PF aponta atuação de Mendonça em delações e Moraes inclui ministro em inquérito
Relatório policial cita interferência nas operações Compliance Zero e Sem Desconto; magistrado passa a ser investigado no STF
O ministro Alexandre de Moraes incluiu André Mendonça no inquérito das fake news por suspeita de abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade. Relatório da Polícia Federal aponta que Mendonça interveio ativamente em negociações de delação premiada nas operações Compliance Zero e Sem Desconto, sob sua relatoria. Além de sugerir benefícios ilegais a um delator, o ministro teria tentado direcionar as investigações da PF para incriminar o próprio Moraes e o senador Davi Alcolumbre.
A Polícia Federal afirma que o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça teve efetiva participação em tratativas de colaboração premiada. A constatação consta em decisão do ministro Alexandre de Moraes, que incluiu André Mendonça no inquérito das fake news por suspeita de abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa.
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As negociações citadas pela corporação envolvem a Operação Compliance Zero, referente a fraudes no Banco Master, e a Operação Sem Desconto, que apura desvios em cobranças indevidas de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. Ambas as investigações estavam sob a relatoria de André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.
O que diz o relatório da PF sobre a conduta do relator?
A Polícia Federal afirma que André Mendonça apresentou comportamento participativo durante as negociações de delação premiada nas duas operações. Segundo o relatório policial, o ministro fazia questionamentos frequentes sobre o andamento dos acordos, buscava detalhes sobre o teor dos depoimentos e relatava ter conversado diretamente com advogados dos investigados que negociavam colaboração.
No caso específico das tratativas com Maurício Camisotti, apontado como participante do esquema no INSS, a Polícia Federal registrou que André Mendonça sugeriu a concessão de benefícios não previstos em lei. A corporação recusou a proposição com o argumento de autoproteção institucional contra nulidades processuais futuras.
Quais autoridades teriam sido alvo de direcionamento?
O ministro Alexandre de Moraes registrou no despacho que André Mendonça tentou direcionar a equipe de investigação da Polícia Federal para incriminar o próprio integrante do STF e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP). De acordo com os investigadores, existiram pedidos reiterados para o envio de provocações formais contra Moraes.
O inquérito das fake news tramita no Supremo Tribunal Federal desde 2019, segundo registros do processo judicial (2026).
O inquérito das fake news apura notícias fraudulentas, denunciações caluniosas e ameaças contra a integridade institucional do Supremo Tribunal Federal, além de investigar o vazamento de documentos sigilosos utilizados para atribuir atos ilícitos aos integrantes da Corte.
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