Quem é Thiago Miranda, sócio do portal Léo Dias citado como elo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
Empresário teria organizado uma reunião entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro em 2024
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O empresário Thiago Miranda, conhecido por atuar nos bastidores da comunicação de celebridades e estratégias de gerenciamento de crise, é um elemento importante na investigação envolvendo o Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro e interlocutores da família Bolsonaro. Nesta terça-feira, 12, ele prestou depoimento à Polícia Federal, em Brasília, no âmbito das apurações sobre articulações financeiras e campanhas de influência relacionadas à liquidação do Banco Master.
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Miranda é sócio do Portal LeoDias e dono da agência de relações públicas Mithi, empresa que atua há mais de 15 anos nas áreas de posicionamento de imagem, assessoria de imprensa e gestão de crise. Nas redes sociais, ele costuma compartilhar viagens internacionais para destinos luxuosos como Canadá, Suíça, França, Emirados Árabes Unidos, Maldivas, Estados Unidos, Inglaterra e China.
Segundo documentos e mensagens obtidos pelo site The Intercept, Thiago Miranda aparece como um dos intermediários em negociações que envolveriam o financiamento do filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As conversas indicam que Vorcaro teria se comprometido a destinar 24 milhões de dólares para o projeto.
Em uma das mensagens reveladas, o senador Flávio Bolsonaro escreveu ao banqueiro: "Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!".
Os registros analisados apontam ainda que parte dos recursos teria sido transferida por meio da Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
As mensagens também colocam Thiago Miranda como peça-chave na aproximação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. De acordo com os diálogos, foi ele quem organizou um encontro entre os dois em Brasília, em dezembro de 2024. A reunião estava marcada para ocorrer na residência no banqueiro, no dia 11 de dezembro, às 17h30.
Conforme registros públicos, Flávio estava presente em uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Por volta das 17h30, ele recebe uma ligação e sai, retornando pouco depois de 30 minutos. É possível que ele tenha particado da reunião de forma remota.
Ataques ao Banco Central
Além da ligação política, Miranda admitiu à Polícia Federal ter atuado diretamente na estratégia de comunicação do Banco Master após a primeira prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero. Em depoimento, ele afirmou que prestou serviços de "gestão de crise" ao banqueiro e confirmou ter intermediado a contratação de influenciadores digitais para publicar conteúdos em defesa da instituição financeira.
Segundo trechos de documentos divulgados pela Folha de S.Paulo, influenciadores teriam recebido pagamentos milionários para fazer publicações contra o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Renato Gomes. Os valores citados chegam a R$ 3,5 milhões.
Miranda, no entanto, negou ter coordenado ataques a integrantes do Banco Central. Ele reconheceu apenas a elaboração de um plano de comunicação voltado à recuperação da imagem pública de Vorcaro e do Banco Master. Entre os materiais apresentados pela investigação está um plano de "marketing de guerrilha" elaborado pela agência Mithi.
Em nota, a defesa de Thiago Miranda afirmou que o empresário adotou "postura colaborativa, transparente e respeitosa, com o objetivo de contribuir para o integral esclarecimento dos fatos".
O advogado Rafael Martins também declarou que "é necessário distinguir, com responsabilidade, o exercício regular de atividade profissional lícita -- voltada à orientação comunicacional e à preservação reputacional de pessoas e organizações -- de qualquer interpretação que procure atribuir a essa atuação finalidade ilícita, ofensiva ou institucionalmente desleal".
Segundo a defesa, "em nenhum momento a atuação profissional de Thiago Miranda e sua agência teve por finalidade atacar instituições públicas, autoridades, agentes públicos ou órgãos de Estado".
*Com informações do Estadão


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