Redes sociais superam consultórios médicos na busca dos brasileiros por cuidados com a pele
Pesquisa Datafolha acende alerta ao mostrar que plataformas digitais e influenciadores são a principal fonte de informação de 19% da população
As doenças de pele afetam entre 4,7 e 4,9 bilhões de pessoas em todo o mundo e figuram entre as principais causas globais de incapacidade, segundo dados publicados pela revista científica The Lancet. O cenário reforça a relevância do Dia Mundial da Saúde da Pele (World Skin Health Day), campanha promovida pela Liga Internacional das Sociedades Dermatológicas (ILDS) e apoiada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e no Rio Grande do Sul, pela SBD-RS.
Além do impacto físico, as doenças dermatológicas afetam diretamente a qualidade de vida, a saúde mental, a produtividade e o bem-estar social dos pacientes. Apesar dessa dimensão, estima-se que menos da metade da população mundial acometida tenha acesso adequado ao atendimento dermatológico.
Segundo o documento, existem entre 2 mil e 3 mil doenças cutâneas distintas, incluindo enfermidades infecciosas, doenças inflamatórias crônicas, doenças tropicais negligenciadas e cânceres de pele.
"Os números demonstram que a saúde da pele precisa ser encarada como uma prioridade em saúde pública. Estamos falando de doenças que afetam bilhões de pessoas e que muitas vezes são negligenciadas. A pele é o maior órgão do corpo humano, sendo, muitas vezes, um importante sinalizador de doenças sistêmicas, infecções, processos inflamatórios e cânceres. Cuidar da saúde da pele é cuidar da saúde como um todo", afirma o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.
O alerta ganha ainda mais relevância após a aprovação, em 2025, de uma resolução histórica da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reconheceu as doenças de pele como uma prioridade global de saúde pública. Entre as recomendações estão a ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento, o fortalecimento da assistência especializada, a educação da população e o combate ao estigma associado às doenças dermatológicas.
Redes sociais disputam atenção dos pacientes
No Brasil, dados da pesquisa Datafolha revelam uma população cada vez mais interessada em cuidados com a pele, mas nem sempre acompanhada por orientação médica especializada. Segundo o levantamento, 54% dos brasileiros afirmam buscar informações sobre cuidados com a pele, produtos, procedimentos e profissionais. Entre aqueles que procuram esse tipo de conteúdo, as redes sociais aparecem como principal fonte de informação: 19% recorrem a plataformas digitais e criadores de conteúdo, enquanto 9% buscam orientações no youtube. Em contrapartida, apenas 14% afirmam procurar médicos presencialmente e 13% utilizam sites de busca e páginas médicas como fonte de consulta.
A pesquisa também identificou um dado preocupante: entre os brasileiros de 16 a 24 anos que apresentam acne, principal motivo de consulta dermatológica no país segundo o Inquérito Dermatológico da SBD, 70% ainda não procuraram um dermatologista.
"Observamos que muitos buscam informações nas redes sociais e experimentam produtos por influência digital, mas deixam de procurar avaliação especializada. A orientação médica continua sendo fundamental para garantir diagnósticos corretos, tratamentos eficazes e segurança para os pacientes", destaca Dr. Carlos Barcaui.
O estudo também mostra diferenças geracionais nos motivos que levam os brasileiros a cuidar da pele. Entre os mais jovens, a autoestima aparece como principal fator impulsionador. Já nas faixas etárias mais avançadas, a prevenção de doenças passa a ocupar posição de destaque.
*Com a informação SBD-RS/Assessoria
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