Parlamento grego prepara votação crucial em meio a greve geral
A Grécia voltou a viver nesta terça-feira um novo dia de greve geral e episódios de violência em frente ao Parlamento de Atenas, onde se iniciou o debate prévio à crucial votação de novas e duras medidas de austeridade econômica a fim de evitar a quebra do país.
Fontes policiais informaram que os distúrbios do dia deixaram 24 pessoas levemente feridas - das quais 21 eram policiais -, 22 detidos e diversos danos materiais durante os protestos de rua que marcaram a capital grega nesta terça-feira, mas a imprensa local indica que o número de feridos é muito maior.
Enquanto, no Parlamento, a Comissão de Finanças aprovou a lei que acompanha o impopular pacote de medidas de austeridade e privatizações no valor de 78 bilhões de euros, cuja votação está prevista para quarta-feira.
Os deputados da maioria governista aprovaram o projeto de lei, enquanto a oposição por completo rejeitou-o, em um resultado que pode refletir o que pode ocorrer nesta quarta-feira.
"Da aprovação das medidas e do projeto de lei depende que a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entreguem à Grécia o quinto lote de 12 bilhões de euros do (primeiro) resgate", segundo insistiu nesta terça-feira o ministro de Finanças grego, Vangelis Venizelos.
"A prioridade das medidas é alcançar um superávit primário para 2012", acrescentou.
De Bruxelas, os líderes das instituições europeias voltaram a fazer um apelo ao Parlamento grego para que aprove as impopulares medidas de austeridade.
"Para ser honestos com o povo grego e nós mesmos, temos de convencê-los de que não há alternativa às dolorosas reformas e à consolidação fiscal", disse o presidente da Comissão Europeia - órgão executivo da UE -, José Manuel Durão Barroso.
"Estão em jogo tanto o futuro da Grécia como o da Europa", assinalou o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Olli Rehn, em comunicado. "Deixe-me dizer-lhe claramente: não há um plano B para evitar a moratória", ressaltou.
Embora não haja desmentido oficial, aumentam os rumores de que Bruxelas estaria se preparando para uma possível rejeição do Parlamento aos ajustes propostos.
O primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, seguiu nesta terça-feira tentando garantir o voto de seus aliados e convencer os deputados dissidentes - até o momento 2 de um total de 155 - de que deixaram entrever que votarão contra si.
O partido opositor Nova Democracia, que votará contra as medidas, mas que também tem "rebeldes" em suas fileiras, informou de forma extraoficial que expulsará aqueles que saírem da linha do partido.
O voto pode, portanto, acabar sendo muito apertado, já que a aprovação do pacote requer a maioria absoluta, ou seja, pelo menos 151 dos 300 parlamentares da Câmara - os socialistas contam com 155 cadeiras.
Caso vença o "sim", a tensão seguirá igualmente até quinta-feira, quando será votada uma lei especial para permitir a aplicação imediata das novas leis.
Se o Parlamento aprovar os dois projetos de lei, Venizelos, o novo todo-poderoso ministro da Economia, comparecerá à reunião extraordinária do Eurogrupo a ser realizada no dia 3 de julho para iniciar a negociação de um novo resgate financeiro, estimado em 110 bilhões de euros.
As medidas de austeridade, uma vez aprovadas, serão aplicadas de forma imediata, com data para 1º de julho, o que implicará a redução imediata das receitas mensais superiores a 570 euros. Os contribuintes que têm renda anual a partir dos 12 mil euros pagarão 400 euros de impostos.
Os dolorosos cortes despertam a ira e a rejeição de grandes setores da população, que se manifestaram nesta terça-feira em vários protestos de rua, coincidindo com um novo dia greve geral, o quarto deste ano, que se prolongará durante toda a quarta-feira.
A manifestação mais importante ocorreu em frente ao Parlamento. A Polícia teve de recorrer ao uso de gás lacrimogêneo contra grupos de radicais que lançaram pedras, coquetéis molotov e outros objetos, destruindo vitrines de bancos, lojas e hotéis.