Passagens aéreas: veja a estratégia do Governo para evitar o "preço de luxo" em 2026
Governo busca evitar colapso na conectividade do país, com o querosene de aviação atingindo 45% dos custos das empresas após reajustes da Petrobras
O Governo Federal se mostra preocupado com o cenário de guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, provocou um choque imediato no mercado global de energia, com o barril de petróleo saltando para patamares superiores a 115 dólares. No Brasil, o reflexo foi sentido rapidamente nas bombas e, principalmente, nos hangares. Para tentar conter uma escalada desenfreada no preço das passagens aéreas, o governo federal anunciou nesta segunda-feira um conjunto de medidas emergenciais. A principal delas é zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação, o que deve gerar uma economia imediata de R$ 0,07 por litro do combustível para as companhias.
A medida para passagens aéreas
A urgência da medida se justifica pelo peso que o combustível passou a ter na planilha das empresas. O insumo saltou de 30% para cerca de 45% do custo operacional total das aéreas após o último aumento anunciado pela Petrobras. Esse reajuste acompanha a política de paridade internacional, tornando o setor extremamente vulnerável às tensões geopolíticas e ao fechamento estratégico de rotas comerciais, como o Estreito de Ormuz. Sem a intervenção estatal, o risco de uma retração na oferta de voos e na democratização do transporte aéreo seria iminente.
Além do corte de impostos, o pacote inclui um fôlego financeiro importante através da postergação do pagamento de tarifas de navegação aérea devidas à Força Aérea Brasileira. As taxas referentes aos meses de abril, maio e junho poderão ser quitadas apenas em dezembro, aliviando o fluxo de caixa das empresas em um momento de incerteza global. Somado a isso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) operará linhas de crédito de até R$ 2,5 bilhões por mutuário, utilizando recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) para apoiar a reestruturação financeira das gigantes do setor.
Entenda
Uma segunda frente de crédito, focada em capital de giro para seis meses, disponibilizará mais R$ 1 bilhão, com risco assumido pela União. Essas ações complementam o mecanismo de mitigação já adotado pela Petrobras, que parcelou parte do reajuste do querosene em seis vezes para evitar um choque de preços de 54% de uma só vez nas distribuidoras. A estratégia é diluir o impacto do petróleo ao longo do ano, esperando que a volatilidade internacional apresente sinais de acomodação nos próximos meses, apesar do tom agressivo adotado pelas potências envolvidas no conflito.
Mesmo com o socorro bilionário, o setor permanece em alerta máximo. O aumento do combustível, associado à tensão bélica, tem forçado companhias ao redor do mundo a revisarem suas projeções financeiras. No Brasil, embora as entidades de classe ainda não falem abertamente em reajuste imediato nos bilhetes, a pressão sobre as margens de lucro é severa. O desafio do governo será garantir que essa desoneração chegue de fato à ponta final, impedindo que viajar de avião se torne um artigo de luxo inacessível para a maior parte da população.