Retomada econômica: Produção industrial sobe e interrompe sequência de quedas
Dados do IBGE mostram recuperação do setor após férias coletivas, mas juros altos ainda freiam investimentos em 2026
A produção industrial brasileira começou 2026 com o pé direito. Em janeiro, o setor registrou uma alta de 1,8% em relação a dezembro de 2025. Este é o maior crescimento para o período desde junho de 2024. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo IBGE.
Com esse avanço, a indústria nacional recupera parte das perdas sofridas no fim do ano passado. Na comparação com janeiro de 2025, o crescimento foi de 0,2%. O resultado interrompe um ciclo de três meses consecutivos de queda na produção.
Produção industrial
Atualmente, o patamar de fabricação está 1,8% acima do período pré-pandemia. No entanto, o setor ainda opera longe do recorde histórico alcançado em maio de 2011. Segundo o IBGE, a alta de janeiro reflete a retomada das atividades após as férias coletivas de dezembro.
Apesar do otimismo, o cenário na produção industrial ainda exige cautela. O gerente da pesquisa, André Macedo, destaca que os juros altos continuam dificultando o crédito e os investimentos. O avanço atual ainda não compensa totalmente o saldo negativo acumulado até dezembro de 2025.
"Naquele mês, além do movimento de menor dinamismo que vinha caracterizando o setor industrial, observou-se também uma maior frequência de férias coletivas. Com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorre uma recuperação de parte dessa perda", explicou, em nota divulgada à imprensa pelo IBGE.
Como fatores que ainda travam a economia, Macedo cita a política monetária, de juros altos, que dificultam o acesso ao crédito para investimentos.
"O avanço de janeiro de 2026 é relevante, mas ainda não é suficiente para compensar integralmente a perda acumulada no final do ano passado, de setembro a dezembro, permanecendo um saldo negativo de 0,8%", conclui.
Produção industrial: cenários favoráveis
Por fim, as principais influências positivas foram dos setores de produtos químicos (6,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (6,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,0%). Além disso, na atividade de produtos químicos, os que mais impulsionam o resultado deste mês foram os adubos e fertilizantes, herbicidas e fungicidas.