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Número de mortos em Gaza passa de 30.000 e trabalhador da construção civil vira coveiro

29 fev 2024 - 08h10
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O crescente número de mortos em decorrência da ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza é uma realidade concreta e diária para Ibrahim Ahmed: em vez de construir casas como fazia antes da guerra, ele cava sepulturas.

Deslocado de sua casa, como a maioria da população de 2,3 milhões de habitantes de Gaza, Ahmed passa seus dias no cemitério Tal Al-Sultan, na área de Rafah, preparando fileiras de túmulos no terreno arenoso e marcando-os com blocos de cimento, devido à falta de lápides.

"Como um ser humano que tem sentimentos, é pesado passar da construção de vilas e apartamentos, que eu adoro, para a construção de túmulos", disse Ahmed.

"Meu trabalho era difícil, sim, mas eu voltava para casa com uma sensação de realização. Eu fazia coisas novas, todo dia um prédio diferente, uma decoração diferente. Eu voltava para casa de bom humor."

Agora, todo dia, vê cadáveres e procissões de parentes em luto.

"Vejo pessoas diferentes, mas com os mesmos rostos, com o mesmo sofrimento. É deprimente", disse Ahmed.

"Temos duas valas comuns aqui, quase 80 mártires aqui e mais 100 mártires ali."

A guerra começou em 7 de outubro, quando militantes do grupo islâmico Hamas, que governa Gaza desde 2007, atacaram o sul de Israel, matando 1.200 pessoas e fazendo 253 reféns, de acordo com as autoridades israelenses.

Prometendo destruir o Hamas, Israel respondeu com um ataque aéreo e terrestre que devastou grande parte do território palestino. O Ministério da Saúde de Gaza disse na quinta-feira que o número de mortos passou de 30.000.

"O número continua aumentando. Eu gostaria de poder parar de fazer esse trabalho", afirmou Ahmed.

Com a certeza de que mais corpos chegarão, Ahmed e outros voluntários estão preparando sepulturas vazias em longas filas com antecedência.

"Gostaria que essa guerra terminasse para que não precisássemos mais construir túmulos, mas sim construir este país, reconstruí-lo", disse ele.

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