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Recusa dos planos de saúde em tratar autistas lidera processos na Justiça de SP

Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor aponta que o problema reside no modelo de negócio dos planos médicos, que foram projetados para oferecer tratamentos com o objetivo de "cura"

29 fev 2024 - 13h42
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Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pela PUC-SP revela que a recusa das operadoras de saúde em tratar pessoas com autismo é a principal causa de processos na Justiça de São Paulo relacionados à negativa de cobertura assistencial por parte dos planos médicos. A informação é do UOL.

Recusa dos planos de saúde em tratar autistas lidera número de processos na Justiça de SP
Recusa dos planos de saúde em tratar autistas lidera número de processos na Justiça de SP
Foto: Canva / Perfil Brasil

O estudo, que analisou ações no Tribunal de Justiça entre janeiro de 2019 e agosto de 2023, coletou 40.601 ações com negativa e analisou os 16.808 processos que informaram a condição médica que os planos teriam se recusado a tratar. Os Transtornos Globais de Desenvolvimento (TGD), que incluem o autismo, lideram o ranking com 3.017 ações, seguidos pelos transtornos por uso de drogas, com 1.116 ações.

A Organização Mundial da Saúde considera TGD como autismo, e em 2022 adotou o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA) para englobar esses diagnósticos. Estima-se que uma em cada 36 pessoas tenha autismo, de acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o que pode representar até 5,3 milhões de brasileiros.

No ano passado, as queixas contra operadoras que interromperam o tratamento de autistas aumentaram significativamente, com 450 denúncias levadas à Andréa Werner (PSB), presidente da Comissão de Defesa das Pessoas com Deficiência da Assembleia Legislativa de SP desde março de 2023.

Terapia para autistas aumenta despesas

O aumento na oferta de terapias para pessoas autistas gera um aumento nas despesas. Em 2022, a Agência Nacional de Saúde (ANS) publicou uma resolução que torna obrigatória a cobertura ilimitada de sessões de terapias para autistas, incluindo psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e fisioterapia.

No Brasil, há 236 mil crianças autistas com plano médico; cada uma delas poderia custar até R$ 6 mil por mês, movimentando cerca de R$ 1 bilhão mensalmente, de acordo com estimativas da Med Advance, uma clínica especializada em terapia ocupacional. Esse é um investimento considerável em um segmento que não apresentava uma demanda tão significativa até 2020, conforme observado por Janderson Silveira, CEO da empresa, ao UOL.

O Idec aponta que o problema reside no modelo de negócio dos planos de saúde, os quais foram projetados para oferecer tratamentos com o objetivo de "cura". No entanto, condições como o autismo requerem cuidados constantes ao longo da vida, não se encaixando nesse modelo. Segundo Marina Magalhães, pesquisadora do Idec e autora da pesquisa, esse é um impasse setorial (via UOL).

Por outro lado, a Federação Nacional de Saúde Suplementar contesta essa visão. "É preciso cautela na interpretação de que os planos de saúde apresentam alto índice de recusa a tratamentos para autistas. Entre 2019 e 2022, os planos garantiram mais de 31 milhões de atendimentos de fonoaudiologia (crescimento de 26% em 2022, em relação ao ano anterior); 103 milhões de consultas de psicologia (aumento de 25%); e outras 12 milhões de sessões de terapia ocupacional (42% a mais)", afirma em nota.

* Matéria publicada com supervisão de Ricardo Parra.

Perfil Brasil
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