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Quais são as suspeitas da PF sobre o "Dark Horse"

10 set 2026 - 16h31
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Resumo
A Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up para apurar o desvio de emendas parlamentares na produção de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O deputado Mário Frias é apontado como figura central do esquema, suspeito de repassar cerca de R$ 2 milhões via ONGs ligadas à produtora do filme. Autorizada pelo ministro Flávio Dino, a ação cumpriu 49 mandados de busca contra 29 investigados, que tiveram bens bloqueados e foram proibidos de deixar o país. Os envolvidos negam irregularidades.

Cinebiografia de Jair Bolsonaro está no centro de operação que investiga uso de emendas parlamentares para financiamento de produção. Mário Frias, ex-secretário de Cultura e roteirista do filme, é o principal alvo.As suspeitas sobre o financiamento do filme Dark Horse atingiram um novo patamar nesta quinta-feira (10/09), com o início de uma operação que apura desvios de verbas públicas para entidades e pessoas ligadas à produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os alvos da Polícia Federal (PF) estão Mario Frias (PL), deputado federal e ex-secretário da Cultura sob Bolsonaro, produtor-executivo e roteirista do filme, e Karina Gomes, uma das produtoras de Dark Horse. Segundo a PF, Frias é suspeito de ser o "agente central" do esquema.

A cinebiografia teve como principal investidor o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, protagonista de um dos maiores escândalos financeiro da história do país, e atualmente em prisão preventiva. As relações do banqueiro com Flávio Bolsonaro (PL), filho de Jair e candidato à presidência, foram divulgadas em um inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), de relatoria do ministro André Mendonça - e independentemente da investigação de hoje da PF. Nesse inquérito no STF, mensagens mostram Flávio pedindo dinheiro para Vorcaro para finalizar o filme. A suspeita é que os valores repassados pelo banqueiro para a produção tenham ultrapassado, até agora, os R$ 60 milhões de reais.

A operação da PF, batizada de Make Up (maquiagem, em inglês), cumpriu 49 mandatos de busca e apreensão para investigar suspeitos de crimes licitatórios, peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

A ação desta quinta foi autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino e vem sendo feita em parceria com a Controladoria Geral da União (CGU). O ex-chefe de gabinete de Frias, Raphael Augusto Azevedo, André Velloso Belleza Cortes e Luiz Claudio Faria Velloso, ambos assessores de Mario Frias na Câmara dos Deputados, também estiveram entre os 29 alvos da PF.

Ela ocorre também em meio a uma das maiores crises da história do STF, com suspeitas de envolvimento do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro a partir da divulgação de mensagens entre os dois por André Mendonça, que afastou o atual diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, nessa quarta-feira - o que foi revertido no mesmo dia por Flávio Dino.

O que a PF investiga?

A PF afirmou, em nota, que as apurações levantaram indícios de "uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados". Segundo a instituição, houve "tentativas de dissimular os desvios" até julho de 2026.

Um dos principais pontos da investigação é o repasse, por meio de emendas parlamentares, de cerca de R$ 2 milhões de Frias à ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) controlada por Karina Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse. A suspeita é que os valores tenham sido desviados para a produção do filme.

Os recursos foram repassados em 2024 por meio de dois convênios de R$ 1 milhão cada, vinculados aos ministérios do Esporte e da Ciência e Tecnologia. Uma das verbas financiou o projeto "Lutando Pela Vida", em Pirassununga (SP), que previa atividades sociais e aulas de jiu-jitsu para crianças. O segundo repasse tinha como objetivo desenvolver ações de alfabetização digital e empreendedorismo voltadas a adolescentes e adultos.

Segundo uma reportagem da revista Piauí, foram detectados, pela CGU, pagamentos sem comprovante da prestação de serviços e entrega de bens no projeto em Pirassununga. Já o outro projeto contemplado pela emenda, segundo o órgão, não executou nenhuma capacitação, diz a revista.

O ICB também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A entidade tem um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito na periferia da cidade até junho de 2025. Até o momento, porém, apenas 3,2 mil foram instalados.

