Script = https://s1.trrsf.com/update-1784747113/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

O que se sabe sobre a Montanha Pickaxe: o bunker secreto do Irã que preocupa os EUA

24 jul 2026 - 15h55
Compartilhar
Exibir comentários

Complexo subterrâneo próximo a Natanz volta ao foco após Trump sugerir possível ataque. Sem acesso da AIEA, instalação cercada de sigilo alimenta especulações sobre o programa nuclear iraniano.Um complexo subterrâneo construído nas proximidades da instalação nuclear iraniana de Natanz voltou ao centro das atenções internacionais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir que o local poderá ser alvo de uma ação militar nos próximos dias. Segundo ele, há suspeitas de que centrífugas de urânio estejam instaladas no local.

Escavada a grande profundidade e localizada perto de Natanz, a Montanha Pickaxe é vista por especialistas como um dos locais mais estratégicos e protegidos da infraestrutura nuclear iraniana.
Escavada a grande profundidade e localizada perto de Natanz, a Montanha Pickaxe é vista por especialistas como um dos locais mais estratégicos e protegidos da infraestrutura nuclear iraniana.
Foto: DW / Deutsche Welle

"Provavelmente atacaremos aquela área muito em breve. E não há nada que eles possam fazer a respeito", declarou Trump a jornalistas na terça-feira (21/07).

O Irã reagiu afirmando que poderá "expandir" o conflito caso os Estados Unidos ataquem suas instalações nucleares.

Conhecido em persa como Kūh-e Kolang Gaz Lā, ou "Montanha Pickaxe" (Picareta, em português), o complexo permanece cercado por incertezas. Teerã divulgou poucas informações sobre a instalação, e inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) jamais receberam autorização para visitá-la.

Por isso, grande parte do que se sabe sobre o local resulta de imagens de satélite e avaliações de inteligência, não de observação direta. Embora seja citado com frequência em relatórios dos últimos anos, sua função exata continua desconhecida, o que o transformou em um dos locais mais monitorados do programa nuclear iraniano.

O que se sabe sobre a Montanha Pickaxe

O complexo fica na província de Isfahan, ao sul de Teerã, escavado em uma montanha localizada a cerca de dois quilômetros da usina de enriquecimento de urânio de Natanz. O local, uma das principais instalações nucleares do Irã, foi bombardeado pelos EUA em 2025.

Imagens de satélite divulgadas por empresas como a Maxar Technologies mostram obras em andamento desde 2020. Os registros revelam novas entradas de túneis, estradas de acesso, estruturas de segurança e grandes volumes de rocha removida.

A construção parece ter se intensificado após a explosão que atingiu, em julho de 2020, uma oficina de montagem de centrífugas avançadas em Natanz. As autoridades iranianas classificaram o episódio como um ato de sabotagem.

Meses depois, o governo anunciou planos para construir uma nova instalação subterrânea destinada à montagem de centrífugas avançadas. Segundo Teerã, o novo complexo seria maior, mais moderno e mais protegido que o danificado.

O Institute for Science and International Security, sediado em Washington, estima que partes da instalação estejam entre 80 e 100 metros abaixo da superfície da montanha. Caso essa avaliação esteja correta, o bunker seria mais profundo que muitas das demais instalações nucleares conhecidas do Irã e significativamente mais resistente a ataques aéreos.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou repetidamente que os inspetores da agência nunca tiveram acesso ao local. Sem inspeções, a entidade não pode verificar a existência de material nuclear, centrífugas ou outros equipamentos sensíveis no interior da instalação.

Relatos sobre transferência de centrífugas

Segundo o jornal americano Wall Street Journal, a inteligência israelense avaliou que o Irã poderia ter transferido milhares de componentes de centrífugas para enriquecimento de urânio ou outros equipamentos sensíveis para o complexo.

De acordo com a reportagem, a movimentação teria ocorrido nos meses seguintes à campanha conjunta de bombardeios conduzida por Estados Unidos e Israel em junho de 2025.

Questionado, Trump afirmou que o Irã "pode ter" levado centrífugas para a Montanha Pickaxe, mas acrescentou que não há confirmação dessa hipótese.

Analistas também consideram a possibilidade de o complexo servir futuramente para a produção ou montagem de centrífugas avançadas, caso o Irã decida recuperar ou ampliar essa capacidade.

O governo iraniano sustenta que instalações subterrâneas são necessárias para proteger sua infraestrutura nuclear contra atos de sabotagem e ataques militares. Teerã afirma que seu programa nuclear tem finalidade exclusivamente pacífica e nega buscar o desenvolvimento de armas nucleares.

Ainda assim, inspetores internacionais e relatórios de inteligência indicam que o país possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido com pureza de até 60%, patamar muito superior ao necessário para uso civil e próximo dos 90% geralmente associados à produção de armas nucleares.

Estrutura resistente a bombas

Para Farzin Nadimi, pesquisador sênior do Washington Institute for Near East Policy, a relevância estratégica da Montanha Pickaxe está em sua resistência a bombas de penetração profunda e em sua proximidade com o complexo nuclear de Natanz.

Segundo ele, os danos relatados com este tipo de armamento em Fordo e em partes das instalações de Natanz e Isfahan após os bombardeios de junho de 2025 aumentaram ainda mais a importância do local.

"Dadas as preocupações de segurança do Irã, é razoável esperar que futuras atividades de enriquecimento de urânio e até mesmo programas relacionados a armamentos sejam concentrados em um único local fortemente protegido", afirmou. "A Montanha Pickaxe é a candidata mais lógica para esse papel."

As chamadas bombas destruidoras de bunkers são projetadas para penetrar o solo antes da detonação. No entanto, mesmo os modelos mais potentes possuem limitações quanto à profundidade que conseguem atingir.

Por isso, especialistas divergem sobre a capacidade dessas armas de destruir um complexo enterrado tão profundamente. O traçado exato dos túneis, sua profundidade e a localização da infraestrutura crítica nunca foram divulgados publicamente.

Seria possível inutilizar a instalação?

Diferentemente de Natanz ou Fordo, onde estruturas importantes foram identificadas ao longo dos anos, é difícil avaliar o impacto potencial de um ataque contra uma instalação construída dentro de uma montanha.

Alguns especialistas argumentam que, em uma eventual operação militar, o objetivo não precisaria ser a destruição completa do complexo. Uma alternativa seria bloquear acessos, danificar entradas de túneis e comprometer a infraestrutura de apoio, tornando o local difícil ou impossível de operar.

Ainda não está claro se a Montanha Pickaxe será utilizada como centro de produção de centrífugas, instalação de enriquecimento de urânio ou apenas como um complexo de apoio altamente protegido.

O que se sabe é que o sigilo em torno do empreendimento, sua localização estratégica e sua escala aparente o transformaram em uma das áreas mais observadas do programa nuclear iraniano, que deve continuar sob intenso escrutínio internacional nos próximos anos.

---------

Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra