Sauna seca é aliada da saúde e longevidade, diz estudo
Estudos apontam redução no risco de doenças cardiovasculares, proteção cognitiva e benefícios para o envelhecimento saudável graças a sauna seca
A sauna seca, tradicionalmente associada ao relaxamento e ao bem-estar, vem ganhando reconhecimento também no meio científico pelos seus potenciais benefícios à saúde. Pesquisas realizadas nas últimas décadas mostram que a exposição controlada ao calor pode provocar respostas fisiológicas semelhantes às observadas durante exercícios físicos de intensidade moderada, contribuindo para a saúde cardiovascular, cerebral, metabólica e imunológica.
Um dos trabalhos mais relevantes sobre o tema é o Kuopio Ischemic Heart Disease Risk Factor Study (KIHD), estudo prospectivo realizado na Finlândia que acompanhou milhares de pessoas ao longo de mais de duas décadas. Os pesquisadores identificaram uma relação direta entre a frequência de uso da sauna seca e a redução do risco de mortalidade cardiovascular e por todas as causas.
"O que mais chama a atenção nesses estudos é que estamos falando de benefícios observados em pesquisas populacionais de longo prazo, com acompanhamento de milhares de indivíduos. Isso traz uma robustez muito importante para as conclusões", afirma o médico Dr. Joaquim Menezes, especialista em longevidade e emagrecimento definitivo e fundador da Clínica O3 e do Instituto Evollution.
Segundo a revisão científica, durante uma sessão de sauna seca ocorre um aumento significativo do fluxo sanguíneo e da frequência cardíaca, que pode atingir níveis comparáveis aos observados durante uma caminhada acelerada ou atividade física moderada. Ao mesmo tempo, há redução temporária da pressão arterial e melhora da função vascular.
Os resultados observados no estudo finlandês indicam que pessoas que utilizam sauna seca de quatro a sete vezes por semana apresentam redução de aproximadamente 50% no risco de mortalidade cardiovascular quando comparadas àquelas que fazem apenas uma sessão semanal.
Além dos benefícios para o coração, as evidências apontam efeitos positivos sobre a saúde cerebral. Os pesquisadores observaram que o uso frequente da sauna está associado a menor incidência de doenças neurodegenerativas, incluindo demência e Alzheimer. Entre os mecanismos envolvidos estão o aumento do fluxo sanguíneo cerebral e a maior liberação do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), proteína relacionada à formação de novas conexões neurais e à preservação da função cognitiva.
"Hoje sabemos que o cérebro também responde de forma muito positiva aos estímulos térmicos. A sauna parece favorecer mecanismos ligados à neuroplasticidade e à proteção neuronal, fatores fundamentais para um envelhecimento saudável", explica Dr. Joaquim.
Outro aspecto destacado pela literatura científica é o fenômeno conhecido como hormese. Nesse processo, o organismo é submetido a um estresse controlado e responde fortalecendo seus sistemas de proteção celular. Na sauna, essa resposta ocorre principalmente por meio da ativação das chamadas proteínas de choque térmico (Heat Shock Proteins), responsáveis por reparar proteínas danificadas, reduzir o estresse oxidativo e ajudar na manutenção da integridade celular.
A revisão também aponta benefícios para o sistema imunológico com aumento temporário de leucócitos, linfócitos e outras células de defesa após as sessões, além de associações epidemiológicas entre o uso frequente da sauna e menor incidência de infecções respiratórias e pneumonia.
"O calor, quando utilizado de forma adequada, funciona como um estímulo biológico extremamente interessante. Ele ativa mecanismos naturais de adaptação e proteção que podem contribuir para a manutenção da saúde ao longo dos anos", comenta o médico.
De acordo com os pesquisadores, os protocolos associados aos maiores benefícios incluem temperaturas entre 79°C e 100°C, sessões de pelo menos 19 minutos e frequência de quatro a sete vezes por semana. A revisão ressalta ainda que a sauna seca apresenta as evidências mais consistentes quando comparada à sauna úmida, uma vez que a maior parte dos estudos sobre longevidade, saúde cardiovascular e prevenção de doenças neurodegenerativas foi realizada especificamente com a sauna finlandesa.
Apesar dos resultados promissores, especialistas reforçam que a sauna deve ser encarada como uma ferramenta complementar, e não substitui hábitos fundamentais para a saúde, como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, sono de qualidade e acompanhamento médico.
"Quando inserida dentro de uma estratégia ampla de promoção da saúde, a sauna seca pode ser uma excelente aliada para quem busca não apenas viver mais, mas viver melhor", conclui Dr. Joaquim.
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