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PSDB de São Paulo formaliza pedido de expulsão de Aécio

Admissibilidade do pedido será analisada em reunião da Executiva Nacional do Partido nesta quarta-feira, 21

20 ago 2019
12h02
atualizado às 12h10
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Depois do diretório municipal do PSDB, ontem foi a vez do diretório estadual tucano formalizar um pedido de expulsão do deputado Aécio Neves do partido. Os pedidos serão levados ao Conselho de Ética da sigla.

A decisão do diretório, que está na área de influência do governador João Doria, ocorreu às vésperas da reunião da executiva Nacional do PSDB, que ocorrerá nesta quarta-feira, 21, e que vai definir a admissibilidade dos pedidos de expulsão feitos pelos diretórios municipal e estadual de São Paulo.

O tucano Aécio Neves
O tucano Aécio Neves
Foto: ANDRÉ DUSEK / Estadão Conteúdo

O movimento para expulsar Aécio é parte do que Doria chamou de "faxina ética" no PSDB, que ano passado teve o pior desempenho eleitoral de sua história. Há o temor de que a permanência de Aécio no partido atrapalhe os planos eleitorais de Doria, para a Presidência em 2022, e de Bruno Covas, prefeito de São Paulo, que disputará a recondução ao cargo nas eleições do ano que vem.

O caso de Aécio é o mais emblemático, segundo tucanos, porque ele foi flagrado pedindo um empréstimo de R $ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS. Aécio é réu pelo episódio, desde abril de 2018, sob acusação de corrupção passiva e obstrução da Justiça. O tucano é alvo de ao menos mais oito inquéritos, abertos após delações da Odebrecht, da JBS e do ex-senador petista Delcídio do Amaral. Procurado pela reportagem, o deputado não quis se manifestar.

Se o pedido de expulsão for aceito, Aécio terá cerca de seis meses para se defender. O presidente da PSDB-SP, Marco Vinholi, defende que o rito seja encurtado.

O novo código de ética do PSDB, aprovado em maio, prevê que filiados que respondem a processos judiciais só serão punidos com expulsão após a condenação com trânsito em julgado por crime doloso contra a vida e a administração pública em geral ou por por prática de racismo, discriminação de gênero ou violência contra mulher, idosos, crianças e adolescentes.

Os ex-governadores Beto Richa (PR) e Eduardo Azeredo (MG) já foram condenados e presos. Richa, que já foi preso pela Polícia Federal duas vezes, ainda faz parte do quadro de filiados do partido e também sofre pressão por sua expulsão. Já Azeredo pediu desfiliação em maio deste ano. O ex-governador de Minas foi condenado a 20 anos e um mês de prisão por envolvimento no esquema conhecido como "mensalão mineiro". Ele cumpre pena desde maio de 2018.

Para aqueles que são réus, como Aécio e os ex-governador Marconi Perillo (GO), as sanções previstas no código são advertência verbal ou escrita e suspensão do exercício de cargo partidário por um ano.

Com seu grupo político hoje no comando da Executiva Nacional do partido, o governador João Doria também é réu. Ele foi condenado em agosto de 2018, pela juíza Carolina Martins Cardoso, da 11ª Vara da Fazenda Pública da Capital, por improbidade administrativa no âmbito de uma ação em que é acusado de suposta "promoção pessoal" com o uso do slogan "SP Cidade Linda", durante sua gestão na Prefeitura da capital paulista. A condenação também impõe ao tucano a suspensão de seus direitos políticos por quatro anos.

Por ter sido condenado apenas na primeira instância, cabe recurso e o governador só passaria a cumprir a pena após esgotados os recursos na segunda instância, caso a condenação seja mantida. À época da condenação, Doria afirmou que recorreria da decisão e que estava confiante que seria revertida./COLABOROU VINÍCIUS PASSARELLI

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Estadão
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