Karina Gama também é presidente da Academia Nacional de Cultura (ANC), um dos alvos da operação desta quinta. Essa instituição teria sido beneficiária de emendas de mais de R$ 1 milhão dos parlamentares do PL Marcos Pollon (MS) e Bia Kicis (DF), mas os valores não foram pagos, indicou o site G1.

A Polícia Federal também encontrou sete armas em um dos endereços ligados a Mario Frias e investiga se o ex-secretário de Bolsonaro cometeu o crime de posse ilegal de arma.

Qual a relação desses valores com Dark Horse

Segundo o G1, investigadores da PF acreditam que as verbas públicas podem ter sido utilizadas para custear gastos com a produção do filme, como hospedagem, refeições e pagamentos a outros envolvidos em Dark Horse.

O relatório divulgado pelo site de notícias afirma que a Go Up Entertainment movimentou R$ 19 milhões entre os dias 10 de novembro de 30 de dezembro de 2025. A cinebiografia de Bolsonaro foi filmada entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.

Entre os valores recebidos pela Go Up Entertainment, de Karina Gama, a Polícia Federal suspeita de um montante de R$ 645 mil depositado pelo próprio Mário Frias. A instituição aponta que o salário do deputado é de R$ 44 mil, o que coloca em questão "o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias", disse a PF, no trecho citado pelo G1.

O que acontece agora com os investigados

Após autorizar o cumprimento de busca e apreensão da operação da PF, o ministro Flávio Dino, do STF, aplicou medidas cautelares contra Mario Frias, Karina Gama e todos os outros investigados. Segundo a decisão, as 29 pessoas que foram alvo da ação estão proibidas de deixar o país e de manter contato de qualquer espécie com os outros investigados pela Polícia Federal no inquérito da operação Make Up.

Dino também determinou a suspensão das atividades econômicas do ICB e da ACN, entidades presididas por Gama. Os proprietários e gestores das empresas e entidades envolvidas foram proibidos também de celebrar qualquer tipo de contrato, convênio ou parceria com governos, sejam eles da esfera federal, estadual ou municipal.

O ministro do STF afirmou, na decisão, que há "reiteradas evidências de que [as ONGs] não atuam de acordo com suas finalidades, mas sim como instrumentos para operacionalização das atividades da organização criminosa".

O que dizem os envolvidos

Frias e Gama negam as acusações. O roteirista e produtor-executivo de Dark Horse afirmou, em manifestação ao Supremo, que os valores investigados foram utilizados para a produção do filme. Segundo Frias, as emendas tiveram como destino projetos de inclusão digital, empreendedorismo e esportes.

Ao jornal Folha de S.Paulo, Karina Gama, proprietária das ONGs investigadas e da produtora envolvida no filme, disse que nunca captou dinheiro ao filme. "Nunca lidei com financiadores. Não sei nada sobre isso. Prestei um serviço, de produzir o Dark Horse, e fui remunerada", afirmou à coluna Mônica Bergamo. "Eu recebi recursos do fundo para produzir o filme, mas nunca soube quem eram seus financiadores", acrescentou ela, indicando que os R$ 2 milhões enviados por emenda por Frias não foram utilizados pelo ICB.

Já Flávio Bolsonaro acusou o ministro Flávio Dino de "interferir politicamente" nas eleições por meio da operação da Polícia Federal. "Não tem absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem um centavo de dinheiro público, como já cansei de falar. Pode revirar do avesso de cima para baixo, trás para frente, um lado para o outro, de ponta cabeça, que não vai ter nada. O que tem claramente é uma tentativa de interferência política mais uma vez agora do ministro Flávio Dino sobre as eleições. A única realidade, qual o fundamento dessa operação? Político", disse ele, em evento de campanha.

"O Lula já abandonou a campanha política. Ele agora está contando com os seus amigos no Supremo para tentar levar no tapetão", complementou o candidato do PL.

fcl/md (ots)

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