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Vitória da AfD lança sombra sobre agenda de reformas de Merz

8 set 2026 - 09h58
(atualizado às 10h29)
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Resumo
A vitória histórica do partido de extrema-direita AfD na Saxônia-Anhalt gerou uma crise na coalizão governista da Alemanha. O resultado, impulsionado pela frustração popular com a economia e o custo de vida, levou o parceiro de centro-esquerda SPD a exigir a revisão do impopular pacote de reformas fiscais e previdenciárias do chanceler Friedrich Merz. Apesar da insistência de Merz em manter o plano, analistas alertam que as tensões internas ameaçam paralisar o governo e afastar investimentos.

A vitória eleitoral histórica da extrema direita em uma eleição estadual ‌na Alemanha reacendeu as divisões no governo do chanceler Friedrich Merz, com apelos de seus parceiros de coalizão social-democratas para que reformas econômicas e sociais planejadas sejam suavizadas.

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou o primeiro lugar na Saxônia-Anhalt no domingo, refletindo a frustração com o governo federal em relação à burocracia, ao aumento do custo de vida, à incerteza sobre as aposentadorias e à insegurança econômica.

Merz - cujos índices de aprovação pessoal estão em nível historicamente baixo - insistiu ⁠que seu pacote de reformas, incluindo o aumento da idade de aposentadoria e restrições ao auxílio-doença, deve seguir adiante, embora tenha ‌admitido que precisa explicá-las melhor aos eleitores.

Mas seus parceiros de centro-esquerda do SPD insistem que ele deve ir além, exigindo negociações sobre possíveis mudanças nas propostas de reforma das aposentadorias e da assistência social, além de uma nova discussão ‌sobre o orçamento de 2027 e a reabertura do debate sobre o ‌imposto sobre herança e patrimônio.

"O SPD... deve deixar claro para onde estamos indo", disse o secretário-geral do SPD, ⁠Tim Kluessendorf, nesta segunda-feira, em uma entrevista à TV para a Phoenix.

TENSÕES NA COALIZÃO

A ascensão da AfD - que ficou em segundo lugar nas eleições federais de 2025 - forçou os principais partidos alemães de centro-esquerda e centro-direita a trabalharem juntos em coalizão para excluir a extrema-direita do poder.

Mas analistas afirmaram que os apelos do SPD poderão, no mínimo, atrasar as reformas e, se as tensões na coalizão aumentarem, poderão até mesmo inviabilizá-las por completo.

"A questão principal será se os dois parceiros ‌da coalizão se aproximarão para levar adiante as reformas ou se um instinto de sobrevivência levará à autodestruição da coalizão", ‌disse Carsten Brzeski, diretor global de macroeconomia ⁠do ING.

O economista sênior do ⁠Commerzbank, Ralph Solveen, concordou que a eleição provavelmente desencadeará apelos de políticos por mudanças, o que inevitavelmente aumentará as tensões dentro do ⁠governo.

"Como costuma acontecer após derrotas, em breve certamente serão ouvidos apelos para ‌que os partidos adotem uma postura ‌mais firme", disse Solveen.

Fontes do SPD afirmaram que a atual agenda de reformas não deve ser totalmente abandonada, mas que medidas adicionais devem ser consideradas, especialmente para fortalecer sua dimensão social.

"O governo deve transmitir a mensagem de que as reformas vão melhorar a vida das pessoas", disse a colíder do partido, Baerbel Bas. "Essa mensagem simplesmente ⁠não está sendo entendida no momento."

PACOTE ECONÔMICO NÃO CONSEGUE CONQUISTAR ELEITORES

Merz assumiu o poder em 2025 prometendo reformas duras para reanimar a economia, mas um pacote inicial de medidas econômicas divulgado em julho não conseguiu restaurar a confiança dos eleitores.

Um aumento nos investimentos, viabilizado por um fundo especial de infraestrutura de 500 bilhões de euros e uma isenção das regras de endividamento para gastos com defesa, está demorando mais do ‌que o esperado para se refletir na economia.

A economia está finalmente ganhando impulso e os institutos econômicos revisaram para cima suas previsões, mas a melhora foi insuficiente e tardia demais para convencer os eleitores no estado oriental da ⁠Saxônia-Anhalt, o mais pobre da Alemanha em termos de PIB per capita.

O partido anti-imigração AfD, que ficou um pouco aquém da maioria absoluta no Parlamento estadual na votação de domingo — o que deixa incerto se poderá formar um governo —, tornou-se o rosto da oposição ao sistema político baseado no consenso que governa a Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.

Os partidos da coalizão divergem sobre como interpretar a derrota eleitoral. O SPD aponta para cortes excessivos nos gastos, enquanto a CDU culpa os altos impostos e a dívida, segundo fontes partidárias sobre as discussões internas.

A Saxônia-Anhalt representa apenas 1,8% do PIB alemão, e alavancas-chave como impostos, a estrutura do mercado de trabalho e os sistemas de previdência social estão fora do alcance de um governo estadual; portanto, a vitória da AfD não alterará significativamente a política fiscal ou econômica nacional.

No entanto, economistas temem que a vitória da AfD possa afastar o investimento estrangeiro e desestimular trabalhadores qualificados.

Outra preocupação é que o resultado eleitoral mostra um enfraquecimento mais amplo do apoio público à integração europeia, aos mercados abertos e à livre circulação de trabalhadores — fatores que outrora impulsionaram o sucesso econômico da Alemanha.

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