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"Os EUA estão, mais do que nunca, abertos para capital do Brasil", diz cônsul Kevin Murakami

O Seminário Econômico LIDE EUA-Brasil, realizado nesta terça-feira (9) na Casa LIDE, em São Paulo, contou com a presença do Cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo

9 jun 2026 - 15h48
(atualizado às 16h21)
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 Sob o reflexo direto do protecionismo tarifário defendido pela administração de Donald Trump e diante de um ambiente doméstico marcado por juros elevados, o Seminário Econômico LIDE EUA-Brasil movimentou a Casa LIDE, na capital paulista, nesta terça-feira (09). Se, por um lado, a escalada de taxas gera apreensão no mercado financeiro, por outro, a força dos aportes diretos mútuos e a inovação tecnológica despontam como as verdadeiras âncoras da parceria bilateral.

O Seminário Econômico LIDE EUA
O Seminário Econômico LIDE EUA
Foto: Brasil, realizado nesta terça-feira (9) na Casa LIDE, em São Paulo, contou com a presença do Cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami - Evandro Macedo/LIDE / Perfil Brasil

Nesse sentido, a abertura do evento promovido pelo ex-governador de São Paulo, João Doria,  trouxe a perspectiva da diplomacia de negócios focada em oportunidades. O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, indicou uma mudança de rumo positiva nas interações econômicas após superar o que denominou como um período difícil. Com uma visão otimista, o diplomata reforçou que a atual gestão americana prioriza uma postura de pragmatismo financeiro.

"As portas dos EUA estão mais do que nunca abertas ao capital do Brasil. O presidente Trump quer e valoriza o investimento estrangeiro", afirmou Murakami.

O cônsul também enalteceu a expansão das companhias brasileiras que buscam fincar bandeira no mercado norte-americano, apontando que esse fluxo recíproco encontra-se em um momento de franca receptividade. De forma complementar, ele registrou em painel posterior que "as portas dos Estados Unidos estão, mais que nunca, abertas para o capital brasileiro".

Alertas de grandes bancos sobre tarifas e reciprocidade dos EUA

Por outro lado, o debate macroeconômico trouxe análises profundas de estrategistas de grandes instituições financeiras, divididos entre o otimismo produtivo e a vigilância sobre as políticas fiscais. A iminente ameaça de uma taxação de 25% sinalizada por Washington ligou o sinal de alerta dos especialistas. A economista-chefe do Morgan Stanley, Ana Madeira, detalhou os desdobramentos de uma postura combativa:

"O perigo real para a economia não está apenas nas barreiras iniciais, mas sim na escalada tarifária e na reciprocidade. A retaliação pode paralisar cadeias inteiras."

Seguindo a mesma linha de raciocínio, a economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, Cassiana Fernandez, lembrou que a tarifa média ponderada aplicada pelos EUA ao país poderia saltar de 11% para 19%. "O maior risco que a gente tem hoje seria uma possível retaliação e escalada dessas tarifas. O mercado potencial é gigantesco para o Brasil aumentar as suas exportações para os EUA. Se a tarifa for de 10%, 25% ou 50%, vai ter impacto em cadeias específicas. Mas o maior risco que vemos hoje é o da escalada e retaliações nessas tarifas. É o investimento estrangeiro direto vindo dos Estados Unidos [cerca de 19% do IDP total do país] que sustenta uma boa parte da nossa capacidade produtiva e empregos qualificados. A agenda Brasil-Estados Unidos deve se focar em proteger o ambiente de investimento direto."

O debate sobre o Pix e a visão dos setores produtivos

 O ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, subiu ao palco para contextualizar as divergências de interpretação entre os dois modelos de negócios:

"O Pix é um produto brasileiro gratuito, instantâneo, de alta confiabilidade. É uma intervenção oficial, direta do Estado, que beneficia a economia brasileira enormemente. Mas, devido a esse modelo, ele acaba sendo interpretado por empresas americanas de meios de pagamento como uma forma de concorrência desigual. É uma instituição oficial operando algo amparado por uma lei, enquanto nos EUA o sistema é dominado pelo setor privado."

Contudo, fora do campo das fricções regulatórias, o setor produtivo demonstram que a integração prática avança por meio da inovação, do agronegócio e de marcas de atuação global. O presidente do Google BrasilFábio Coelho, e a diretora-geral da Uber BrasilSilvia Penna, demonstraram em suas apresentações como os investimentos em tecnologia e serviços criam mercados interdependentes. Coelho destacou que a inteligência de dados americana potencializa a eficiência de empresas locais exportadoras, enquanto Silvia Penna frisou que o ecossistema de mobilidade e a geração de renda flexível nas cidades brasileiras dependem diretamente de fluxos contínuos de capital e inovação originados no Vale do Silício.

Em suma, o encerramento do fórum pediu moderação nas negociações bilaterais para blindar quem atua na ponta da produção de alimentos.

Perfil Brasil
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