Presidente francês, Emmanuel Macron, defende revisão do acordo Mercosul-União Europeia
Macron afirmou que o tratado em negociação deve incorporar as transformações e avanços ocorridos nas últimas duas décadas. Segundo o presidente, o Acordo Mercosul é um documento de longa data, resultado de cerca de 20 anos de negociação
O presidente da França, Emmanuel Macron, encontrou-se com empresários brasileiros em Paris nesta quinta-feira (27), durante a programação do LIDE Brasil França Fórum, para debater o andamento do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O encontro, que integrou uma missão empresarial organizada pelo LIDE, reuniu representantes de diversos setores para discutir comércio internacional, regulação e possibilidades de cooperação bilateral.
Em sua participação, Emmanuel Macron afirmou que o tratado em negociação deve incorporar as transformações e avanços ocorridos nas últimas duas décadas. Segundo o presidente, o Acordo Mercosul é um documento de longa data, resultado de cerca de 20 anos de negociação, e, por esta razão, "ele tinha que ser melhorado" para refletir a evolução regulatória e a inclusão da agenda climática. O líder francês defendeu a necessidade de convergência em regras e regulamentos implementados por ambos os blocos para assegurar o equilíbrio entre os parceiros comerciais. A posição francesa busca garantir que o novo texto reflita as atuais preocupações globais e internas.
O ex-presidente do Brasil, Michel Temer, presente na reunião, relatou que o formato do encontro foi aberto, demonstrando a disposição do presidente francês para o diálogo sobre diversos temas. Temer ressaltou que Macron abordou a necessidade de uma gestão política cuidadosa, considerando as pressões internas exercidas pelo setor agrícola francês. Ao comentar a postura do presidente em relação à continuidade das negociações, Temer afirmou que ele "Não negou em nenhum momento, pelo contrário, revelou simpatia".
Luiz Fernando Furlan, chairman do LIDE, afirmou que Macron reiterou apoio ao avanço do acordo, mencionando, no entanto, pontos condicionantes previamente apresentados pela França. Estes pontos incluem questões relativas à denominação de origem e a implementação de mecanismos de salvaguarda para lidar com eventuais práticas de dumping. Furlan avaliou que esses elementos não representam novidade para o Mercosul e considerou que, após 22 anos de negociações, existe espaço para a convergência de posições. O chairman do LIDE classificou a posição de Macron como "muito positiva".
Além do tratado Mercosul-UE, o presidente francês discutiu o tema da segurança energética, ressaltando que países com dependência de fontes externas enfrentam riscos estruturais. Ele comparou o panorama europeu ao brasileiro, sugerindo que as matrizes energéticas com maior autonomia garantem maior estabilidade. Macron também respondeu a perguntas sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, indicando potenciais riscos futuros para a estabilidade regional e possíveis impactos indiretos em mercados e investimentos.
A tecnologia também fez parte da pauta. O presidente francês destacou o progresso da França no campo da inteligência artificial e manifestou abertura para a cooperação com empresas brasileiras nesse segmento. Aspectos culturais também foram abordados, com referências aos encontros recentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à possibilidade de ampliar iniciativas bilaterais neste eixo.
Segundo Furlan, os empresários saíram da reunião com otimismo em relação ao ambiente de diálogo. Ele relatou que o presidente francês expressou gratidão pelo interesse das empresas presentes e reconheceu o papel das companhias brasileiras já estabelecidas em território francês. Furlan concluiu que "A reunião foi bastante aberta e amistosa".