Quer anunciar na Netflix? Propaganda em meio a séries e filmes vai custar até R$ 20 milhões no País
Serviço de streaming anunciou novo tipo de assinatura com veiculação de publicidade; marcas, porém, consideraram os preços iniciais salgados
Bem antes de anunciar seu novo pacote de assinatura, a Netflix iniciou as conversas com as maiores agências de publicidade do País e "passou o chapéu" recolhendo anunciantes. Depois de lançar o plano popular com anúncios por R$ 18,90, a gigante do streaming terá planos de veiculação de publicidade de até R$ 20 milhões no Brasil, conforme apurou o Estadão.
As negociações de anúncios da Netflix ficaram a cargo da Xandr, a empresa subsidiária da Microsoft para publicidade e analise de dados. Como estratégia, a companhia buscou dialogar inicialmente com as agências de publicidade, e não diretamente com os anunciantes.
As marcas tiveram até 30 de setembro para informar seu interesse em participar do modelo de anúncio. Mesmo com o teto de investimentos em R$ 20 milhões, as empresas não terão um valor mínimo a ser aportado. No entanto, o streaming determinou que contratos fossem fechados para um prazo de 11 meses, com início já no próximo dia 3 novembro, quando o serviço será lançado no País.
Como funcionará o anúncio na tela?
Diferentemente de outros serviços de vídeo com publicidade por interrupção, como GloboPlay e YouTube, na Netflix os usuários que aderirem ao pacote com anúncios não poderão apertar o botão de "pular" o vídeo publicitário.
De acordo com o plano de mídia enviado pela Netflix às agências, ao qual o Estadão teve acesso, a veiculação de anúncios será dividida em dois espaços principais, no início e no meio da exibição dos filmes e séries, com uma frequência de marca limitada a uma vez por hora e três vezes por dia - garantindo, conforme o documento, uma repetição mínima da mensagem.
No caso de séries, tanto as originais Netflix quanto as produções licenciadas, os anúncios serão veiculados no início e meio do conteúdo, respectivamente, em vídeos de 15 ou 30 segundos. Para os filmes, a veiculação de publicidade estará limitada às produções originais da companhia, com anúncios que antecedem o início do conteúdo, também com 15 ou 30 segundos.
Na avaliação de Jaime Troiano, da Troiano Branding, apesar de trazer uma nova ferramenta de veiculação de anúncios no País, a Netflix escolheu um modelo antigo, que aposta na interrupção do conteúdo para o assinante. "Durante muito tempo tivemos esse movimento das agências e anunciantes. Depois eles perceberam que podiam ter um processo maior de integração da marca, com menos de interrupção", afirma.
Ainda segundo o especialista da Troiano Branding, os anunciantes vão preferir pagar o preço mais alto pelo espaço e testar o serviço do que correr o risco de ficar de fora e ver os concorrentes se beneficiando da ferramenta. "É uma aposta que as marcas terão que fazer", destaca.
'Clube da Netflix'
Para membros do meio publicitário ouvidos pela reportagem, a gigante do streaming trouxe os pacotes de publicidade com preço "salgado" que destoa do que se pratica no Brasil. Mesmo assim, os anunciantes pretendem experimentar a nova plataforma para avaliar a oportunidade de dialogar com o público do streaming - e entender se vale ou não pagar o preço. Em uma das principais agências do País, pelo menos 80% dos clientes decidiram comprar espaços na Netflix.
No Brasil, a Netflix comercializa seus anúncios em um CPM (custo por mil impressões) de cerca de R$ 150. Nos EUA, essa mesma exposição custa US$ 65, ou aproximadamente R$ 340.
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