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El Niño pode provocar seca severa e calor extremo no Nordeste no 2º semestre de 2026

O retorno do El Niño em 2026 acende o alerta no Nordeste. Entenda como o aquecimento do Pacífico trava as chuvas no Sertão, eleva as temperaturas e os desafios para o agronegócio regional.

11 mai 2026 - 15h38
(atualizado às 16h03)
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O monitoramento climático global confirmou o que produtores rurais do Nordeste mais temiam: o fenômeno El Niño está de volta e com uma projeção de intensidade preocupante. De acordo com os dados mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a probabilidade de formação do fenômeno já supera os 60% entre maio e julho, escalando para impressionantes 90% na segunda metade de 2026.

Algumas das mais severas secas do Nordeste começaram com o fenômeno climático do El Niñoa no Nordeste
Algumas das mais severas secas do Nordeste começaram com o fenômeno climático do El Niñoa no Nordeste
Foto: Fábio Pozzebom/ Agência Brasil. / Portal de Prefeitura

Para o Nordeste brasileiro, essa mudança na "engrenagem" térmica do planeta não representa apenas uma variação estatística, mas uma ameaça direta ao regime de chuvas e à estabilidade térmica. O fenômeno deve se consolidar justamente quando a região entra em seu período de maior estiagem natural, agravando um quadro que, em março deste ano, já via o número de municípios em situação de seca severa saltar de 70 para 248.

A ciência do bloqueio: Por que o Pacífico "trava" as chuvas no Sertão?

Para compreender o impacto no Semiárido, é preciso olhar para as águas do Oceano Pacífico. Segundo análises técnicas e estudos do professor José de Araújo Costa (IFAL), o El Niño caracteriza-se pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Em anos normais, esses ventos empurram as águas quentes para o Oeste. Quando o El Niño ocorre, essa massa de água quente "represa" na costa da América do Sul, alterando a chamada Circulação de Walker.

Essa modificação cria um movimento de descida do ar (subsidência) especificamente sobre o Nordeste e a Amazônia. Este ar descendente funciona como um "tampão" atmosférico, impedindo que a umidade suba e forme nuvens de chuva. Simultaneamente, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal fonte de umidade para o norte da região, é deslocada de sua posição ideal, deixando o interior desassistido.

Efeitos negativos: Onde o risco é maior no Semiárido

  • Crise na Agricultura de Sequeiro: Culturas como milho e feijão, essenciais para a economia familiar, são as primeiras a sofrer. Sem a regularidade das chuvas, o risco de perda total nas lavouras que dependem exclusivamente do céu é altíssimo.

  • Gestão de Barragens e Reservatórios: O interior nordestino precisará de um manejo rigoroso. Com a previsão de menos chuvas e ondas de calor intensas, a evaporação nos açudes será acelerada, comprometendo o abastecimento humano e a dessedentação animal.

  • Barreiras Geográficas Potencializadas: O Planalto da Borborema continuará atuando como uma barreira física. Sob a influência do El Niño, a pouca umidade que consegue chegar do Atlântico fica retida no litoral (barlavento), deixando o sertão (sotavento) ainda mais isolado sob uma massa de ar seco e quente.

A intensificação do fenômeno ao longo do segundo semestre de 2026 sugere um período de seca mais prolongado do que a média histórica. Especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) reforçam a necessidade de monitoramento contínuo, uma vez que a persistência do El Niño pode se estender até o ano de 2027.

O foco técnico atual volta-se para o monitoramento das temperaturas da superfície do mar e a interação com o Oceano Atlântico Tropical, fator que pode atenuar ou intensificar os efeitos da seca na região.

O planejamento preventivo baseado em dados meteorológicos de curto e médio prazo torna-se, portanto, a principal ferramenta para mitigar os impactos ambientais e econômicos previstos para os próximos meses.

Portal de Prefeitura
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