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Protesto contra G7 tem confronto com a polícia em Genebra

14 jun 2026 - 15h51
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Parte dos manifestantes incendiou Tesla e danificou banco e agência da ONU. Maiores economias do mundo se reunirão a partir de amanhã na vizinha França.Manifestantes entraram em confronto com a polícia, incendiaram um carro e quebraram as janelas de um banco neste domingo (14/06) em Genebra, na Suíça, em protesto contra o grupo das sete maiores economias do mundo, o G7. Os países se encontrarão a partir de amanhã para a sua cúpula anual na vizinha França.

Polícia lançou gás lacrimogêneo durante protesto em Genebra, que começou pacífico, mas depois teve violência
Polícia lançou gás lacrimogêneo durante protesto em Genebra, que começou pacífico, mas depois teve violência
Foto: DW / Deutsche Welle

Cerca de 20 mil pessoas participaram de uma marcha inicialmente pacífica. "Para mim, é uma reunião de ricos que mostra mais uma vez como os ricos podem ficar ainda mais ricos enquanto os pobres ficam para trás", disse a manifestante Pippa Saugy.

Já Mattia Piccard criticou a forte presença policial. "Isso é uma tentativa de intimidar manifestantes, assustar as pessoas e desestimular a participação nos protestos", afirmou.

Outra manifestante, Clélia Colin, disse que queria chamar atenção para a desigualdade de gênero. "Os valores representados pelo G7 são completamente misóginos e contribuem para a desigualdade", declarou.

Posteriormente, porém, manifestantes arremessaram objetos e pedras contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo.

Danos nas imediações

Bombeiros atenderam a um carro da Tesla, do trilionário Elon Musk, em chamas nas imediações do percurso do protesto, enquanto a tropa de choque isolava a área para o trabalho das equipes. Em outro ponto do trajeto, as barreiras de madeira de uma agência do Banque du Léman foram derrubadas e as vitrines, quebradas. Também uma agência das Nações Unidas sofreu danos.

No fim da tarde, o porta-voz da polícia de Genebra, Alexandre Brahier, afirmou que os participantes foram instruídos a se dispersar após vários incidentes. Segundo ele, havia cerca de 600 integrantes do chamado "black bloc" entre os manifestantes.

Jovens com moletons pretos e máscaras se posicionavam atrás de uma faixa contra Trump. Os organizadores distribuíram um manual para os participantes, com mapa do perímetro de segurança, orientações sobre como se preparar para a marcha e agir em caso de detenção pela polícia.

A cúpula do G7, que ocorre de 15 a 17 de junho em Evian-les-Bains, às margens do Lago Genebra, reunirá líderes de França, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, além da União Europeia (UE).

Segurança reforçada

Autoridades suíças e francesas mobilizaram milhares de policiais para garantir a segurança do encontro. Os líderes devem discutir temas como o Oriente Médio, a Ucrânia e desequilíbrios econômicos globais.

As autoridades bloquearam estradas, proibiram reuniões não autorizadas e prometeram apoio financeiro a empresas que possam ser afetadas pelos protestos. Vários estabelecimentos protegeram suas fachadas com painéis de madeira, temendo episódios de violência semelhantes aos registrados durante uma cúpula do G7 em Evian em 2003. Apenas sete dos 35 pontos de travessia de fronteira por estrada permanecerão abertos.

Manifestantes se reúnem há dias em Genebra, considerada o principal ponto de encontro para ativistas contrários ao G7. No sábado, uma flotilha com cerca de 20 embarcações foi vista no Lago Genebra, e cerca de 20 pessoas foram detidas na sexta-feira à noite, segundo a imprensa suíça.

A França mobilizará mais de 13 mil policiais e agentes da gendarmaria para garantir a segurança na região da cúpula. Mais de 800 agentes de controle de fronteira estarão em operação, ante cerca de 60 em situação normal.

No sábado, agentes da gendarmaria patrulhavam o lago em lanchas, e pelo menos um deles tinha um equipamento de interceptação de drones, como parte do aparato de segurança.

Trump é foco dos protestos

Os manifestantes expressaram insatisfação com a liderança de Trump em temas como tarifas comerciais, a guerra no Irã e a política climática, além de mencionarem suas ligações passadas com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.

"Estamos muito preocupados com a política de Trump e com a dos outros líderes do G7, porque eles promovem guerras em várias partes do mundo", afirmou Françoise Nyffeler, porta-voz da coalizão NoG7, organizadora do protesto. "O planeta está em perigo e estamos com muito medo. Queremos protestar e mostrar que os povos do mundo são contra essas políticas."

Os Estados Unidos e o Irã aparentam estar próximos de um acordo para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz. A guerra na Ucrânia, por outro lado, já ultrapassa a duração da Primeira Guerra Mundial, enquanto continuam o conflito em Gaza e outros ao redor do mundo.

Os gastos militares globais atingiram recorde de 2,887 trilhões de dólares (R$ 14,435 trilhões) no ano passado. Foram, em 2025, 65 conflitos envolvendo ao menos um Estado ao redor do mundo, o maior número já registrado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

ht (Reuters, AP)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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