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ONU: Zelensky alerta que a agressão russa pode se espalhar para além da Ucrânia

O presidente ucraniano pediu nesta quarta-feira (23), na Assembleia Geral da ONU, novas sanções contra as finanças russas e medidas para pôr fim à guerra antes que o conflito entre em outro inverno. Mais cedo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não se deixará intimidar pelos Estados Unidos.

23 set 2026 - 15h19
(atualizado às 15h58)
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Resumo
Na Assembleia Geral da ONU, Zelensky alertou que a guerra russa pode se espalhar pela Europa e defendeu maior pressão sobre Moscou. Apoiando proposta de Macron, o líder ucraniano aceitou negociar uma moratória recíproca em ataques a infraestruturas de energia para conter a crise com a chegada do inverno. Contudo, especialistas e autoridades dos EUA veem baixas chances de adesão do Kremlin, que mantém a estratégia de desgaste econômico, enquanto Kiev segue cobrando mais defesas antiaéreas.

Em seu pronunciamento, Zelensky, advertiu que a "guerra ridícula e interminável" da Rússia em breve poderá se espalhar para outras partes da Europa. Ele também pediu o aumento da pressão econômica sobre Moscou para forçar um acordo de paz antes que os combates entrem em mais um inverno marcado por mortes.

Os impasses diplomáticos e os impactos econômicos globais provocados pelos conflitos dominaram as discussões durante a reunião anual da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Na tribuna da Assembleia Geral da ONU, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu na terça-feira (22) uma "dupla moratória" sobre ataques contra instalações de energia na Rússia e na Ucrânia. Em seguida, Volodymyr Zelensky informou a Donald Trump que estava "pronto" para suspender os ataques contra instalações energéticas russas, desde que Moscou fizesse o mesmo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, apertam as mãos durante reunião à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, apertam as mãos durante reunião à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026.
Foto: RFI

Segundo especialistas, porém, há poucas chances de o Kremlin aderir à proposta. Durante uma entrevista coletiva à margem da Assembleia Geral da ONU, o presidente da Ucrânia afirmou que havia discutido com seu homólogo americano uma "moratória energética". Sem entrar em mais detalhes, disse estar disposto a suspender os ataques caso a Rússia deixasse de atacar as infraestruturas ucranianas de aquecimento, eletricidade e abastecimento de água.

A urgência é maior do lado ucraniano, explica Samir Puri, especialista em geopolítica. As temperaturas podem cair bruscamente nos próximos meses, chegando a -20 °C ou até -30 °C. "E, se a Rússia conseguir atingir as infraestruturas energéticas ucranianas, provocando cortes de eletricidade, algumas cidades ucranianas podem se tornar inabitáveis", alerta.

Após quatro anos de ataques russos, a rede energética ucraniana já está bastante fragilizada. Em 2026, no entanto, Kiev conseguiu atingir refinarias russas localizadas a milhares de quilômetros da linha de frente, provocando importantes carências de petróleo em todo o país.

Moscou teria pouco interesse em uma trégua

Para Samir Puri, esses ataques prejudicam Moscou, mas não necessariamente determinam o resultado da guerra. Em contrapartida, os ataques contra a rede energética ucraniana constituem um importante instrumento de pressão para a Rússia. "Eu diria que a Rússia tem menos interesse em aceitar essa trégua", avalia o especialista, que considera baixas as chances de um acordo desse tipo se concretizar. "Acredito que a Rússia esteja simplesmente enfraquecendo progressivamente a economia ucraniana e dando continuidade a essa guerra de desgaste", acrescenta.

Enquanto aguarda uma eventual trégua, Volodymyr Zelensky continua pedindo mais mísseis interceptadores americanos, os únicos capazes de derrubar os poderosos mísseis balísticos russos.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira que pressionava firmemente Moscou e Kiev para que interrompessem os ataques recíprocos contra as infraestruturas energéticas. Segundo ele, essa poderia ser uma base de discussão "limitada", mas que valeria a pena tentar, enquanto as negociações para um cessar-fogo fracassaram até o momento.

Com RFI

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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