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O animal que consegue dormir com metade do cérebro enquanto a outra metade continua de vigia

Golfinhos e algumas aves conseguem descansar um hemisfério cerebral por vez, mantendo a outra metade alerta para respirar ou vigiar perigos.

15 set 2026 - 20h44
(atualizado às 20h48)
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Resumo
Golfinhos e algumas aves utilizam o sono uni-hemisférico, capacidade em que uma metade do cérebro descansa em ondas lentas enquanto a outra segue em vigília, alternando-se depois. Essa adaptação evolutiva permite que esses animais monitorem predadores e realizem funções vitais sem interromper o repouso, como subir para respirar na água ou manter o voo. Diferente dos humanos, que dormem com ambos os hemisférios de forma coordenada, essas espécies fracionam o descanso para garantir a sobrevivência.

Dormir sem perder completamente a vigilância parece impossível para um ser humano, mas faz parte da rotina de golfinhos e de algumas aves. Nesses animais, um hemisfério cerebral pode apresentar ondas lentas associadas ao sono enquanto o outro permanece em estado mais desperto. Depois, os lados se alternam. O chamado sono uni-hemisférico permite combinar descanso com necessidades que não podem ser suspensas, como subir para respirar, acompanhar o grupo ou observar predadores. A adaptação não elimina o sono: divide sua organização de uma maneira que o cérebro humano normalmente não consegue reproduzir.

Um hemisfério descansa enquanto o outro monitora respiração e perigos.
Um hemisfério descansa enquanto o outro monitora respiração e perigos.
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

Como metade do cérebro consegue dormir?

No sono uni-hemisférico de ondas lentas, a atividade elétrica de um hemisfério mostra o padrão de descanso profundo enquanto o lado oposto mantém maior ativação. A alternância distribui o repouso entre as duas metades do cérebro. Os episódios se somam ao longo do período de descanso, em vez de ocorrerem como uma única noite contínua. Pesquisadores identificam o fenômeno com registros de eletroencefalograma, e não apenas pela posição do corpo ou pelo comportamento aparente.

O olho ligado principalmente ao hemisfério mais desperto costuma permanecer aberto, enquanto o outro pode fechar. Essa relação ajuda o animal a monitorar o ambiente, mas não funciona como uma regra visual perfeita em todas as situações. Olhar um golfinho na superfície, portanto, não basta para determinar com precisão qual parte do cérebro está dormindo.

Golfinhos conseguem dormir mantendo metade do cérebro em vigilância.
Golfinhos conseguem dormir mantendo metade do cérebro em vigilância.
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

Que problemas esse sono dividido resolve?

Golfinhos respiram ar e precisam chegar à superfície regularmente. Como a respiração envolve controle voluntário maior do que nos humanos, permanecer parcialmente vigilante ajuda a coordenar a subida, a abertura do espiráculo e o retorno à água. Também permite manter contato com companheiros e ajustar a natação sem interromper totalmente o descanso.

Nas aves, o mesmo princípio aparece em contextos diferentes:

  • Vigiar a borda de um grupo, onde o risco de aproximação de predadores é maior.
  • Manter um olho direcionado para uma possível ameaça.
  • Alternar o lado vigilante conforme muda a posição no ambiente.
  • Conciliar períodos de descanso com deslocamentos prolongados em certas espécies.

Golfinhos passam a noite nadando acordados?

Eles podem continuar em movimento lento ou descansar perto da superfície, mas isso não significa ausência de sono. O hemisfério em ondas lentas recebe parte do repouso necessário enquanto o outro coordena comportamentos essenciais. Após algum tempo, ocorre a troca. Essa arquitetura permite manter funções incompatíveis com uma inconsciência completa dentro da água.

O padrão varia entre espécies, idades e circunstâncias. Mães e filhotes recém-nascidos podem permanecer muito ativos nos primeiros períodos de vida, e grupos em deslocamento organizam descanso de maneira diferente de animais em ambiente protegido. Mesmo assim, não é correto afirmar que golfinhos nunca dormem ou que ficam plenamente alertas o tempo todo.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Pidobiologia, que fala sobre o sono dos golfinhos e explica por que os dois hemisférios cerebrais alternam os períodos de descanso:

https://www.youtube.com/watch?v=41k0MJqqeMc

Algumas aves fazem isso durante o voo?

Há evidências de sono em voo em aves capazes de permanecer muitos dias no ar, como fragatas. Registros mostraram períodos breves de sono uni-hemisférico e também momentos em que os dois hemisférios descansavam. O achado é impressionante, mas não permite concluir que toda ave migratória durma da mesma maneira ou que o repouso em voo seja longo e irrestrito.

Em terra, experimentos com patos mostraram que indivíduos na extremidade do grupo mantêm o olho voltado para fora aberto com maior frequência. O hemisfério oposto permanece mais vigilante e ajuda a detectar perigo. A posição social e espacial altera, assim, a forma do descanso. A vigilância é ajustada ao risco imediato, não acionada como um modo permanente.

Por que humanos não conseguem copiar essa estratégia?

O cérebro humano pode apresentar assimetrias locais e ficar mais atento em ambiente desconhecido, mas normalmente entra no sono com os dois hemisférios seguindo estágios coordenados. Não existe técnica segura capaz de colocar voluntariamente metade do cérebro para dormir e manter a outra metade produtiva. Tentar reduzir sono usando essa comparação ignora diferenças profundas entre espécies.

O valor da adaptação está em resolver problemas específicos da vida aquática ou aérea. Como explica esta matéria sobre golfinhos que descansam com um olho aberto, a aparência de vigília pode esconder atividade cerebral de sono. Metade descansa, metade monitora, e a alternância mantém o animal vivo sem abolir uma necessidade biológica fundamental.

Catraca Livre
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