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Putin nega boatos, mas russos temem mobilização para guerra

10 set 2026 - 13h11
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Resumo
Apesar de o presidente Vladimir Putin negar planos de mobilização para a guerra na Ucrânia, cresce o temor entre a população russa. Relatos de convocações em massa para atualização de dados militares, denúncias de homens levados à força ao front e o aumento expressivo de vagas de emprego voltadas à preparação de empresas para cenários de guerra indicam que a estrutura estatal está se organizando para um possível recrutamento amplo, contrariando o discurso de tranquilidade do Kremlin.

Apesar das negativas do Kremlin, se multiplicam relatos sobre intimações para registro militar e até sequestros para o front, fazendo crescer o temor de nova mobilização em massa para a Ucrânia.Duas vezes na primeira semana de setembro, o presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou publicamente os rumores de uma iminente campanha de mobilização no país. Em 1º de setembro, Putin classificou os rumores como "um completo absurdo" e os descreveu como um "ataque informacional" contra a Rússia.

A Rússia voltará a convocar mais jovens para lutar contra a Ucrânia? (foto de arquivo de junho de 2022)
A Rússia voltará a convocar mais jovens para lutar contra a Ucrânia? (foto de arquivo de junho de 2022)
Foto: DW / Deutsche Welle

Dois dias depois, em 3 de setembro, durante o Fórum Econômico de Vladivostok, Putin afirmou que "não existe hoje nenhum cenário que exija mobilização".

Convocações geram inquietação entre seguidores russos da DW

O serviço em russo da DW perguntou a seus leitores na Rússia, sob condição de anonimato, se eles percebem sinais de uma mobilização iminente. A resposta mais comum dos leitores dizia respeito ao recebimento de convocações de escritórios de alistamento militar.

"Meu sobrinho recebeu uma convocação para verificação de dados", escreveu um leitor da cidade industrial de Naberezhnye Chelny.

"Recebi uma convocação ordenando que eu compareça para verificação de dados. Sou trabalhador autônomo. O que devo fazer?", escreveu outro usuário chamado Maxim.

"Um dos meus amigos, professor de escola, recebeu uma convocação pelo portal de serviços governamentais [Gosuslugi] em 9 de julho para atualizar seus registros", disse outro leitor, Sergei.

As pessoas temem ser chamadas para o serviço militar ou perder a liberdade de deixar o país. Como resultado, alguns dos que receberam notificações de convocação estão tentando viajar para o exterior o mais rápido possível, enquanto as restrições de saída do país ainda não entraram em vigor.

"Um conhecido meu deixou a Rússia há dois meses depois de receber uma convocação para verificação de dados do escritório de alistamento militar", escreveu um leitor.

Relatos sobre homens levados à força

Nem todos, porém, veem a emigração como uma opção realista em caso de mobilização.

"Quanto a sair do país, isso é uma fantasia. Para onde você iria e, mais importante, com que dinheiro?", escreveu um leitor da DW.

Em junho, surgiram relatos da região russa de Penza de que homens estavam sendo levados à força para escritórios de alistamento militar e pressionados a assinar contratos com as Forças Armadas. Segundo relatos locais, a prática tornou-se tão disseminada que moradores organizaram protestos em apoio a parentes e vizinhos. Jornalistas que acompanham o tema afirmam que essas operações continuam ocorrendo.

"As pessoas estão sendo detidas, principalmente perto das entradas de seus prédios", disse Lena Lemyasova, jornalista do veículo Vazhnye Istorii (histórias importantes), à DW. "Frequentemente são homens alcoolizados. Pessoas desconhecidas se aproximam deles, ou veículos chegam, geralmente carros fornecidos pelas autoridades locais. Os homens simplesmente são levados, e suas famílias e vizinhos não recebem mais nenhuma notícia. Depois, às vezes surgem informações de que foram transportados para unidades militares. Muitas vezes eles permanecem lá antes de serem enviados para a linha de frente."

A publicação é especializada em jornalismo investigativo. Seu editor, Roman Anin, passou dez anos como editor de investigações do conhecido jornal independente Novaya Gazeta.

O que dizem advogados russos sobre as convocações?

Receber uma intimação militar significa que a pessoa será enviada para a guerra? Segundo o advogado Artem Klyga, uma convocação emitida "para verificação de dados" não significa, por si só, que alguém será recrutado, mobilizado ou enviado para combate. As notificações para verificação de dados são um dos vários motivos legalmente previstos para que alguém compareça a um escritório de alistamento militar.

"Essas convocações apenas mostram que os escritórios de alistamento militar melhoraram significativamente seus procedimentos de registro militar. Se uma mobilização começar, esses registros ajudarão as autoridades a convocar rapidamente as pessoas de que precisam", explicou Klyga à DW.

Os russos também têm relatado com cada vez mais frequência o recebimento antecipado de ordens de mobilização. Em tempos de paz, essas ordens não obrigam seus destinatários a tomar qualquer medida. No entanto, caso uma mobilização seja declarada, os destinatários são obrigados a se apresentar ao escritório de alistamento militar designado.

"Elas eram emitidas antes da guerra e também durante a guerra [contra a Ucrânia]. Mas o que mudou no primeiro semestre de 2026 é que, por todos os indícios, elas passaram a ser distribuídas na casa das centenas de milhares", disse o advogado russo Timofei Vaskin à DW. "Não sabemos os números exatos porque essa informação é sigilosa. Mas, a julgar pelos relatos nas redes sociais e pelo número de consultas recebidas por nós e por nossos colegas, o aumento foi dramático, na casa de dezenas de vezes."

Ao mesmo tempo, o decreto de mobilização parcial adotado pela Rússia em 2022 nunca foi formalmente revogado e continua tecnicamente em vigor.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, tem repetidamente classificado os relatos sobre uma nova onda de mobilização como "histórias falsas". No entanto, críticos observam que Peskov também negou relatos de uma possível mobilização em maio de 2022.

Apenas oito dias antes do anúncio da mobilização parcial, ele declarou: "Neste momento, isso não está sendo discutido."

Cresce a demanda por especialistas em mobilização

Em 8 de agosto, a DW encontrou várias vagas na plataforma russa de empregos HeadHunter para especialistas em "preparação para mobilização". Havia 40 vagas desse tipo em Moscou e região e 13 em São Petersburgo.

Por exemplo, algumas empresas procuram especialistas responsáveis por garantir que a organização tenha um plano de mobilização e saiba como funcionaria caso o Estado colocasse a economia em regime de guerra. As atribuições também incluem preparar a empresa para emergências e medidas de defesa civil, além de ajudar na transição para um regime operacional especial em caso de condições de guerra.

As vagas foram anunciadas tanto por empresas privadas quanto por instituições estatais.

Convocações, exercícios militares, a ampliação dos sistemas de registro militar e os esforços ativos de recrutamento ajudam a explicar por que as negativas oficiais não conseguiram dissipar os rumores.

Um preparo para qualquer cenário

"A forma de interpretar isso é que os burocratas receberam a tarefa de preparar o sistema para qualquer decisão que Putin possa tomar. E, se essa decisão for a mobilização, eles devem estar prontos", afirmou Artem Klyga.

No fim de julho, o veículo independente Agentstvo contabilizou 197 vagas em toda a Rússia contendo o termo "preparação para mobilização" e mais de 2,6 mil vagas relacionadas a "registro militar" na mesma plataforma de recrutamento.

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