Pneu chinês já domina 58% dos veículos de carga: o barato que pode sair caro?
Avanço de produtos asiáticos, sobretudo chineses, reduz vendas locais e levanta debate sobre custo real por quilômetro rodado
O mercado brasileiro de pneus vive transformação importante. Nos últimos cinco anos, o volume de componentes importados — especialmente da China — inundou as prateleiras, fazendo a indústria local perder espaço.
Essa ofensiva reflete na operação de transporte. Se por um lado o preço de compra caiu, por outro, o debate sobre o custo real por quilômetro rodado e a qualidade ganha força.
O fim da proteção aos pneus nacionais
A virada de chave ocorreu em 2021, quando o extinto Ministério da Economia derrubou a tabela de preço base para pneus importados, que protegia a produção nacional.
Sem essa trava, os produtos asiáticos ganharam competitividade. O resultado? Em 2025, os importados já abocanham 58% das vendas totais no segmento de carga.
A conta da recapagem
Para o transportador, o pneu é o segundo maior custo da operação, atrás apenas do diesel. Rodrigo Navarro, presidente da Anip, associação que representa os fabricantes do segmento, faz um alerta sobre a "ilusão" do preço baixo:
"Eles são mais atrativos no balcão, mas podem proporcionar um custo elevado por quilômetro rodado ao longo da vida útil da carcaça", explica Navarro.
- Pneu nacional: em média, permite até três processos de recapagem.
- Pneu importado: muitos modelos asiáticos suportam apenas uma recapagem (ou nenhuma).
Números do setor em queda
A retração da indústria local é evidente. Segundo a Anip, em 2025 foram vendidos 6,1 milhões de pneus de carga, uma queda de 7,7% em relação a 2024. O impacto foi sentido em duas frentes.
Do total, 4,4 milhões de unidades foram para o mercado de reposição (-9%) e 1,7 milhão de unidades (-4%) foram para as montadoras, o chamado mercado OEM.
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