O que se sabe sobre a volta de Harry e Meghan ao Reino Unido
Após anos nos EUA, o príncipe Harry e Meghan Markle voltarão a morar no Reino Unido com os filhos. O casal viverá em uma residência privada fora de Londres e sem funções oficiais na realeza. A mudança ocorre em meio ao interesse de Harry em se reconciliar com o rei Charles 3º, que trata um câncer, e a um desgaste de projetos comerciais em Hollywood. Apesar da aproximação com o monarca, o retorno mantém a tensão com o príncipe William e divide a opinião pública britânica.
Duque e duquesa de Sussex vivem nos EUA desde que romperam com a família real britânica. Retorno pode facilitar reaproximação com o rei Charles 3º, mas deve deixar o irmão William "furioso".O príncipe Harry e sua companheira, Meghan Markle, voltarão a viver no Reino Unido, seis anos após sua saída ter provocado uma profunda ruptura com a família real britânica.
Os dois "planejam deixar os Estados Unidos até o fim do mês para se estabelecer em uma residência privada, sem vínculo com a realeza, que estaria localizada nos arredores de Londres", informou o jornal The Daily Telegraph na noite de quarta-feira (19/08).
Segundo a imprensa britânica, os dois filhos do casal — o príncipe Archie, de 7 anos, e a princesa Lilibet, de 5 — já foram matriculados em uma escola para o início do ano letivo, no começo de setembro.
A notícia surpreendente vem após anos de distanciamento, em que Harry acusou a realeza de negligência e a imprensa de arruinar sua vida. Também criticou o governo, atribuindo sua decisão de permanecer nos EUA à falta de segurança.
Veja, abaixo, o que se sabe sobre o retorno do filho mais novo do rei Charles 3º ao Reino Unido.
Por que agora?
Alguns comentaristas apontaram que a aventura de Harry e Meghan nos Estados Unidos ficou muito aquém das expectativas.
"A série culinária de Meghan não foi bem recebida. Eles não conseguiram estabelecer uma parceria de sucesso com a Netflix. E também perderam o contrato com o Spotify", afirmou o comentarista da realeza Richard Fitzwilliams à agência de notícias AFP.
"Não acho que eles tenham sido um sucesso em Hollywood. Essa pode ser uma forma de mudar as coisas, e de fazer isso antes que William se torne rei."
Segundo ele, o casal também pode estar preocupado com relatos de que o príncipe William, irmão de Harry, poderia despojá-los de seus títulos reais.
Outro comentarista, Ed Owens, afirma que Harry está interessado em se reconciliar com o pai, que está em tratamento contra um câncer, e com o restante da família.
"Adoraria me reconciliar com a minha família. Não faz mais sentido continuar brigando", disse Harry à BBC em maio de 2025. "Não sei quanto tempo de vida meu pai tem."
Harry e Meghan se encontraram com o rei em julho, durante uma breve visita ao Reino Unido. Foi a primeira vez em quatro anos que os filhos do casal viram o avô.
"Existe a sensação de que essa visita foi positiva", diz Owens. "Por isso, este pode parecer um momento oportuno."
Onde eles vão morar?
Após deixarem suas funções como membros ativos da realeza em 2020, Harry, de 41 anos, e Meghan, de 45, conhecidos como duque e duquesa de Sussex, acabaram se estabelecendo em Montecito, na Califórnia.
O casal já teria escolhido uma nova casa no Reino Unido, mas o imóvel não pertenceria à família real. Uma pessoa próxima deles afirma que a família viverá fora de Londres.
Uma possibilidade, segundo Fitzwilliams, é a região rural de Cotswolds, no oeste da Inglaterra, onde Harry passou parte da infância na residência privada de seu pai, Highgrove House.
O tabloide The Sun informou que o casal manterá sua casa em Montecito, além de uma propriedade em Portugal, onde acredita-se que tenham passado parte das férias neste verão.
Eles também passaram algum tempo em julho com o tio de Harry, Charles Spencer, na propriedade ancestral de Althorp, onde sua mãe, a princesa Diana, cresceu e está enterrada.
O que eles vão fazer?
A falecida rainha Elizabeth 2ª deixou claro para Harry e Meghan, antes de sua morte em 2022, que os dois não poderiam conciliar suas funções de realeza com atividades comerciais.
