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Pesquisa sobre comportamento de adolescentes nas redes sociais mostra que os mais desfavorecidos enfrentam os maiores riscos

Os riscos da vida digital para os adolescentes são moldados pela desigualdade, principalmente a socioeconômica

1 mai 2026 - 08h48
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EF Stock/Shutterstock
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Foto: The Conversation

À medida que as redes sociais se tornam uma parte central da vida dos jovens, crescem as preocupações quanto ao seu impacto na saúde mental deles. Mas os debates públicos e as medidas adotadas tendem a tratar os adolescentes como um grupo homogêneo. Frequentemente ignoramos o fato de que o uso das redes sociais não afeta todos os jovens da mesma maneira - nem tem os mesmos impactos sobre seu bem-estar.

Em um capítulo do Relatório Mundial da Felicidade 2026, publicado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU em parceria com a Universidade de Oxford, examinamos como o uso problemático das redes sociais se relaciona com o bem-estar de adolescentes de diferentes origens socioeconômicas.

Analisamos 43 países distribuídos por seis grandes regiões - Anglo-Celta, Cáucaso-Mar Negro, Europa Central e Oriental, Mediterrânea, Nórdica e Europa Ocidental -, abrangendo principalmente países europeus e suas áreas vizinhas imediatas.

Utilizando dados de mais de 330 mil jovens, descobrimos um padrão claro e consistente: níveis mais elevados de uso problemático das redes sociais - ou seja, o envolvimento compulsivo ou descontrolado com as redes sociais - estão associados a um menor bem-estar.

Adolescentes que relatam um uso mais problemático tendem a apresentar mais queixas psicológicas, como se sentir deprimido, nervoso, irritado ou ter dificuldade para dormir. Eles também apresentam menor satisfação com a vida, uma medida de quão positivamente avaliam suas vidas como um todo.

Esse padrão aparece em todos os países do nosso estudo, mas sua intensidade varia de um país para outro. É particularmente pronunciado em países anglo-celtas, como o Reino Unido e a Irlanda, enquanto é comparativamente mais fraco na região do Cáucaso e do Mar Negro.

Contexto socioeconômico importa

Mas a história não termina com a geografia. Globalmente, adolescentes de origens menos favorecidas tendem a ser mais vulneráveis às consequências negativas do uso problemático das redes sociais do que seus pares mais favorecidos.

Isso significa que o status socioeconômico — os recursos materiais e sociais disponíveis para uma família, como renda e condições de vida — molda ativamente os riscos e oportunidades que os jovens enfrentam como resultado dos ambientes online.

Curiosamente, essas desigualdades são especialmente visíveis quando analisamos a satisfação com a vida. As diferenças entre grupos socioeconômicos são menores no que diz respeito às queixas psicológicas, mas muito mais evidentes e consistentes na forma como os adolescentes avaliam suas vidas de maneira geral.

Uma razão provável é que a satisfação com a vida é mais sensível às comparações sociais. As redes sociais expõem os jovens a constantes referências — o que os outros têm, fazem e alcançam —, o que pode amplificar as diferenças na percepção de oportunidades e recursos.

Ao mesmo tempo, esses padrões não são idênticos em todos os lugares. Por exemplo, as diferenças socioeconômicas nas queixas psicológicas tendem a ser modestas na maioria das regiões, incluindo países da Europa continental como França, Áustria ou Bélgica, mas são observadas com mais clareza em países anglo-celtas como Escócia e País de Gales.

Em contrapartida, as disparidades socioeconômicas na satisfação com a vida aparecem na maioria das regiões, embora tendam a ser mais fracas em países mediterrâneos como Itália, Chipre e Grécia.

Um problema crescente

Também examinamos como esses padrões evoluíram ao longo do tempo. Entre 2018 e 2022, a ligação entre o uso problemático das redes sociais e o baixo bem-estar dos adolescentes tornou-se mais forte.

Isso sugere que os riscos associados ao uso problemático podem ter se intensificado nos últimos anos, possivelmente refletindo o papel crescente das tecnologias digitais na vida cotidiana dos jovens, particularmente durante e após a pandemia de COVID-19.

É importante ressaltar que essa intensificação afetou os adolescentes de todos os grupos socioeconômicos de maneiras amplamente semelhantes na maioria das regiões. Em outras palavras, embora as desigualdades permaneçam, elas não se ampliaram nesse período.

Não há solução única

Embora os debates públicos sobre redes sociais e saúde mental frequentemente tratem os adolescentes como um único grupo demográfico, nossos resultados mostram uma realidade mais complexa. O uso problemático das redes sociais está associado a um menor bem-estar em todos os países, mas seus efeitos são moldados pelas realidades sociais. Eles variam dependendo de onde os jovens vivem e dos recursos disponíveis para eles.

Nem todos os adolescentes vivenciam o mundo digital da mesma maneira, e nem todos estão igualmente preparados para lidar com suas pressões. Reconhecer isso é essencial para a elaboração de políticas que sejam não apenas eficazes, mas também equitativas, garantindo que as intervenções alcancem os adolescentes mais vulneráveis aos riscos digitais.

The Conversation
The Conversation
Foto: The Conversation

Roger Fernandez-Urbano recebe financiamento do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades do Governo espanhol e da Agência Estatal de Pesquisa por meio da bolsa Ramón y Cajal (RYC). Roger é integrante da Sociedade Internacional de Estudos sobre Qualidade de Vida (ISQOLS).

A participação de Maria Rubio-Cabañez nesta pesquisa foi apoiada pelo projeto DIGINEQ (Uso do Tempo Digital, Bem-estar dos Adolescentes e Desigualdades Sociais) (ID do acordo de subvenção: 101089233), financiado pela Bolsa Consolidator do Conselho Europeu de Pesquisa.

A participação de Pablo Gracia nesta pesquisa foi apoiada pelo projeto DIGINEQ (Uso do Tempo Digital, Bem-estar dos Adolescentes e Desigualdades Sociais) (ID do acordo de subvenção: 101089233), financiado pela Bolsa Consolidator do Conselho Europeu de Pesquisa.

The Conversation Este artigo foi publicado no The Conversation Brasil e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons
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