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Rejeição de relatório na CPMI do INSS trava indiciamentos de políticos

A decisão da madrugada deste sábado (28) deixa a comissão sem um documento oficial e transfere a responsabilidade das investigações para órgãos superiores como o STF e a PGR

28 mar 2026 - 11h48
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encerrou seus trabalhos na madrugada deste sábado (28), de forma dramática e sem a aprovação do relatório final. Em uma votação apertada, o colegiado rejeitou o parecer apresentado pelo relator, o deputado Alfredo Gaspar, que sugeria o indiciamento de centenas de pessoas envolvidas em supostas irregularidades previdenciárias. O resultado de 19 votos contrários e apenas 12 favoráveis selou o destino da comissão, que chega ao seu prazo limite constitucional sem um documento formal aprovado pelos seus integrantes.

Alfredo Gaspar durante leitura de trecho do parecer, observado por Carlos Viana
Alfredo Gaspar durante leitura de trecho do parecer, observado por Carlos Viana
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado / Perfil Brasil

O ponto de maior tensão no relatório de Alfredo Gaspar era o pedido de indiciamento e até a sugestão de prisão preventiva para Fábio Luís Lula da Silva, empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a tese do relator, existiam "indícios concretos" de que o empresário, conhecido como Lulinha, poderia tentar fugir para escapar de eventuais punições judiciais. O parlamentar sustentava que o filho do presidente teria recebido repasses financeiros de Antonio Carlos Camilo Antunes, apelidado de Careca do INSS, que é apontado pela Polícia Federal como o mentor de um esquema de descontos indevidos em aposentadorias.

A sessão, que teve início na manhã de sexta-feira (27), estendeu-se por mais de quinze horas sob forte pressão política. Enquanto a oposição defendia o texto rigoroso de Alfredo Gaspar, parlamentares alinhados ao governo tentavam emplacar um relatório alternativo. Esse segundo documento focava em outros nomes, sugerindo o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, do senador Flávio Bolsonaro e de figuras do setor financeiro, como o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Entretanto, o presidente da comissão, senador Carlos Viana, encerrou os trabalhos logo após a rejeição do primeiro texto, sem colocar a proposta governista em votação.

Apesar da derrota política no colegiado, o senador Carlos Viana garantiu que o esforço da investigação não será totalmente perdido. Ele confirmou que enviará cópias integrais do relatório rejeitado para o Supremo Tribunal Federal (STF) e para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Em tom de despedida, o parlamentar lamentou a falta de consenso. "É uma pena que a gente não tenha completado o trabalho com o relatório completamente aprovado. Eu saio daqui de cabeça erguida de que fizemos o nosso trabalho, que lutamos e demos ao brasil respostas", declarou Carlos Viana após o encerramento da última reunião.

O impacto da rejeição atinge uma lista extensa de autoridades citadas no processo. Entre os nomes que constavam no pedido de indiciamento estavam ex-ministros como José Carlos Oliveira e Carlos Lupi, além de políticos experientes como José Sarney Filho e o senador Weverton Rocha. O relatório também mirava a cúpula administrativa do INSS e da Dataprev, mencionando nomes como Alessandro Antônio Stefanutto, Leonardo Rolim e Rodrigo Ortiz D'Avila Assumpção, acusando-os de omissão ou facilitação no esquema que prejudicou milhares de aposentados brasileiros.

Agora, o material acumulado em seis meses de quebras de sigilo e depoimentos segue para as autoridades de fiscalização. Como as CPIs não possuem poder de condenação direta, caberá ao Ministério Público decidir se apresentará denúncias criminais com base nas provas colhidas. O encerramento ocorre após o STF barrar a prorrogação dos prazos da comissão, forçando o desfecho apressado neste fim de semana. A sociedade aguarda para saber se os órgãos de controle darão continuidade aos apontamentos sobre a rede criminosa que operava dentro da previdência social.

Perfil Brasil
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