Não há sinais de que essa posição tenha mudado por parte do Palácio de Buckingham. De acordo com as agências de notícias Reuters e Associated Press, os dois devem permanecer fora do ofício real.
"Atualmente, seus podcasts, programas de estilo de vida e atividades empresariais são vistos como incompatíveis com o espírito do trabalho real, considerado uma atividade voltada para o bem público, e não para ganhos financeiros", diz a socióloga Nathalie Weidhase, da Universidade de Surrey.
Harry é patrono de várias instituições de caridade no Reino Unido e continua envolvido com os Jogos Invictus, competição para veteranos feridos que ele fundou e que será realizada em Birmingham no próximo ano.
O acordo inicial do casal com a Netflix, avaliado em 100 milhões de dólares, foi substituído no ano passado por um contrato menor para o desenvolvimento de projetos de cinema e televisão para a plataforma de streaming.
Meghan também lançou, em 2025, a marca própria As Ever, espécie de empório gourmet.
Harry pode se reconciliar com William?
Harry entrou em crise com a família em março de 2021, após o casal tecer críticas à realeza numa entrevista à apresentadora Oprah Winfrey.
A divisão se aprofundou ainda mais com a publicação, em janeiro de 2023, da autobiografia de Harry, O que sobra, também repleta de trechos desfavoráveis à família real.
Embora as pontes com o rei Charles tenham sido parcialmente reconstruídas, William e Harry continuam afastados e mal se falam.
Em seu livro, Harry afirma que William o agrediu fisicamente durante uma discussão sobre Meghan. Diz ainda que ele e sua esposa, Kate, o incentivaram a usar um uniforme nazista em uma festa à fantasia em 2005.
"A longo prazo, o retorno dos Sussex ao Reino Unido abre a perspectiva de duas cortes rivais, a de William e a de Harry", afirma Peter Hunt, jornalista da BBC que cobriu a família real britânica.
Como a família real reagiu?
O rei Charles teria ficado contente com a decisão, mas só teria ficado sabendo dos planos no último domingo (16/08).
Já o herdeiro do trono, William, ficaria "furioso" com a mudança, segundo Hunt.
À Reuters, um ex-assessor da família real afirmou que a notícia seria particularmente difícil para William e Kate, depois que Harry e Meghan "atacaram duramente a instituição, os membros da família e o país, de uma posição privilegiada, em troca de dinheiro".
Segundo ele, membros da realeza que tentam construir carreiras privadas frequentemente são acusados por críticos de explorar sua posição.
Como ficará a questão da segurança?
Harry já declarou que não se sentia seguro para levar sua família ao Reino Unido após o governo britânico se recusar a pagar por sua proteção policial, sob o argumento de que ele já não atua mais como membro da família real.
Jennie Bond, ex-correspondente da BBC especializada na família real, disse à Sky News que é "extraordinário que ele agora sinta que pode levar sua esposa e seus filhos ao Reino Unido, quando, há um ano, não conseguia enxergar nenhuma forma de fazer isso por causa das questões de segurança".
O primeiro-ministro Andy Burnham afirmou aos jornalistas que a segurança da família é um "assunto privado" e desejou sucesso ao casal com a mudança.
Qual é a imagem de Harry e Meghan entre os britânicos?
Harry se casou com Meghan Markle no Castelo de Windsor em 2018. Dois anos depois, em março de 2020, eles anunciaram que deixariam suas funções oficiais e se mudariam para os Estados Unidos, afirmando que queriam se afastar da cobertura "tóxica" da imprensa britânica.
Nos anos seguintes, Harry e Meghan fizeram repetidas críticas à família real e à monarquia em entrevistas para a televisão, em uma série documental da Netflix e, de forma mais marcante, na autobiografia do príncipe.
O casal não é popular entre o público britânico. Uma pesquisa da YouGov mostra que apenas 22% dos britânicos têm uma opinião positiva sobre Meghan e 33% sobre Harry.
Em outra pesquisa do mesmo instituto, 33% dos britânicos dizem que o casal não deveria voltar a viver no Reino Unido, com outros 45% indecisos sobre a questão e apenas 21% favoráveis.
Ainda assim, a expectativa é de que o interesse do público no Reino Unido aumente com o retorno do casal, já que os jornais vão querer saber onde eles vão morar e em qual escola os filhos irão estudar.
ra (AFP, Reuters, dpa)
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