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Pesquisa resgata a reprodução do racismo em pleno período abolicionista

18 jul 2016 - 17h18
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As mesmas tendências racistas foram internalizadas pelos imigrantes europeus, a maioria dos quais nunca havia visto negros antes de aportar no Brasil. As relações entre elites, imigrantes e negros tornaram-se ambíguas, cenário que Karl Monsma resgata em A reprodução do racismo: fazendeiros, negros e imigrantes no oeste paulista, 1880-1914, lançamento da EdUFSCar.

Foto: DINO

A partir do final da década de 1880, São Paulo atraiu muito mais imigrantes que qualquer outra província ou estado brasileiro em função, sobretudo, do programa paulista de imigração subvencionada para italianos e outros europeus que aceitavam trabalhar nas fazendas de café. No estado paulista, os fazendeiros de café enfrentaram a rebeldia dos cativos e, depois da abolição, precisavam controlar uma grande massa de trabalhadores composta principalmente de imigrantes, com uma minoria significante de brasileiros, em que se destacam os libertos.

Os negros esperavam ser tratados com dignidade por cumprirem as mesmas funções que os brancos, e os imigrantes se sentiam ameaçados por isso, ou mais precisamente pela possibilidade de serem tratados como negros. Em longo prazo, o racismo levou à consolidação de divisões raciais no mercado de trabalho e no sistema escolar que dificultavam a mobilidade social de negros e aumentavam ainda mais a desigualdade. Todos esses fatos são destrinchados neste livro que não desenvolve uma explicação completa das diferenças raciais de hoje, mas levanta algumas hipóteses a respeito dos processos que ampliaram as pequenas vantagens iniciais dos europeus nas primeiras décadas após a abolição.

Para isso, o autor enfatiza sobre as teorias do racismo e sua reprodução, contextualizando o pós-abolição na América e no Brasil e examinando como os fazendeiros, administradores de fazendas e delegados de polícia exerciam autoridade sobre negros no período da abolição e como isso influenciou suas percepções. A mesma análise é feita com os imigrantes, o que leva a um comparativo entre as relações estabelecidas com os negros, sejam eles escravos, libertos ou nascidos livres. Para encerrar, Monsma analisa as consequências desses processos para as posições sociais e econômicas de negros e imigrantes, como a desigualdade racial crescente.

Sobre o autor - Karl Monsma é professor de Sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atua como especialista na área de sociologia histórica, com ênfase em temas relacionados a racismo, imigração e identidades étnicas.

Título: A reprodução do racismo: fazendeiros, negros e imigrantes no oeste paulista, 1880-1914

Autor: Karl Monsma

Número de páginas: 366

Formato: 14 x 21 cm

Preço: R$ 42,00

ISBN: 978-85-7600-440-0

Mais informações sobre os livros da EdUFSCar estão disponíveis no site www.editora.ufscar.br

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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