Os volumes estimados entre cirurgiões plásticos ajudam a dimensionar a importância da avaliação clínica em tratamentos que, embora dispensem cirurgia, também envolvem riscos.

Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou um informe sobre complicações associadas ao uso indevido de preenchedores dérmicos e recomendou que sejam observadas as indicações aprovadas para cada produto. Médica formada pela Universidade Federal de Pernambuco, com residência em Cirurgia Geral e experiência em cuidados intensivos, a Dra. Adriana Gois Machado passou a concentrar sua atuação em estética médica. Sua trajetória reúne prática profissional e atividades educacionais no Brasil e no Canadá, com atenção à segurança do paciente e à tomada de decisão clínica.

"A consulta precisa esclarecer o que a pessoa deseja, quais condições de saúde apresenta e o que o procedimento pode oferecer. Há situações em que a decisão mais adequada é adiar, escolher outra abordagem ou não realizar a intervenção. Isso também faz parte do cuidado", afirma a médica. 

A avaliação inclui histórico de saúde, medicamentos, tratamentos anteriores e expectativas. A discussão dos resultados possíveis precisa contemplar limites e alternativas, permitindo que o paciente compreenda a proposta antes de decidir. No caso dos preenchedores, a agência reguladora americana FDA alerta que a aplicação acidental em um vaso sanguíneo pode provocar complicações graves, como necrose, alterações visuais e acidente vascular cerebral. A instituição recomenda profissionais habilitados, com conhecimento de anatomia e preparo para reconhecer e manejar complicações.

"O paciente deve entender os benefícios esperados e os riscos relevantes para aquele tratamento. Essa conversa precisa acontecer com tempo para perguntas, sem tratar o consentimento como uma assinatura obtida imediatamente antes da aplicação", diz Dra Adriana Machado.

A experiência anterior em cirurgia e cuidados intensivos integra sua perspectiva sobre avaliação e acompanhamento. Na estética, o planejamento deve considerar como será conduzida a recuperação e a quem o paciente poderá recorrer se apresentar uma alteração inesperada.

Orientações posteriores precisam esclarecer os cuidados necessários, a evolução esperada e as situações que exigem contato com o profissional. O registro do atendimento preserva informações sobre o produto utilizado e as intervenções realizadas.

"O atendimento continua depois do procedimento. O paciente precisa saber como entrar em contato, quais orientações seguir e quando uma manifestação deve ser avaliada. A equipe também precisa ter uma conduta definida para responder a essas situações", afirma a médica. 

Autora do livro Dermatologia Estética Avançada: Protocolos Clínicos, Formação Profissional e Conformidade Regulatória, Adriana também desenvolve atividades de educação e comunicação em saúde. Para ela, a informação oferecida ao público deve permitir escolhas compatíveis com as condições individuais.

"Uma indicação bem fundamentada considera a saúde, a anatomia e os objetivos daquela pessoa. O fato de uma técnica estar disponível ou ser muito divulgada não significa que ela seja a melhor escolha para todos", diz.

Portal de Prefeitura
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