Os escândalos envolvendo o líder da ultradireita britânica
"Pai do Brexit", Nigel Farage não teria declarado doações milionárias recebidas antes de ser eleito parlamentar. Em meio a denúncias, ele renuncia para forçar nova eleição em seu distrito e tentar renovar seu mandato.O líder do partido de ultradireita britânico Reform UK, Nigel Farage, anunciou nesta terça-feira (07/07) sua renúncia ao mandato parlamentar para forçar uma eleição antecipada em sua própria circunscrição, na qual planeja se candidatar novamente.
Figura central da campanha pelo Brexit - a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) - e cujo partido lidera as pesquisas nacionais, Farage está sob forte pressão devido a denúncias sobre doações e financiamentos não declarados de seu aliado de longa data George Cottrell, condenado por fraude, além de um suposto "presente" milionário que ele teria recebido de um empresário do ramo das criptomoedas.
Cottrell, que cumpriu pena de prisão nos Estados Unidos, teria contratado e pago três pessoas para administrar as redes sociais de Farage antes das eleições gerais e permitido que ele usasse uma propriedade cinco andares da era georgiana perto do Palácio de Buckingham.
Os novos membros do Parlamento britânico devem, no prazo de um mês após a eleição, registrar todos os seus interesses financeiros, além de benefícios significativos recebidos nos 12 meses anteriores à sua eleição.
Farage declarou uma viagem à Bélgica e um voo doméstico nos Estados Unidos pagos por Cottrell, mas não declarou o restante do apoio que recebeu.
Tanto o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, quanto os Liberais Democratas, de centro, pediram uma investigação parlamentar sobre as alegações, bem como uma investigação pela Comissão Eleitoral do Reino Unido.
Outra investigação parlamentar contra Farage, que já está em andamento, diz respeito a um presente pessoal supostamente não declarado de 5 milhões de libras esterlinas (R$ 34,4 milhões) dado pelo bilionário do ramo de criptomoedas radicado na Tailândia Christopher Harborne. O político ultradireitista afirma que o dinheiro era um presente pessoal que ele usou para pagar por sua segurança.
"Eleição entre o povo e o establishment"
Em um discurso televisionado, Farage criticou duramente a imprensa e acusou o establishment político de tentar prejudicar seu partido. "Decidi que o povo de Clacton deve julgar minhas ações", disse ele, referindo-se à circunscrição eleitoral do sudeste da Inglaterra que representa há dois anos.
"Esta será uma eleição suplementar entre o povo e o establishment", acrescentou, insistindo que não fez "nada de errado".
"Não violei a lei de forma alguma. Não usei dinheiro público indevidamente", disse o aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O partido anti-imigração de Farage, Reform UK, detém apenas 8 das 650 cadeiras na Câmara dos Comuns do Parlamento britânico. No entanto, a legenda lidera as pesquisas à frente do Partido Trabalhista, do premiê Keir Starmer e do principal partido de oposição, o Partido Conservador, de centro-direita.
Resta saber quantos concorrentes Farage enfrentará na próxima eleição suplementar, que normalmente atrai vários partidos menores que tentam ganhar espaço.
Trabalhistas se recusam a disputar eleição
Contudo, o Partido Trabalhista já informou que se recusa a disputar a votação. "Farage está envolvido em um escândalo de corrupção e está desesperadamente tentando mudar de assunto", disse um porta-voz da legenda de centro-esquerda. "É patético, e o Partido Trabalhista não vai tolerar isso."
A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, disse que Farage deveria "ter coragem e responder a algumas perguntas" em vez de provocar uma "eleição suplementar de ego".
Zack Polanski, líder do Partido Verde, que conquistou uma vitória surpreendente em uma eleição suplementar separada em fevereiro, chamou Farage de "impostor".
"Nigel Farage está mais uma vez tentando enganar o público com essa manobra, tentando se esquivar do fato de que seu histórico de aceitar doações suspeitas finalmente está vindo à tona", afirmou.
rc (AFP, AP, DPA)
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