Novo sistema de IA da FIA vai monitorar limites de pista; entenda
Os limites de pista da Fórmula 1 sempre foram uma questão polêmica, a ponto de se tornarem um dos tópicos mais discutidos durante os fins de semana de corrida. Em determinados eventos, foi registrado que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) examinou mais de mil incidentes por corrida.
Com o alto número de incidentes, tornou-se óbvia a necessidade de uma ferramenta para agilizar o processo. Por isso, a FIA e a Catapult (empresa que desenvolve tecnologia para o esporte) estão trabalhando para integrar um sistema automatizado à plataforma RaceWatch, ferramenta onde a direção de prova e o centro de operações remotas (ROC) monitoram os eventos em pista, capaz de reconhecer com precisão quando um carro cruza a linha branca.
O objetivo desse suporte é agilizar o processo e reduzir o número de casos submetidos aos comissários. Segundo a FIA, a utilização do sistema baseado em visão computacional reduziu o número de casos que exigem intervenção humana para chegar a uma decisão em 95%.
FIA implementa Inteligência Artificial no processo
O sistema de visão computacional integrado ao RaceWatch é capaz de reconhecer o contorno de um carro e analisar seu comportamento em relação a referências pré-definidas. Essa função permite determinar se um monoposto cruzou a 'linha azul' e excedeu os limites da pista.
Em 2026, esse sistema recebe ainda mais novidades. Para tornar o processo ainda mais transparente, a FIA terá a liberdade de encaminhar imagens de quaisquer limites de pista ultrapassados pelos seus pilotos às equipes. O objetivo dessa medida é acelerar o processo e fornecer um retorno mais rápido aos times.
Outra medida que será adotada é a nova forma de identificação dos limites de pista, graças a um sistema mais avançado que também repensa o processo de análise de dados. O reconhecimento terá base em IA e utiliza GPUs de alto desempenho para processar todas as informações necessárias e verificar cada etapa individual em tempo real.
"O que estamos desenvolvendo este ano é um sistema centralizado de controle de câmeras. Até agora, o sistema de visão computacional rodava em cada computador que o executava: ele usava a GPU do carro, e nós temos GPUs muito potentes para rodar máquinas virtuais, o que é ideal para visão computacional", explicou Chris Bentley, chefe de estratégia de sistemas de informação para monopostos da FIA, em entrevista ao Motorsport.com.
"O novo sistema, no entanto, será baseado em um controlador de câmera centralizado, que nos permitirá definir todas as distâncias a partir de um único ponto, bem como distribuir os cálculos necessários. Poderemos executar o software de visão computacional em qualquer máquina da rede, enviar a ela a parte do vídeo a ser processada e receber os resultados, permitindo-nos processar cada vez mais dados", seguiu.
É estimado que a FIA tenha entre 30 e 40 máquinas virtuais operando durante atividades em pista. O número alto de equipamentos permite que a entidade analise uma quantidade maior de dados, integrando perfeitamente outra ferramenta desenvolvida pela Catapult: um sistema de posicionamento altamente avançado.
Com as inovações introduzidas nos últimos anos, é possível que a FIA estime a posição de um carro na pista com uma precisão cada vez maior. Já que o sistema cruza informações de posicionamento, tempos de percurso e trajetórias ideais, usando todos os dados disponíveis para analisar as linhas brancas ao redor do circuito.
Como funciona o sistema ECAT?
Chamado de "Every Car All Turns" (ECAT), o sistema é programado para interpretar o comportamento dos carros comparando-o a um modelo de referência. Ao cruzar essas informações com os dados da volta do microsegmento, o RaceWatch entende o que aconteceu naquele ponto da pista e sinaliza o incidente para possível revisão.
"Se um carro se desviar da linha ideal, ele poderá percorrer uma distância maior. Isso nos permite observar a diferença no tempo do setor e voltar para entender onde ele saiu da pista ou o que aconteceu. A ideia é usar todos os dados, enriquecê-los com vídeos disponíveis e rastrear esses elementos para que o sistema nos diga o que está acontecendo, em vez de termos que procurar manualmente", acrescentou Bentley.
"A ideia é levar o sistema para o próximo nível. O sistema funciona em toda a extensão da pista, o tempo todo, então ele entende automaticamente o que está acontecendo. É a evolução do que estamos tentando fazer: passar de um processo manual para um semiautomático, mantendo ainda um componente humano, porque precisamos avaliar violações e sinalizações claras e objetivas", explicou.
O sistema é capaz de identificar um possível limite de pista a partir dos dados de posicionamento: caso aconteça um desvio anômalo, o carro entra em uma zona virtual desenhada na pista ou se a trajetória se desviar muito da linha de corrida ideal, o RaceWatch pode gerar um alerta.
"Isso nos permitiu levar as coisas para o próximo nível: gerenciar todas as câmeras a partir de um único ponto, distribuir o processamento de visão computacional e integrar outros elementos que já tínhamos em um único sistema. Na prática, podemos sinalizar automaticamente quando um carro sai da pista porque os dados de posicionamento mudam, ou usar geofencing: podemos projetar chicanes e zonas virtuais na pista que geram um alerta se um carro entrar nelas. Tudo isso estará funcionando ainda este ano; estamos trabalhando nisso desde 2025", concluiu Bentley ao Motorsport.com.
Ver essa foto no Instagram