Primeiro turno teve maior abstenção eleitoral em 28 anos
O primeiro turno registrou 21% de abstenção, o maior índice em quase 30 anos, somando 33,4 milhões de eleitores ausentes. A taxa foi mais acentuada entre analfabetos e idosos, além de motivada pela desconfiança institucional e fadiga política. Com 5,8 milhões de votos brancos e nulos, o TSE pretende agir para engajar o eleitorado, já que a redução das faltas pode ser decisiva na disputa presidencial acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, separados por dois pontos percentuais.
TSE quer aumentar participação no segundo turno. Maior engajamento poderia ter peso para escolha presidencial mais acirrada desde a redemocratização.O primeiro turno das eleições deste ano registrou abstenção de 21%. Foi o maior índice em quase 30 anos, desde 1998 (21,5%). Os eleitores faltosos no domingo (04/10) somaram 33,4 milhões ao redor do Brasil, contra outros 125 milhões que depositaram votos.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou que pretende trabalhar para diminuir a abstenção no segundo turno. "Não é o ideal uma abstenção de 20%," disse o magistrado.
O percentual de abstenções nas eleições gerais vem crescendo desde 2006, quando bateu os 16,8%, e se mantém próximo dos 20% desde 2014. Em 2022, o número de eleitores aptos a votar, porém ausentes, foi de 32,7 milhões no primeiro turno (20,9%). O índice praticamente não mudou para o segundo turno (20,5%).
Peso para escolha presidencial
O primeiro turno deste ano também registrou 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de nulos. Na eleição presidencial, um a cada quatro eleitores não compareceram ou não deram o voto a um dos candidatos.
Neste ano, um eventual aumento do comparecimento ou dos votos válidos no segundo turno poderia pesar para a escolha do próximo presidente.
Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentarão em três semanas, depois de terem protagonizado o primeiro turno mais acirrado desde a redemocratização, com diferença de apenas dois pontos percentuais entre eles.
Constelação de fatores
A abstenção tende a ser mais alta entre as faixas da população menos escolarizadas, analfabetos - em 2022, metade deles não compareceram às urnas - e idosos.
De acordo com Nunes Marques, entre os grupos para os quais o voto é facultativo, a abstenção deste ano chegou a cerca de 50% entre os maiores de 70 anos, em comparação a 20% entre os jovens de 16 e 17 anos.
Especialistas apontam, entretanto, diversos fatores que podem gerar mais faltas entre parte dos eleitores. Entre eles, incluem-se a baixa confiança nas instituições democráticas, reduzido interesse pelos processos eleitorais ou, no contexto atual, uma apontada fadiga com a repetição da disputa entre lulismo e bolsonarismo.
Tradicionalmente, é também significativamente mais alta a abstenção do eleitorado no exterior. Na Alemanha, por exemplo, compareceram 46,5% dos 41.552 eleitores aptos a votar no domingo.
ht/cn (Agência Brasil, Agência Senado, ots)
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