Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Roubo de celular cresce na Zona Sul de SP e avança para a periferia; veja bairros mais afetados

Região registrou alta acentuada de assaltos em 2025, impulsionada pelo interesse de criminosos em iPhones enquanto índices caem no Centro expandido

27 abr 2026 - 14h03
Compartilhar
Exibir comentários

Uma nova configuração criminal transformou a geografia dos assaltos em São Paulo. O que antes era uma preocupação concentrada no Centro expandido, agora se deslocou para um perímetro específico na Zona Sul. Dados extraídos da ferramenta interativa Mapa do Crime indicam que um conjunto de três distritos tornou-se o novo epicentro das ocorrências. Somados, Capão Redondo, Jardim Herculano e Parque Santo Antônio registraram quase cinco mil casos em 2025, um salto de 14% em relação ao período anterior, na contramão da queda observada em outras regiões da metrópole.

Roubos de celular migram para a periferia de SP em 2025
Roubos de celular migram para a periferia de SP em 2025
Foto: PMERJ/Divulgação / Perfil Brasil

Nova geografia da insegurança

O avanço é notável tanto pela dispersão quanto pela intensidade nos bairros afetados. O Jardim Herculano destacou-se com uma subida expressiva de 37,1%, escalando rapidamente no ranking de criminalidade. Situação semelhante ocorre no Parque Santo Antônio, que consolidou a quarta posição entre as áreas com mais registros. O Capão Redondo, contudo, lidera a lista com mais de dois mil episódios. A Estrada do M'Boi Mirim, artéria vital que conecta diversos pontos da região e abriga equipamentos públicos importantes, tornou-se o símbolo dessa escalada, subindo sucessivamente no ranking das vias mais perigosas para os pedestres.

O mercado do crime por modelos

O principal motor desse crescimento é a busca específica por aparelhos da marca Apple. Enquanto a capital viu uma redução nos roubos de celulares em geral, a Zona Sul viveu uma verdadeira febre de subtrações de iPhones. Esse comportamento criminoso substituiu a demanda por outras marcas, como Samsung e Motorola, cujos registros de roubo tiveram quedas expressivas na região. A vitrine dessa mudança é o contraste com a Avenida Paulista, onde o reforço policial eficaz inverteu a lógica, reduzindo drasticamente os assaltos aos dispositivos da Apple.

O impacto dessa realidade é sentido intensamente por quem reside no local. O medo tornou-se parte da rotina, como relata uma auxiliar de limpeza de 44 anos, moradora do Parque Fernanda desde o nascimento. O primeiro assalto que sofri foi em 2017. De lá para cá, foi um atrás do outro. Sinto que estamos abandonados. Me dá medo sair de casa. Não temos segurança nenhuma, desabafa a moradora, que, para tentar mitigar os riscos e evitar prejuízos maiores, passou a utilizar um aparelho de valor reduzido ao circular pelas ruas.

Mudança nas práticas criminosas

Especialistas em segurança pública observam uma ruptura na conduta das organizações criminosas. Segundo Renato Sérgio de Lima, que preside o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em entrevista ao O Globo, existe uma transformação geracional. A velha guarda do PCC (Primeiro Comando da Capital) não permitia assaltos na periferia, existia um certo código de honra. E tem uma certa tolerância das lideranças mais jovens com o crime patrimonial, que é visto como um "corre" legítimo.

Essa lógica difere do modelo tradicional de roubos, integrando-se a uma cadeia complexa de receptação, fraudes bancárias e até envios para o exterior. Questionada sobre o tema, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que ajusta o policiamento conforme as necessidades locais e que foca em investigações mais amplas. O delegado Daniel Borgues, da 1ª Delegacia Seccional, destacou ao O Globo que a Polícia Civil atua no mapeamento de rotas e organizações criminosas para sufocar o escoamento ilegal dos aparelhos, enquanto a prefeitura investe em patrulhamento preventivo para conter a onda de assaltos.

Perfil Brasil
Compartilhar

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra