Na próxima década, 9,5% das funções devem ser automatizadas
Dos postos de trabalho existentes hoje, 9,5% podem ser automatizados ao longo da próxima década, de acordo com dados do relatório "O impacto da IA no Mercado Brasileiro", da Randstad Research, divulgado em janeiro deste ano. Em contraponto, 16,9% das funções atuais podem ter sua produtividade aumentada, se beneficiando do uso de IA.
A inteligência artificial (IA) veio para ficar. A afirmação é do mais recente relatório da Randstad Research, "O impacto da IA no Mercado Brasileiro", divulgado em janeiro deste ano. O estudo prevê que a tecnologia pode ser responsável pela automação de 9,5% dos postos de trabalho atuais no Brasil, o que representa 9,7 milhões de empregos.
Em paralelo, a adoção dessa tecnologia deve beneficiar 16,9% das funções existentes — um total de 17,3 milhões de empregos — aumentando sua produtividade. É esperado também que a expansão da IA nas empresas seja responsável pela criação de novas oportunidades econômicas, bem como novas profissões e empregos.
As tarefas com maior utilização de linguagem serão as mais impactadas pela IA. Conforme o relatório, funções linguísticas estão relacionadas a 62% do tempo de trabalho, o que coloca funções e setores mais ou menos em exposição.
Para o empresário Murilo Elias, CEO da E-Inov Soluções Tecnológicas, o surgimento da IA generativa teve um reflexo contundente no setor comercial. Uma das soluções de sua empresa, o CRM CNPJ BIZ, trabalha justamente com o recurso de IA generativa para interação com o público, atuando como um SDR Virtual. Ele percebe que as pessoas nem detectam mais a diferença entre humano e máquina nas conversações.
"A IA generativa atingiu um nível de sofisticação de linguagem na qual a linha entre humano e máquina se tornou invisível. Hoje, ela consegue, por exemplo, manter conversas complexas com potenciais clientes via WhatsApp de forma natural, sem que eles percebam que estão interagindo com uma máquina. É por isso que afirmo que a IA é o SDR do futuro: ela traz escala, disponibilidade imediata e precisão para a qualificação de leads, transformando radicalmente a dinâmica do setor comercial", observa.
Novos postos de trabalho
O setor de tecnologia da informação deve liderar a criação de novos postos de trabalho. São esperadas 403,9 mil novas vagas, o que gera um saldo líquido de cerca de 190,7 mil postos de trabalho.
Além da área de TI, outros setores também são citados como tendo potencial para a criação de novos empregos. Entre eles estão: telecomunicações; imprensa, produção de vídeo, TV e rádio; e atividades profissionais, científicas e técnicas. No total, estima-se que sejam criados 7,1 milhões de postos de trabalho que hoje não existem. Isso seria possível devido à economia produtiva gerada pela IA.
O relatório cita ainda que os ganhos em eficiência proporcionados pela IA, em conjunto com outros fatores, como o surgimento de novas indústrias, serviços e modelos de negócios, serão responsáveis por impulsionar a demanda por profissionais com habilidades inéditas. Competências como pensamento criativo, analítico e habilidades específicas em tecnologia são destacadas pelo estudo.
Ganho produtivo
O relatório dá conta de que o ganho produtivo proporcionado pelas automatizações com IA pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 7%. Isso porque a estimativa é de que 18% do trabalho global possa ser automatizado, impactando principalmente as economias mais desenvolvidas.
No Brasil, as projeções de aumento de produtividade devido ao uso de IA superam os 30%. O setor que lidera o ranking, mais uma vez, é o de tecnologia da informação. Nele, o aumento produtivo estimado chega a 40%.
"O que a IA e a automação fizeram foi democratizar o crescimento. Antes, existia uma barreira econômica cruel: para escalar, era preciso inchar a equipe e aumentar custos, o que era inviável ou muito arriscado. A tecnologia virou esse jogo. Hoje, o pequeno empreendedor compete de igual para igual sem uma estrutura gigante. Com a barreira de vendas superada, o verdadeiro diferencial volta a ser o mérito do negócio: a qualidade e a competitividade do preço", pondera Elias.
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