Pintura descascando? Carros da Honda viram alvo de processo judicial por defeito grave
Entenda por que o Tribunal dos Estados Unidos reabriu a ação coletiva contra a montadora e como o problema pode afetar a estrutura dos veículos
Uma polêmica envolvendo a pintura branca de veículos da Honda nos Estados Unidos acaba de ganhar um novo capítulo nos tribunais e coloca em xeque a reputação de qualidade da fabricante japonesa. De acordo com informações publicadas pelo Jornal do Carro do Estadão, uma ação coletiva acusa a montadora de utilizar um acabamento defeituoso que descasca prematuramente. O fato mais grave apresentado pelos reclamantes é que a exposição da lataria sem a devida proteção pode causar danos estruturais severos, como a corrosão precoce do metal. Embora o caso tenha sido inicialmente arquivado em 2025, a justiça americana autorizou a retomada do processo após a apresentação de novos e contundentes argumentos técnicos.
Os proprietários afetados afirmam que o acabamento em diversas tonalidades de branco pode lascar, formar bolhas e até se desprender completamente da carroceria muito antes do tempo de vida útil esperado. A ação judicial aponta que modelos de grande volume de vendas, como o Fit, o HR-V, a Odyssey e o Pilot, estão entre os principais prejudicados. Além deles, o SUV MDX da Acura, que é a divisão de luxo da Honda, também foi listado no processo. Segundo os novos documentos da ação, a fabricante teria conhecimento dessa falha crônica desde o ano de 2012 (2012), mas teria optado por omitir a informação dos consumidores em vez de realizar um recall ou emitir um alerta oficial.
Quando o magistrado analisou o caso pela primeira vez, ele concordou com a tese da Honda de que o problema era meramente estético. No entanto, a nova fase do processo mudou o entendimento da corte ao demonstrar que a falha compromete a integridade do automóvel. A pintura não serve apenas para o visual, mas atua como uma barreira química essencial contra agentes externos que causam o apodrecimento do aço. No Brasil, embora ainda não exista uma ação judicial coletiva com o mesmo teor, a situação também preocupa. Proprietários brasileiros de modelos como o City, Civic e CR-V já utilizam plataformas de reclamações para relatar experiências muito parecidas com o descascamento da tinta branca.
A montadora agora enfrenta o desafio de provar que a durabilidade de seus componentes atende aos padrões de segurança e durabilidade prometidos. O desfecho deste caso nos Estados Unidos pode abrir precedentes para que consumidores de outras regiões, incluindo o mercado brasileiro, busquem reparação por danos semelhantes. Por enquanto, a imagem de confiabilidade da marca sofre um desgaste público enquanto os advogados tentam provar que a negligência sobre o defeito da pintura foi uma estratégia deliberada para evitar custos de reparo em escala global.
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