Novo medicamento contra Alzheimer terá custo de até R$ 11 mil por mês no Brasil
O Brasil terá um novo medicamento para Alzheimer, com custo mensal que pode ultrapassar R$ 11 mil. A terapia promete desacelerar a progressão da doença, mas não reverte sintomas.
Um novo medicamento voltado ao tratamento do Alzheimer em estágio inicial deve chegar ao Brasil ainda em 2026, ampliando as opções terapêuticas para uma das doenças neurodegenerativas mais desafiadoras da atualidade. O remédio, chamado lecanemabe e comercializado internacionalmente como Leqembi, teve seu preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), ligada à Anvisa.
De acordo com o órgão, o custo mensal do tratamento varia entre R$ 8,1 mil e R$ 11 mil, a depender da carga tributária aplicada em cada estado. O valor considera um paciente com cerca de 70 quilos e o protocolo padrão de administração, que prevê aplicações intravenosas a cada duas semanas, em ambiente controlado.
Aprovado
A medicação foi aprovada pela Anvisa no fim de 2025 e, segundo informações do setor farmacêutico, deve começar a ser disponibilizada no mercado brasileiro no final de junho deste ano. O produto é desenvolvido pela empresa japonesa Eisai em parceria com a farmacêutica Biogen.
Diferentemente de tratamentos tradicionais, o lecanemabe atua diretamente em um dos principais mecanismos associados ao Alzheimer: o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro. Essa substância está ligada à morte de neurônios e ao comprometimento progressivo da memória e de outras funções cognitivas.
A proposta da nova terapia é reduzir esse acúmulo e, com isso, desacelerar a evolução da doença. Estudos clínicos indicam que pacientes em fase inicial podem apresentar uma redução no ritmo de declínio cognitivo ao longo do tratamento. Apesar disso, especialistas ressaltam que o medicamento não é capaz de reverter danos já causados.
A aplicação do remédio é feita por infusão na veia, o que exige acompanhamento médico contínuo e estrutura adequada para monitoramento de possíveis efeitos adversos. Por esse motivo, o tratamento tende a ser concentrado em centros especializados.
SUS
Mesmo com os avanços, ainda não há definição sobre a inclusão do lecanemabe no Sistema Único de Saúde (SUS) ou cobertura obrigatória pelos planos de saúde. O alto custo pode ser um dos principais desafios para a ampliação do acesso à terapia no país.
A chegada do medicamento ocorre em um momento em que novas abordagens para o Alzheimer começam a surgir no mundo, trazendo perspectivas de controle mais eficaz da doença, que hoje afeta milhões de pessoas globalmente e ainda não possui cura.
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