PM é denunciado por homicídio qualificado após matar suspeito algemado no RS
Ministério Público afirma que jovem foi executado com tiros na cabeça e no tórax mesmo rendido; vídeo contradiz versão da polícia
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apresentou denúncia contra o soldado Emerson Brião, da Brigada Militar, por homicídio qualificado pela morte de Geovane Matias Maciel, de 19 anos, ocorrida em 4 de março de 2025, na BR-285, no município de Bom Jesus, na Serra Gaúcha.
Segundo a investigação, a vítima estava algemada e imobilizada no chão no momento em que foi baleada. O laudo apontou que os disparos atingiram a cabeça e o tórax de Geovane, provocando hemorragia interna que levou à morte. O Ministério Público também requer que a família do jovem receba uma indenização mínima equivalente a 50 salários mínimos.
De acordo com o MPRS, imagens enviadas de forma anônima mostram que Geovane já estava rendido quando foi atingido pelos disparos, o que derruba a versão apresentada inicialmente pelos policiais envolvidos. O conteúdo do vídeo levou à abertura de um novo inquérito conduzido pela Delegacia de Vacaria, com perícias técnicas que comprovaram que os tiros partiram da arma de Brião.
Acusações e outros envolvidos
Além de Brião, outros três policiais foram indiciados por fraude processual e prevaricação, suspeitos de alterar a cena do crime e apresentar informações falsas:
Emerson Brião: homicídio qualificado e fraude processual; encontra-se preso preventivamente em unidade militar em Porto Alegre;
Sargento André Remonti, soldado Jeremias Paim e soldado Bruno Moojen Souza Ramos: fraude processual e prevaricação.
Os policiais alegam que Geovane teria reagido com uma faca, mas o vídeo analisado contradiz essa versão. A perícia também incluiu exames de balística, necropsia e depoimentos de testemunhas.
Histórico da vítima
Geovane Matias Maciel possuía mandado de prisão preventiva por violência doméstica e era suspeito de ter incendiado a casa da ex-companheira dois dias antes do ocorrido. Também respondia a investigações por furtos e, durante a adolescência, teve envolvimento em atos infracionais, incluindo um latrocínio.
A defesa do soldado Brião ainda não se manifestou formalmente, mas sustentou em depoimento que os disparos ocorreram em legítima defesa, versão descartada pelas evidências reunidas no novo inquérito.