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Brasil apresenta resultado abaixo da média no relatório Pisa, que avalia educação em 91 países

O Brasil manteve resultados estáveis, mas abaixo da média geral no relatório do Programa para a Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) 2025. O estudo, publicado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que os alunos dos países avaliados registraram o "pior nível médio de desempenho já observado", com uma deterioração "especialmente preocupante" em leitura.

8 set 2026 - 09h19
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Resumo
O relatório Pisa avaliou a educação em 91 países e revelou um panorama global sombrio, marcado por quedas em leitura e matemática associadas a telas e à pandemia. A Ásia liderou o ranking, enquanto a França registrou mínimas históricas. O Brasil manteve resultados estáveis, mas segue na metade inferior da tabela e distante da média da OCDE, exibindo forte desigualdade socioeconômica: a diferença entre estudantes ricos e pobres equivale a quase três anos de escolaridade no país.

A nova edição da avaliação internacional, considerada um dos principais termômetros mundiais dos sistemas educacionais, analisou as competências de quase 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países e territórios, incluindo o Brasil, em ciências, leitura e matemática. O estudo é feito a cada três anos.

"Pior nível médio de desempenho já observado", aponta relatório Pisa 2025, que avalia educação em 91 países
"Pior nível médio de desempenho já observado", aponta relatório Pisa 2025, que avalia educação em 91 países
Foto: Flickr/ Daniel F. Pigatto / RFI

Como em edições anteriores, a Ásia dominou a classificação. As regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang ocuparam as primeiras posições em ciências e matemática, enquanto Singapura liderou em leitura. Macau, Taiwan, Japão e Coreia do Sul completaram as posições de destaque.

Nenhum país latino-americano aparece entre os melhores posicionados nas três disciplinas avaliadas, embora alguns, como Uruguai, Costa Rica e El Salvador, tenham melhorado seus resultados em ciências na comparação com o relatório anterior, referente a 2022.

O Brasil manteve resultados estáveis em relação às edições anteriores, mas continua posicionado na metade de baixo do ranking global e distante das médias da OCDE, apresentando grandes disparidades socioeconômicas. A diferença de nota em ciências entre alunos de famílias ricas brasileiras e famílias pobres chega a 96 pontos, o equivalente a quase três anos de escolaridade. No topo da pirâmide, apenas 1,8% dos jovens brasileiros alcançaram alto desempenho escolar, enquanto a média da OCDE é de 11,9%.

Na Europa, Estônia, Reino Unido, Finlândia e Irlanda se destacaram e apresentaram resultados acima da média da OCDE, assim como Canadá e Nova Zelândia fora do continente.

França: "preocupante, mas não é surpresa", diz ministro da Educação

O desempenho de estudantes franceses de 15 anos (faixa etária da pesquisa) caiu ainda mais no ranking do Pisa 2025, atingindo o nível mais baixo desde o seu lançamento em 2000. O país registrou 483 pontos em ciências, 456 em compreensão escrita e 458 em matemática, ficando abaixo da média nas duas últimas disciplinas.

"No geral, os resultados de 2025 estão entre os mais baixos já registrados no teste Pisa na França em todas as três áreas de avaliação, e são significativamente inferiores aos obtidos dez anos antes, no Pisa 2015", acrescenta a OCDE.

"Embora estejam estáveis em ciências, os resultados estão em declínio em compreensão de leitura, tanto na França quanto no restante dos países da OCDE. Isso é preocupante, mas, infelizmente, não é uma surpresa", declarou o ministro francês da Educação, Edouard Geffray, em entrevista ao Le Monde.

Segundo ele, "se conseguirmos abordar simultaneamente os desafios da pedagogia e da autonomia escolar, poderemos retornar ao topo do ranking até 2033".

Panorama geral "sombrio", alerta OCDE

A OCDE advertiu que o panorama geral é preocupante. "Os resultados em ciências permanecem estáveis, mas há uma queda de mais de 20 pontos em leitura e matemática", afirmou Éric Charbonnier, especialista em educação e membro da organização.

"O panorama geral é sombrio", reconheceu o organismo, ressaltando que os avanços demonstram que as melhorias continuam sendo possíveis apesar do retrocesso global observado na última década. Segundo a OCDE, uma variação de duas dezenas equivale a aproximadamente um ano de escolarização.

Em matemática, a queda chegou a 22, contra oito no restante dos sistemas educacionais avaliados. A perda foi ainda mais acentuada em leitura. A organização considera esse retrocesso "especialmente preocupante" porque a leitura constitui a base da maioria das aprendizagens escolares, como "resolver um problema de álgebra, analisar uma fonte histórica ou interpretar uma experiência científica".

Pandemia e uso das telas entre principais fatores

Para explicar a tendência de queda, a OCDE menciona vários fatores, incluindo o uso crescente das telas, a perda de interesse pela leitura entre os jovens e as mudanças na relação dos estudantes com a escola desde a pandemia de covid-19.

O relatório do Pisa também examinou a forma como ferramentas de inteligência artificial são aplicadas em sala de aula. A OCDE constatou que um uso mais intensivo destas ferramentas costuma estar associado a resultados piores em ciências.

No entanto, alguns dos sistemas educacionais mais bem-sucedidos, como Singapura e Macau, figuram entre aqueles cujos alunos declaram utilizar a IA com maior frequência.

RFI com agências

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